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Grêmio Estudantil: Alavanca para melhorar a escola pública

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Melhorar a escola pública como um todo a partir de ideias e sugestões dos alunos, sendo que muitas destas mudanças serão colocadas em prática por eles mesmos. É o que propõe os Grêmios Estudantis.

Sim! As agremiações ainda existem e têm feito muito pelas escolas da rede estadual. E, além disso, a partir deste ano passaram a receber verba – R$ 5 mil cada unidade ensino – sendo os gremistas responsáveis pela aplicação e gerenciamento deste recurso.  

Em todo o Estado de São Paulo, há grêmios estudantis em 5.540 escolas e todas receberam a verba. A Gazeta conversou com os alunos do “Voz Ativa”, o Grêmio Estudantil da “Sônia Aparecida Maximiano Bueno”, no Jardim Munhoz, escola estadual de tempo integral (fundamental II). Também participou do bate-papo o professor Marcelo Barreto Ferreira que é coordenador do Núcleo de Pedagógico dos Grêmios Estudantis da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim.

MELHORAS AMPLAS

Grêmios estudantis promovem mudanças na comunidade escolar

Ao zelar pela infraestrutura da escola, os Grêmios Estudantis promovem mudanças muito mais profundas na comunidade escolar. Isto porque, os estudantes passam a se sentir pertencentes ao espaço, tornam-se mais zelosos, mais cuidados com a escola, o que faz toda a diferença. E, é claro, esta somatória de fatores tem reflexo direto no rendimento dos estudantes.

Rita e Tatiane dizem que o alunos do grêmio se sentem parte da escola
Rita e Tatiane dizem que o alunos do grêmio se sentem parte da escola

A escola estadual “Sônia Aparecida Maximiano Bueno”, por exemplo, foi destaque no Ideb (Índice do Desenvolvimento da Educação Básica), ultrapassando a própria meta estipulada pelo Ministério da Educação (a previsão era 5,8 e atingiu 6,8). Além disso, superou os índices do município, Estado e Brasil para o ciclo – 5,0, 4,8 e 4,5 respectivamente. É fato a considerar que na unidade de ensino é de tempo integral, os estudantes se dividem entre as disciplinas da Base Nacional Comum, eletivas, aulas experimentais, projeto de vida, clube juvenil e tutoria.

Para a coordenadora geral Rita de Cássia Gazio Alves e a vice-diretora Tatiane da Silva Mendes, o trabalho em equipe e os projetos desenvolvidos ajudam em tudo, da disciplina ao sentir-se pertencente à escola, ou seja, ter prazer em estar ali. E, além disso, de serem capazes de traçar planos para o ensino médio. “Os alunos quando saem para o ensino médio, retornam para nos contar como está sendo, sobre o que estão fazendo”, diz Rita, pontuando sobre os projetos de vida que começam a serem traçados no ensino fundamental II.

AÇÃO E PLANEJAMENTO

Destaque para o protagonismo juvenil

Gincana Solidária, Ritmo e Poesia, Quem falta faz falta, Escola Limpa Escola Legal, Tecnologia do Bem, Defesa do Meio Ambiente, Palavras Mágicas e Festival Cultural. Estes são alguns dos projetos desenvolvidos pelo Grêmio Estudantil “Voz Ativa”. Alguns voltados para mudanças físicas e outros para mudanças de comportamento, sendo o objetivo de cada um discutido antes de ser implantado, assim como as ações. 

Marcelo pontua importância do grêmio
Marcelo pontua importância do grêmio

Pelo OP Jovem (Programa Participativo Jovem), por exemplo, o “Voz Ativa” foi ouvir os alunos para saber em que gostariam que a verba fosse aplicada. E a maioria apontou a necessidade de materiais esportivos na escola. Isto depois de uma visita em cada sala de aula. “Envolve plano de trabalho, avaliação e prestação de contas”, pontua Marcelo Barreto Ferreira que é coordenador do Núcleo de Pedagógico dos Grêmios Estudantis da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim.

