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Grávida de alto risco não consegue vaga na UTI Neonatal

A paciente foi encaminhada pela Central de Regulação, mas diretoria do hospital alega que superlotação é de conhecimento da DSR

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“A gente precisa de transferência para ter mais segurança para minha netinha. É uma vida! Precisamos de uma vaga em outro hospital, em outra cidade”, implora a avó Alessandra Rodrigues Leme.

Ela acompanha a filha Bianca Leme Vanzela, 22 anos, desde a tarde de terça-feira (5), na enfermaria da Santa Casa de Mogi Guaçu. O desespero se dá porque a bebê está prestes a nascer prematuramente e não há leito na UTI Neonatal. Bianca tem uma gravidez de risco e está no 5º mês de gestação.

A peregrinação da jovem grávida começou às 8 horas de terça-feira, quando ela perdeu líquido e foi ao posto de saúde, próximo à sua residência, em São João da Boa Vista. Lá, pediram para ela repousar em casa e retornar às 13 horas para consulta.

Em desespero, o marido a levou para o hospital e, após exames, Bianca foi transferida na ambulância do Samu para Mogi Guaçu. A informação dada ao jovem casal é de que a bebê está prestes a nascer e precisará ficar na UTI Neonatal. O hospital mais próximo com esse tipo de leito é a Santa Casa guaçuana. Vale ressaltar que o casal veio para cá com a informação de que aqui já haveria vaga.

Ao chegar, marido e esposa descobriram que os leitos estão ocupados e que o parto não poderia ser feito. Bianca está internada na Santa Casa e sendo medicada para ‘segurar a criança’. Preocupada com a situação, a avó questionou o quê aconteceria se a bebê resolvesse nascer porque a filha já estava com dois dedos de dilatação. Alessandra contou lhe disseram que haveria uma incubadora portátil para a neta ficar até que houvesse a transferência.

Mãe e filha, em conversa com a Gazeta, disseram que até entendem a questão de falta de vagas e que a equipe faz o quê pode. Mas lamentam ter escutado que esse é um problema político, de falta de recursos do Governo do Estado. “Mas nós não temos culpa. Eu só quero uma vaga para minha filha dar à luz com segurança”, desabafou Alessandra que procurou o Ministério Público local.

pronto socorro santa casa fachadaEm nota, a Direção Regional de Saúde XIV, com sede em São João da Boa Vista, informou que não tem governabilidade sobre transferências realizadas “inter hospitalar” e que essas medidas são adotadas através da CROSS (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde). Por isso, a Regional não tem como se manifestar sobre casos como este.  A CROSS é um sistema de regulação de vagas on line do Governo do Estado e o contato é feito somente entre médicos que atuam na captação de vagas.

OUTRO LADO

Diretor técnico da Santa Casa explica situação

Em nota de esclarecimento, o diretor técnico da Santa Casa de Mogi Guaçu, Marcos Alexandre Francatto da Cruz, informou que a gestante Bianca está estável, porém evoluindo em trabalho de parto prematuro com feto mantendo sinais vitais estáveis. “Em todo trabalho de parto prematuro a conduta é estabilizar o quadro da mãe e do feto o máximo possível para evitar o nascimento pelos riscos da prematuridade, porém se evoluir para parto, o recém-nascido e a mãe serão atendidos conforme protocolos de urgência e emergência”.

Quanto ao número de leitos na UTI Neonatal, o diretor técnico explicou que o hospital possui oito leitos, sendo que para o SUS (Sistema Único de Saúde) são pactuados cinco leitos. “Somos referência na região onde 20 cidades fazem parte e, nesta região, somente Mogi Guaçu e Mogi Mirim possuem UTI Neonatal”, pontua o médico.

O diretor técnico explicou qual é a relação da CROSS, neste caso. “Os médicos da CROSS encaminham pacientes pela chamada “vaga zero”, que é uma medida drástica, obrigando o hospital a atender os pacientes, ocasionando a superlotação e os expondo ao atendimento ineficaz e, até mesmo, ao risco de morte. Um leito de UTI Neonatal só existe se tiver espaço físico, incubadora, monitor cardíaco, oxímetro, bombas de infusão para administrar medicamentos, ventilador mecânico, além de recursos humanos, como médico e enfermagem capacitados. Ressaltamos que sem esses recursos o recém-nascido não terá o atendimento eficaz e qualificado que necessita. Diferentemente de um adulto, o bebê precisa de cuidados específicos e equipamentos especializados para seu atendimento, ou seja, ele necessita de um leito de UTI Neonatal”, expõe o médico.

Sobre a situação pela qual passa a Santa Casa de Mogi Guaçu, o diretor técnico conta que diariamente comunica a CROSS e a DRS através de e-mails sobre a situação da UTI Neonatal, avisando da superlotação e da falta de recursos. “São enviadas planilhas duas vezes ao dia com o nome e diagnósticos dos internados nesta UTI. Nomes e diagnósticos das gestantes internadas em trabalho de parto prematuro com risco de nascimento e também com necessidades de leitos de UTI Neonatal também são informados”.

Mesmo assim, explica Marcos Alexandre, a CROSS com seus médicos reguladores encaminham pacientes da região pelo ‘vaga zero’. Para exemplificar, ele cita que, no último dia 3, receberam uma paciente vinda de Mococa e que, nesta quarta-feira (6), ela evoluiu para parto normal e o recém-nascido está sendo admitido em um leito extra e adaptado na UTI Neonatal. “No total estamos com nove RNs em UTI Neonatal e com a gestante Bianca já em trabalho de parto prematuro aguardando regulação pela CROSS. Ou seja, nossa realidade, atualmente, é que estamos superlotados”, desabafa o médico.

Marcos Alexandre ainda ressalta que as medidas para evitar esse tipo de situação estão sendo tomadas há muitos anos. “Sempre comunicamos a situação de superlotação e a falta de leitos na região para os órgãos competentes, porém, este ano, em junho de 2017, nossos diretores e a Secretária de Saúde acionaram o Ministério Público relatando essa frequência de encaminhamento do ‘vaga zero’ para nossa UTI Neonatal e também foram realizados B.Os. (Boletins de Ocorrência) para os casos encaminhados, inclusive destes últimos dois episódios”, reforçou.

Outra medida tomada, de acordo com Marcos Alexandre, foi a solicitação de transferência destas pacientes para outra instituição com a inserção delas novamente no sistema CROSS. “E aguardamos a regulação que, na maioria das vezes, é negada pelo regulador alegando que devemos resolver com recursos próprios. Então, perguntamos: quais recursos próprios se o que temos já estão saturados e extrapolados?”, indagou o médico.

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