Home»Caderno Multi»Escolta de presas afeta patrulhamento na cidade

Escolta de presas afeta patrulhamento na cidade

0
Compartilhamentos
Pinterest Google+

O cotidiano das mais de 850 detentas extrapola os muros da penitenciária feminina e atinge diretamente a segurança pública, em Mogi Guaçu. Antes da instalação da penitenciária feminina no município, a Polícia Militar fazia em média 60 escoltas de presos por mês na região.  Eram escoltas, inclusive, para apoiar Campinas, Jundiaí e Hortolândia.

Atualmente, esse cálculo mudou. Com o funcionamento da unidade prisional na cidade são realizadas 150 escoltas por mês – mais que dobrou esse tipo de serviço. No entanto, o efetivo e o número de viaturas são os mesmos. A cada presa escoltada é destinada uma viatura e dois policiais militares que as acompanham no Fórum ou em hospitais. E, em caso de internação, a viatura permanece na porta do hospital e os policiais ficam no corredor do leito onde a detenta está até que a alta médica seja dada.

A solução ideal seria que as escoltas de detentos fossem feitas pelos agentes de escolta da própria SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) do Estado de São Paulo. A tendência é que a SAP comece a contratar estes agentes aprovados em concurso, conforme já ocorre na capital paulista. “Não é função da PM, mas pode perceber que onde há lacuna, a polícia abraça. E nós fazemos porque não tem quem faça”, explicou o major Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo, comandante do 26º Batalhão da Polícia Militar do Interior, sediada em Mogi Guaçu, no Jardim Novo I.

Major Mello Araújo aguarda reforço
Major Mello Araújo aguarda reforço

O major acredita que as escoltas para audiências devam terminar quando os equipamentos (impressora e interligação de computadores) da Vara Criminal e da Promotoria Pública forem instalados nas dependências da penitenciária. As presas que tiverem audiências por carta precatória as farão por lá mesmo. “Uma medida simples que ajudará muito a cidade”, reforça.

Mello Araújo lembrou que, desde que a penitenciária estava em construção no município, passou a negociar o aumento do efetivo com o Estado. “Informamos que a demanda aumentaria e realmente aumentou e o comando de Campinas está analisando nossos pedidos. Deveremos ter uma definição em 15 dias. A ideia é atendermos apenas as escoltas da área do Batalhão”, comentou o major Mello Araújo pontuando que tratam-se de oito cidades.

Caso essa medida paliativa dê resultados positivos, o serviço nas Companhias da PM da área do Batalhão retoma a normalidade, com escoltas somente dentro da região de Mogi Guaçu. Para o major, tirar viaturas das ruas para escoltar presas diminui a sensação de segurança da população que passa a ver menos viaturas patrulhando o bairro e isso reflete no aumento dos crimes. Ele exemplificou citando o aumento no número de furtos, que não representa um salto grande, mas já preocupa, caso nenhuma atitude seja tomada.

Para piorar a situação, ele reforça que a fase de desemprego pela qual o país passa também provoca estresse no cidadão, o que também reflete na segurança pública. Em tempos de crise e desemprego há mais roubos e os envolvidos em acidentes de trânsito ficam mais agressivos e partem para brigas que podem até resultarem em homicídios. “Segurança não é apenas uma questão de polícia”, reflete o major.

Por isso, ele defende ações ostensivas como as operações nos bairros para mostrar união e força com a Guarda Civil Municipal e também as operações de cumprimento de mandado de busca e apreensão. “Isso evidencia que a polícia está atuando com apoio do Ministério Público e do Judiciário. Mostramos que ainda mandamos na casa”.

O major frisa que o apoio da população é imprescindível. “Aliás, a ajuda vem por meio de denúncias”, concluiu.

Post anterior

BB fecha agências na região de Campinas; Guaçu não é afetado

Próximo post

Chuva prejudica retomada da construção de creche