O desenvolvimento dos projetos faz com que os alunos encontrem na escola momentos de trabalhar com situações que encontrarão ao longo da vida, como o trabalho em equipe e a tomada de decisões. Marcelo atenta que cada projeto tem seu foco e finalidade, mas todos culminam para a harmonização da vida escolar, envolvendo solidariedade e fraternidade, por exemplo.

No caso da Emef “Sônia Maximiano Bueno”, o aluno faltante recebe a visita do “Voz Ativa” para saber o porque das ausências, enquanto a aluna cadeirante nunca está só. Isso sem falar na colaboração com a limpeza da escola que, aliás, não tem pichação. E as cortinas estão impecáveis.

ELEIÇÃO

Integrantes do grêmio estudantil são escolhidos pelos estudantes

As eleições para o grêmio estudantil são anuais. Nos meses de março e abril as chapas são formadas, acontece votação e a apuração. A diplomação ocorre no mês de maio. O “Voz Ativa” conta com sete alunos matriculados nos 6º, 8º e 9º anos.

No Voz Ativa, os alunos contam que aprendem a lidar com a ‘pressão’ dos colegas
No Voz Ativa, os alunos contam que aprendem a lidar com a ‘pressão’ dos colegas

E vale observar que as atividades não se limitam ao interior da unidade de ensino. Este ano, o “Voz Ativa” colaborou com companhas para entidades assistenciais e a Santa Casa de Misericórdia. Atualmente, além da compra dos itens de esportes, o grêmio estudantil está voltado ao projeto Natal Solidário que consiste na doação de brinquedos usados em bom estado de conservação para doação às crianças carentes.

Quem faz parte do “Voz Ativa” conta que tem aprendido muito e acumulado experiências por ter que lidar com a “pressão” dos colegas que fazem cobranças ao grêmio estudantil. E, por sua vez, explicar que é preciso elencar prioridades, conforme relatam Sandro Aparecido Lucas Junior, 15, e Laisla Pereira de Oliveira, 14, ambos alunos do 9º ano.

Em geral, todo o grupo pontua que é cobrado pelos estudantes para melhorias na escola, pois sabem qual o papel do grêmio estudantil. Mas, por sua vez, eles explicam que é preciso elencar prioridades. O “Voz Ativa” conta ainda com Letícia Gabrielle Gonçalves, 15, (9º ano), Ana Laura Barbosa, 15 (9º ano), Emerson Assis de Oliveira Junior, 14 (8º ano), Kauã Zanin Mendonça, 12 (6º ano) e Vitor Carelli, 11 (6º ano).

Grêmio Estudantil Escola Sônia Aparecida Maximiano Bueno

INÉDITO

Com OPJovem, grêmios recebem e gerenciam verba

 Da Redação

Pela primeira vez, os grêmios da rede estadual poderão escolher como deve ser aplicada uma verba exclusivamente destinada a eles. Em outubro, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo repassou aos estudantes cerca de R$ 25 milhões para serem investidos em melhorias nas unidades de ensino. Até o fim do ano, eles terão que tirar do papel projetos que vão da construção de bicicletário e sala de games de raciocínio e matemática à realização de uma oficina do grafite. 

O Programa Participativo Jovem (OP Jovem) faz parte das novas iniciativas implantadas na rede estadual no segundo semestre com foco na gestão democrática. O objetivo é que, assim como professores e diretores, os estudantes possam tomar decisões dentro do ambiente escolar e beneficiar a própria comunidade.

Ao todo 4.963 unidades de ensino foram contempladas com o investimento. Antes, porém, tiveram um prazo para identificar as demandas internas e elaborar os planos de ação. As sugestões dos gremistas foram submetidas à análise da Secretaria e na primeira semana do mês foi depositado nas contas das associações de pais e mestres (APM) de cada unidade o valor de R$ 5 mil.

 

OUTRAS

Além das agremiações estudantis, a Secretaria elaborou outro formato do programa, desta vez voltado às escolas de comunidades assentadas e remanescentes. Em parceria com o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP), a cada unidade será destinado R$ 50 mil, um total de R$ 1 milhão em toda rede. No Orçamento Participativo Escola do Campo a diferença é que quem decidirá será a comunidade como um todo (professores, gestores, alunos e famílias). O recurso será repassado neste mês de novembro.

 

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