Home»Destaque na Home»Família de universitário lamenta impunidade

Família de universitário lamenta impunidade

Luís Matheus Possolino tinha 24 anos, quando morreu nove dias depois de ser atacado no dia 25 de fevereiro de 2016

8
Compartilhamentos
Pinterest Google+

Na segunda-feira (5), algumas mensagens na rede social Facebook relembraram os dois anos de morte do universitário Luís Matheus Possolino. Amigos postaram homenagens de saudade. Emocionadas, a mãe e a irmã do jovem lamentam que além da saudade também precisam conviver com angústia de não saber quem o matou.

O universitário tinha 24 anos quando morreu. Ele foi atacado no dia 25 de fevereiro e permaneceu nove dias na UTI da Santa Casa até falecer, no dia 5 de março de 2016. O crime foi registrado como latrocínio (roubo seguido de morte). Ele foi encontrado convulsionando por uma pessoa que fazia caminhada pelo local, às margens da mata que beira o Rio Mogi Guaçu.

Matheus tinha abastecido em um posto de combustível no Jardim Igaçaba e trafegava com sua Honda Fan, cor roxa, pela Avenida Oscar Chiarelli em direção à faculdade para encontrar com a mãe e o companheiro.

Mãe e irmã de Matheus
Mãe e irmã de Matheus

Magali Pires Possolino concedeu entrevista no banco da cantina que mantém nas Faculdades Integradas Maria Imaculada. O mesmo banco onde ela o esperava para um lanche na noite em que foi atacado. Ela disse que foi o filho quem começou com a cantina, na época em que cursava farmácia. Mas ele desistiu do curso e naquela noite, depois do lanche, iria para Mogi Mirim onde estava estudando Direito.

Michele Pires Possolino Ribeiro, irmã do jovem, diz que a sensação é de impotência, uma vez que o irmão era uma pessoa de bem. “Não vimos empenho da polícia, ouviram alguns relatos, mas nada de concreto nos passaram. Pedi para rastrearem as conversas do telefone, mas disseram que demoraria. Não sei se fizeram, mas já se passaram dois anos”.

Ela também acredita que o fato de Matheus ser homossexual tenha afetado a investigação. Ela conta que depois da morte do irmão e com tantas versões sobre o que poderia ter acontecido preferiu excluir o Facebook. Ela suspeita que o relato de alguns ‘amigos’ do irmão tenham atrapalhado ou confundido a investigação. “Falaram coisas demais, misturaram os assuntos falaram de PCC, briga de trânsito, encontro amoroso e perderam o foco. Ficamos com uma imagem de que meu irmão é que foi o culpado pela própria morte. Sei que tem coisas que a polícia não pode fazer, mas penso que poderiam ter investigado por outro lado”, relembra Michele.

“Se fosse parente deles teriam visto o caso com os mesmos olhos? Sinceramente não deram importância como deveria. Sei que nada vai trazer o Matheus de volta. Mas é justo essa pessoa que o matou estar livre, por aí?”, diz Magali.

O capacete e o celular de Matheus não foram encontrados. A motocicleta que ele pilotava, segundo a família, foi encontrada pelo polícia cerca de seis meses depois e continua apreendida em um pátio de guincho da polícia até o final de investigação.

Pais do Mateus
Pais do Mateus

Traumas

Anos antes da morte de Matheus, dona Magali enterrou outro filho, que morreu em decorrência de um aneurisma. “Quando o vi naquela UTI lembrei-me do meu outro filho e foi a dor mais terrível que tive. Vivo porque tenho de sobreviver, mas acabaram com a minha vida e do meu marido. Isso está nos matando aos poucos”, se emociona a mãe.

“A doença acaba com a família, mas a morte dele do jeito que foi nos destruiu. Temos sequelas horríveis até hoje. Vivo pelos meus filhos, mas não é fácil”, comenta Michele ao lembrar que os pais se separaram após a morte de Matheus e de como o pai se revoltou com a vida.

Michele pede uma solução para o caso até mesmo para que acabem as desconfianças que surgiram. “A cabeça da gente vai longe, penso que poderia ser um amigo dele, um conhecido”, desabafa.

O laudo, segundo a irmã, apontou que Matheus foi golpeado na cabeça com forte impacto por um objeto contundente. Ela disse que a arma usada penetrou alguns centímetros do crânio e que o irmão não tinha outros ferimentos que sugerissem um espancamento. “Acredito que alguém viu o que aconteceu, mas está com medo de falar”, diz Michele que participou de uma passeata na época, ao lado dos pais, familiares e amigos para sensibilizar a comunidade e as autoridades.

Informações que ajudem a investigação podem ser fornecidas anonimamente ao Disque-Denúncia 181.

matheus_justiça

EMPENHO

Delegada diz que caso continua em investigação

 

A delegada responsável pela equipe de investigação, Edna Elvira Salgado Martins, esclareceu à reportagem que não encerrou o caso e que policiais continuam em diligências em busca de provas. Tanto que, como reforça a delegada, a motocicleta foi localizada. “A moto não tinha nenhuma identificação, como placa, o chassi estava raspado e conseguimos chegar na moto”, exemplifica a delegada.

Delegada Edna
Delegada Edna

Edna também refuta a ideia de que deram menos importância ao caso pelo fato de Matheus ser homossexual. “De maneira alguma. Independentemente da classe social, profissão ou opção sexual da pessoa. Qualquer crime nós investigamos com afinco e damos atenção aos parentes das vítimas, mas eu sempre falo: prometer que eu chegarei ao autor eu não prometo, o que eu prometo é trabalho e empenho e é o que a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) faz. Eu gostaria de esclarecer 100% dos crimes, mas ainda assim nosso índice de esclarecimentos é alto, acima da média do Brasil em termos de homicídio e latrocínio”.

Por que tem homicídios que são esclarecidos rapidamente? A delegada disse que alguns demandam tempo maior devido à complexidade dos fatos. “Nesse caso ele foi encontrado em um lugar ermo, no mato, sem testemunha e, em termos de investigação isso é mais trabalhoso. Conseguimos uma imagem do que seria da pessoa fugindo com a moto, próximo ao local do crime, mas a qualidade não ajudou na identificação. Posso garantir que não tem prazer maior do que chegar ao autor, até por respeito à família e é uma gratificação em termos profissionais”.

A delegada diz entender os comentários da família por envolver uma questão sentimental e de falta de conhecimento técnico e jurídico de como se faz uma investigação. “Temos diligências em andamento e detalhes da investigação não se comentam e não falamos o que vamos fazer, inclusive para não atrapalhar a própria investigação. A gente explica e informa o que pode ser dito”.

Sobre as informações repassadas por amigos e conhecidos na época, a delegada explica que no começo de qualquer investigação não tem nada muito claro e é preciso checar todas as hipóteses. “Todas as informações foram filtradas e analisadas e saímos a campo para ver se procediam”, finaliza a delegada comprovando que não houve fatos que atrapalharam as investigações.

Post anterior

Alice e Beatriz

Próximo post

Projeto pode garantir verba de R$ 1 milhão