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Ex-sogra de Cigano diz que ainda tem medo dele

Rone estava foragido e foi encontrado por investigadores da DIG em Divinolândia

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Após a prisão do cigano Rone de Freitas, 24 anos, na manhã desta quarta-feira (23), em Divinolândia, a Gazeta entrou em contato com a ex-sogra do rapaz, Lenice da silva Ribeiro, 40 anos, que está fora de Mogi Guaçu, escondida junto com a outra filha, Tuany. Por telefone, Lenice atendeu à reportagem e comentou que mesmo sabendo da prisão de Rone, ela e as filhas continuam com medo. O receio, agora, é por conta dos familiares do cigano. Elas acreditam que a prisão dele pode ter revoltado os familiares e que possam estar querendo encontrá-las.

Por medo, Lenice disse que continuará escondida e não pensa em voltar para a cidade. Ela conta que continua ainda em estado de alerta, embora não tenha mais recebido ameaças vindas de Rone. “Espero que eles esqueçam que a gente existe e nos deixem em paz”.

Lenice acredita que com a prisão a Justiça será feita e que Rone pagará pelo crime que cometeu. “Que ele cumpra a pena e pague o que fez para nós. Porque minha filha não queria mais viver com ele, então, ele vai lá e faz isso com a gente? Somos inocentes”, desabafou Lenice.

Sobre as declarações de Rone, de que ele teria atirado para cima e que elas estavam com paus e pedras nas mãos, Lenice disse que isso não é verdade. “Ele atirou à queima roupa. Eu e minha filha saímos no portão para falar com ele de mãos livres”, rebateu.

Lenice disse que sempre teve medo de Rone porque sabia que ele era perigoso, mas não imaginava que iria tentar matá-las. “Naquele dia, eu disse que ele é que teria de saber onde estava a minha filha (Tayná) e eu disse que iria naquela hora fazer um B.O. (Boletim de Ocorrência) contra ele pelo desaparecimento dela. Ele pediu para eu esperar, foi no carro e atirou em nós. Ele virou para mim primeiro e depois na minha filha. Ele atirou sem dó, para nos matar”.

Ela ainda contou que a filha fugiu de Rone porque era ‘judiada’ dentro de casa. Tinha de pedir dinheiro na rua para sustentá-lo.

Rone e Tayná se conheceram quando o cigano passou a residir em um acampamento próximo da residência delas, entre os Jardins Esplanada e Califórnia. “Ela era rebelde e eu trabalhava e, quando abri os olhos, ela já tinha fugido com ele. Depois disso, nunca mais tive sossego. Há mais de cinco anos vivo nesse sofrimento”, lamentou Lenice.

Prisão 

O cigano Rone estava foragido desde abril quando atirou contra a ex-sogra e a ex-cunhada, que residiam no Jardim Califórnia. Rone estava com a prisão preventiva decretada desde aquela época e foi preso com base na Lei do Feminicídio, em vigor desde março deste ano. A lei qualifica a tentativa ou homicídio de mulheres como crime hediondo. A pena é de 12 a 30 anos de prisão.

Rone, que vive em acampamentos entre Mogi Guaçu e Itapira, foi preso às 10h30, em Divinolândia. A delegada Edna Elvira Salgado Martins contou que, durante as investigações, ele quase chegou a ser preso, em Itapira, mas conseguiu fugir. Investigadores da DIG (Delegacias de Investigações Gerais), com ajuda de policiais civis de Divinolândia, localizaram uma residência onde Rone estaria morando. Porém, ele foi localizado na rua, dentro de um carro e não esboçou reação.

Quando chegou à DIG, por segurança, a rua da delegacia foi interditada com a ajuda de viaturas da GCM (Guarda Civil Municipal). Autoridades temiam que ciganos do acampamento da família de Rone pudessem aparecer e causar tumulto no local.

Rone Cigano Preso
Rone foi levado para a cadeia de Itapira

À delegada, Rone contou que, naquele dia, atirou para cima e não tinha intenção de matar. O cigano também alegou que elas o ameaçaram com tijolos e pau. Após depoimento à delegada, Rone foi conduzido para a cadeia, em Itapira.

Em abril, a dona de casa Lenice da Silva Ribeiro, 40 anos, conhecida como Sonéia, e a filha Tuany Priscila da Silva Santos, 24, foram baleadas no portão de casa por Rone. Ele estava à procura da ex-companheira, Tayná, filha de Lenice.

Lenice levou um tiro na nuca e a filha Tuany levou dois tiros na barriga e um no ombro direito. Há cerca de duas semanas, Lenice e Tuany, além da caçula de 9 anos, retornaram para a casa da família. No dia seguinte, pediram proteção policial para promover a mudança. Uma irmã de Rone teria ido até a residência verificar quem estaria na casa, mas a família da moça alega não saber onde ela está.

Leonice vive escondida com as filhas por medo
Leonice vive escondida com as filhas por medo

VIOLENTO

Na ocasião em que Rone tentou matar a ex-sogra e a ex-cunhada, a ex-companheira Tayná Letícia Silva dos Santos, de 18 anos, teria fugido do acampamento onde vivia com Rone, em Itapira. Mas o relacionamento conturbado de Rone e Tayná se arrasta desde 2009, quando ele foi denunciado por estupro de vulnerável acusado de raptar a adolescente Tayná, à época, com 12 anos. No fim daquele ano de 2009, disparos de arma de fogo foram efetuados na rua da família de Tayná, onde a adolescente estava com outros familiares. Ele estava à procura da garota.

Rone chegou a ser preso em flagrante por fazer ameaças contra autoridades e familiares da menina. A mãe da jovem, à época, fez denúncia ao Conselho Tutelar e à DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). Tayná e a mãe chegaram a ir para um abrigo de vítimas de violência familiar.

Rone, acompanhado de outros ciganos, passou a procurar a jovem na casa do pai dela, dos avós e de outros parentes. Ele negava as acusações, alegando que apenas queria conversar com Tayná. Cigano ainda respondeu criminalmente por estupro de vulnerável e chegou a ser transferido para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Araraquara.

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