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Foliões se dividem entre São Paulo, Bahia e Rio

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Ah, o Carnaval! A festa mais popular do Brasil entra em seu segundo dia arrastando uma multidão para as ruas de todo o país. Os guaçuanos não estão de fora desta folia e já curtem os seus destinos preferidos. Não querem perder um minuto do desfile das agremiações preferidas ou do artista que leva a multidão à loucura em cima do trio elétrico.

Todos os anos os preparativos incluem mais que passagens e hospedagem. É preciso também ajeitar a fantasia, colocar o abadá na mala e preparar o físico para aguentar estes cinco dias de muita agitação e folia.

SÃO PAULO

Samba e Mancha Verde: combinação perfeita

 O guaçuano Marcelo Cristiano de Oliveira está na capital paulista desde quinta-feira (8), e na sexta-feira (9), ele foi para o Anhembi, onde ficou na concentração da escola de samba “Mancha Verde”. Foram cerca de 10 horas só na concentração até a hora do desfile. Marcelinho, como é conhecido, diz que é um desafio psicológico e físico, mas estar ali é a união de duas paixões – a paixão pelo samba e, claro, pelo Palmeiras, que deu origem a agremiação.

Marcelinho
Marcelinho

A paixão pelo samba vem da infância. “Sou apaixonado por samba desde que nasci, sou sobrinho do Bilica, sambista da antiga escola de samba guaçuana ‘Vai Quem Qué’. Quando eu tinha nove anos desfilei tocando tamborim na bateria da ‘Mocidade Alegre’. Eu era fã do Mussum (do humorístico ‘Os Trapalhões’), tanto é que acabei me tornando mangueirense como ele. Mas quando a ‘Mancha Verde’ foi criada eu comecei a desfilar já no segundo ano e faço parte da bateria há 11 anos”, conta Marcelinho.

Inclusive, ele já tocou na bateria da ‘Mancha Verde’ por oito anos. Agora, porém, está há três anos tocando repique na ala de apoio à bateria. “Eu ensaiava do mês de abril até o Carnaval. Era um bate e volta toda terça-feira. Saía às 7 horas de Mogi Guaçu e ficava no ensaio até às 23 horas e chegava de volta aqui a 1 hora da madrugada”, recorda Marcelinho.

Tão logo a filha nasceu, ele abriu mão de fazer parte da bateria. Mas é nela – que hoje está com quatro anos – que ele aposta, já que Marcelinho se considera um sambista solitário na família. “Acho que ela vai gostar. Ela se empolga quando toco ou coloco vídeos e pergunta quando vai poder participar. Assim que ela tiver idade vou levá-la para a ‘Mancha Mirim’”.

Marcelinho participa dos ensaios técnicos, que são somente cinco. O último foi dia 2 de fevereiro. “O Anhembi veio abaixo quando fizemos um ‘esquenta’, em janeiro, e os componentes do Fundo de Quintal compareceram. Um deles compositor do samba enredo desse ano da ‘Mancha Verde’. Foi um dia emblemático”, diz Marcelinho enquanto segue torcendo por sua escola do coração.

marcelinho multi carnaval

SALVADOR

Trios elétricos e blocos de rua são o cenário da folia

 “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”. A letra da marchinha de ir atrás do trio elétrico tem arrebatado guaçuanos que, anualmente, compram os abadás e rumam para Salvador/BA. A advogada Giovana Rodrigues já esteve oito vezes na folia que invade a capital baiana. “Gosto da receptividade do povo baiano e adoro o ritmo do axé e os cantores, além da cidade e da praia. É uma festa alegre e, diferentemente do que as pessoas comentam, me sinto muito segura em Salvador”.

Giovana
Giovana

Giovana já realizou o sonho de conhecer o Carnaval do Rio de Janeiro e conta que também era um sonho ver de perto o trio elétrico, em Salvador. Apesar de não correr atrás do trio literalmente, por diversos quarteirões, Giovana não abre mão de descer do camarote quando ele chega. Ela desce e junto à multidão curte o trio elétrico ali na frente, no que chamam de ‘pipoca’. Depois retorna ao camarote e continua a folia ao lado dos amigos. Na opinião de Giovana, os trios mais animados e queridos são do ‘Camaleão’ com Bell Marques (ex-vocalista do Chiclete com Banana) e da cantora Ivete Sangalo (que este ano não se apresenta devido à gravidez).

Giovana gosta de chegar uns dias antes em Salvador para poder curtir a cidade e suas praias. Mas depois é só folia nos trios elétricos e também nos blocos carnavalescos que tem uma pegada musical diferente de São Paulo e do Rio, com mais axé. “Na beira da praia há também alguns bloquinhos e já alternei também a folia na avenida com os trios e com o Carnaval no Pelourinho. Lá, tem Carnaval de rua com o Olodum e tem pintura corporal, a gente desce as ladeiras. É muito legal”.

Diferentemente dos anos anteriores, nesta semana, Giovana e o grupo de amigos estão viajando em um cruzeiro e vão curtir apenas a segunda-feira (12) de Carnaval. Cerca de 20 guaçuanos estão no mesmo navio em direção a Salvador.

multi carnaval giovana

RIO DE JANEIRO

Mais que samba. É contexto social

 Curtir o Carnaval no Rio de Janeiro é tradição para muitos guaçuanos que gostam da folia. Principalmente, para a família Moreli. Há 17 anos, Rita e Armando curtem o Carnaval na Marquês de Sapucaí. Para quem tem sangue na veia, ficar aqui, em Mogi Guaçu, é morrer de tédio”, brinca Rita.

Moreli e Rita
Moreli e Rita

Ao ouvirem e analisarem os enredos das escolas de samba, o casal arrisca três palpites: Beija Flor, Portela e Mangueira. “O que nos chamou a atenção, respectivamente, foram os temas das três: o descaso, o abandono do povo brasileiro (Ó Pátria amada, por onde andarás?); o acolhimento ao próximo (Chega criança, homi, muié, no abraço dessa terra, só não fica quem não quer) e a resistência do ‘samba’ frente à falta de verba, prevalecendo a criatividade do sambista (Com dinheiro ou sem dinheiro…)”, analisa o casal.

Além da tradição de estar na Marquês de Sapucaí curtindo o desfile das escolas, há uma emoção a mais que leva Rita e Armandinho até ao Rio de Janeiro. “Apesar de tantas mazelas, o Rio ainda é a cidade maravilhosa com encantos mil, como diz a música. Escolhemos o  Rio porque é lá  que ainda se mantém a tradição de brincar o Carnaval na rua, nos blocos que aumentam a cada ano, nos palcos montados em praças dando acesso à população. Apreciamos a descontração do povo, a criatividade das fantasias, o bom humor, a sátira social”, pontuam.

Rita e Armando também relatam o amor ao samba pelos participantes das escolas carnavalescas. “Trazem sempre um enredo questionador que nos faz refletir sobre temas importantes da história ou da atualidade. Temos, é claro, nossa escola do coração, mas sempre reconhecemos o espetáculo que todas elas apresentam ao longo da avenida”.

Inicialmente, o casal ia para o Rio de Janeiro acompanhado das filhas e com um grupo de amigos. Mas, se não dá pra galera toda ir, Rita e Armando não perdem o ritmo e seguem para a folia com muita animação. “Para esse ano, o que não pode faltar é essa animação. Plagiando a Estação Primeira de Mangueira, ‘com ou sem fantasia, eu brinco’”, descontrai Rita.

multi carnaval rita morelli

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