Home»Destaque na Home»Empresários suspeitam de especulação imobiliária

Empresários suspeitam de especulação imobiliária

Eles contam que tentaram comprar áreas que estavam para ser retomadas, mas alegam que preço está supervalorizado

4
Compartilhamentos
Pinterest Google+

Dois empresários do ramo de móveis de aço – WCM Móveis de Aço – cogitam ter de deixar Mogi Guaçu aumentando, assim, o número de desempregados na cidade. O motivo é a falta de área para instalar a empresa que terá de deixar o local onde funciona atualmente, próximo à Avenida Padre Jaime. “O que queremos é externar nosso descrédito com a municipalidade. Há anos estamos buscando uma área em um dos distritos industriais para instalarmos nossa empresa e não conseguimos nada até agora”, disseram os empresários, que preferiram manter seus nomes sob sigilo.

A empresa funciona em Mogi Guaçu há quase seis anos e gera aproximadamente 160 empregos direto, a maioria da mão de obra, inclusive, é do próprio município. “Esse é o principal motivo que não queremos deixar Mogi Guaçu. Já temos convites de outras cidades que estão dispostas a nos receber, mas para nós o ideal é prosseguir aqui porque nossos funcionários são praticamente todos de Mogi Guaçu”, explicaram.

Caruso
Caruso

O local onde a empresa está funcionando é arrendado. No entanto, o proprietário da área irá usá-la e, por isso, pediu para que a empresa deixe o local até o fim de outubro. “Já tínhamos sido avisados dessa possibilidade e não podemos alegar ignorância. Vamos deixar a área e corremos o risco de ter de ir embora de Mogi Guaçu por falta de outra área para nos instalarmos”, lamentaram os empresários.

Eles ainda levantaram suspeitas de que haja prática de especulação imobiliária nos distritos industriais de Mogi Guaçu. Isso porque, os empresários afirmam que se disponibilizaram a comprar áreas que estivessem prestes a serem retomadas pela Proguaçu S/A, mas desistiram da negociação ao constatarem a supervalorização destas áreas. “Terrenos que sabemos custar em média R$ 8 o metro foram oferecido por R$ 12 o metro. É inviável. É muito caro. Isso não pode acontecer. É especulação imobiliária”, esbravejaram sem citar nomes de quem estaria fazendo tal oferta. Neste caso, os empresários pagariam ao beneficiário da área o mesmo valor que ele gastou para investir no local com construção de barracões, estruturas e documentações.

Eles ainda alegam que as conversas com a municipalidade já estão ocorrendo desde a época do então prefeito Paulo Eduardo de Barros, o Dr. Paulinho (PHS), e avançaram no governo do prefeito Walter Caveanha (PTB). “Conversamos com o Dr. Paulinho, com a Irene que comandava a Proguaçu S/A e agora com o Caveanha, no mandato passado, mas as negociações não seguiram. Queríamos saber por que os terrenos que vão ser retomados são vendidos tão caro e por que não conseguimos uma doação de área se já temos empresa funcionando na cidade?”, indagaram os empresários.

 

Resposta

A Secretaria de Comunicação Social enviou nota à Gazeta explicando que “a Prefeitura requer, por parte dos denunciantes, a relação de nomes dos empresários acusados de ‘especulação imobiliária’ contra a empresa fabricante de móveis de aço. O objetivo é analisar caso a caso o fato narrado pela imprensa a esta Secretaria. Isso se torna necessário para tomar conhecimento total da denúncia apresentada contra a Prefeitura e a Proguaçu. Diante de tais denúncias, a Prefeitura de Mogi Guaçu só vai se pronunciar quando os fatos estiverem totalmente esclarecidos”.

 

distrito industrial caruso

SOB CONDIÇÕES
Para serem comercializados, áreas e barracões precisam estar regularizados

Mogi Guaçu possui cinco distritos industriais em funcionamento e o 6º em implantação. Neles, as áreas são doadas aos empresários por meio de lei municipal. A princípio, o prefeito encaminha projeto de lei à Câmara Municipal pedindo a aprovação dos vereadores para que a doação da área seja feita. Caso seja aprovado, o projeto torna-se lei municipal e o empresário que receber a área em doação tem prazo de dois anos para construir a empresa e dar início a geração de empregos. No projeto de lei encaminhado pelo prefeito à Câmara já consta em qual setor a empresa irá atuar, quantos empregos irá gerar direta e indiretamente, previsão de investimentos e quanto ela deverá gerar de lucro que dará base para o pagamento dos impostos ao município.

distrito industrial carusoEm alguns casos, este prazo de dois anos até poderá ser prorrogado por mais tempo, dependendo das justificativas que impediram o cumprimento do prazo inicial. Do contrário, a Proguaçu S/A – que é o órgão responsável pelo gerenciamento das áreas nos distritos industriais – pode retomá-las, a fim de fazer nova doação para outras empresas dispostas a se instalarem em Mogi Guaçu.

A Gazeta percorreu os cinco distritos industriais nesta semana e conferiu que há alguns barracões e terrenos à venda ou disponíveis para locação. Em alguns deles tem até placas de imobiliárias intermediando as negociações. No entanto, a reportagem apurou junto à Proguaçu que existem situações que permitem estas transações imobiliárias. Uma delas é quando o empresário que recebe a área em doação pelo município cumpre o prazo de dois anos para a construção da empresa, gera empregos e paga os impostos de maneira correta. Diante disso, após outro prazo estipulado pela Proguaçu, o empresário recebe a escritura do imóvel que passa a ser dele. Portanto, torna-se apto a vender ou alugar o imóvel para terceiros.

Outra situação são os barracões e terrenos situados no Distrito Industrial João Batista Caruso, que fica às margens da Rodovia SP-342, que liga Mogi Guaçu a Espírito Santo do Pinhal. Neste distrito especificamente, parte da área é particular, ou seja, não pertence ao município. Por isso, desde que os imóveis estejam dentro deste limite particular podem ser negociados com terceiros.

Porém, vale ressaltar que nos Distritos Industriais que foram formados em áreas do município, tanto os barracões quantos os terrenos não podem ser vendidos ou locados se não estiverem dentro das condições já citadas. Tais negociações imobiliárias podem ser qualificadas como crime, após análise da Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos. (MDT)

 distrito industrial getulio vargas dois

Distritos Industriais                                                    

João Batista Caruso                        

Getúlio Vargas I                              

Getúlio Vargas II                                       

Parque Mogi Guaçu                        

Santa Josefina     

Distrito de Martinho Prado Júnior – em implantação

 

Proguaçu
Proguaçu

SEM LEVANTAMENTOS 

Problemas nos distritos são frequentes

 Os impasses nos Distritos Industriais de Mogi Guaçu ocorrem há muito tempo. Em meados de 2014, por exemplo, os vereadores aprovaram projeto de lei enviado pela Prefeitura, em caráter excepcional, para permitir a empresa Techforge do Brasil alugar o barracão instalado no Parque Industrial Mogi Guaçu. O imóvel de 26.500,50 m² foi, então, repassado à Liu Gong Latin América Máquinas para Construção Pesada Ltda.

De acordo com a lei municipal de incentivo à industrialização, a transferência não pode ocorrer sem autorização e, por isso, um representante da Techforge teve de ir explicar aos vereadores os motivos da locação aos vereadores. Theo Schwarzenbeck explicou que foram contatados por um grupo empresarial chinês que tinha pressa de instalar uma unidade no Brasil. A empresa chinesa estaria com dificuldades em achar espaço adequado à sua produção e o espaço ideal seria o da Techforge, que construiu um galpão industrial com 12 metros de pé direito, além de uma ponte volante para o transporte interno de peças.

A ideia, segundo Theo Schwarzenbeck, é que com o valor do aluguel seja possível cumprir todas as exigências da Prefeitura quanto à instalação e conclusão da unidade no prazo. Isso porque, a empresa recebeu a área em doação em 2004, obteve uma prorrogação para concluir a obra em 2012 e necessitaria de novo prazo. Com a aprovação da substituição de empresa na área, a Liugong Latin teve 24 meses de prazo para a instalação e funcionamento.

Ainda em 2014, a direção da Proguaçu S/A afirmou que estava trabalhando na regularização e na retomada de áreas pertencentes às empresas improdutivas. Com isso, naquela ocasião, foi possível fazer a doação de áreas para duas empresas já existentes no município e que ampliaram a produção, em 2013. No entanto, a Proguaçu não divulgou nenhum relatório oficial constando quantas áreas estão vazias (sem construção) e improdutivas ou quantos barracões construídos existem sem funcionar. (MDT com informações de Karina de Araújo)

 

 

 

 

Post anterior

Moradora reivindica iluminação na Lourenço Gerbi

Próximo post

Equipe Corug/SET participa de nova competição