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Empoderamento feminino: luta por direitos e respeito

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Nesta sexta-feira (8) foi comemorado mais um Dia Internacional da Mulher. Para celebrar a data que faz parte do calendário internacional, a Gazeta vai falar um pouco mais sobre empoderamento feminino, um tema que está cada vez mais ganhando espaço na sociedade.

Em uma definição clara, empoderamento feminino aparece como sendo o ato de conceder o poder de participação social às mulheres, garantindo que elas possam estar cientes sobre a luta pelos seus direitos, sendo que um exemplo clássico é busca pela total igualdade entre os gêneros.

No entanto, o tema vai muito além e permite que muitas mulheres deixem de ocupar posições de fraqueza e desprezo, tanto na sociedade quanto no ambiente familiar, onde muitas das vezes elas não são ouvidas e respeitadas, se tornando assim vítimas de violências físicas e psicológicas.

E ao contrário do que muita gente possa pensar empoderamento feminino não faz uma mulher deixar de ser mulher, ou seja, ela não abandona a sua essência de beleza e delicadeza. Ela apenas soma tudo isso a sua força.

QUEBRA DE PADRÕES

Mulheres fortes reconhecem a violência contra elas

O tema empoderamento feminino sempre foi um assunto abordado e defendido no Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) de Mogi Guaçu. Para a secretária do grupo, Samatha Lodi, o ato tem a ver com a autoestima da mulher. “Entendemos que esse poder está ligado à conquista de direitos e a força de mudar a relação que a sociedade tem com a mulher, combatendo preconceitos, rótulos e até padrões mediáticos”. Samantha explicou que em muitos casos a mulher foi criada para aceitar uma situação desigual em relação ao homem como se isso fosse algo natural que a impedisse de construir sua vida social. “Ao se empoderar a mulher quebra essa pseudo naturalidade e luta para que a sociedade enfim cumpra na prática o que já temos na lei”.

Conselho Mulher
Conselho Mulher

As integrantes do Conselho falaram que o empoderamento feminino ajuda no combate a violência desenfreada que vem sendo cometida contra as mulheres que são todos os dias vitimadas por conta do gênero. Um exemplo clássico citado por Samantha foi com relação às roupas escolhidas pelas mulheres. “A sociedade critica um short curto, se julga no direito de falar que aquela mulher está pedindo para ser vítima e que a violência recebida foi merecida, enquanto isso, o agressor vai embora e nada acontece”.

Com isso, a presidente do Conselho, Lamira Oliveira, enfatizou a importância do empoderamento feminino. “Se uma mulher empoderada for alvo de uma violência, ela vai ter a consciência de que foi vítima e não culpada de uma situação. E isso a faz ir atrás de seus direitos, fazendo, por exemplo, denúncias na polícia”. As integrantes do Conselho Roseli Francato, Fernanda Jacques, Roseli Pereira e Odete Barata complementaram o tema compartilhando do mesmo ponto de vista que as levam a crer que a falta de empoderamento cega uma mulher. “A mulher passa a não reconhecer a violência contra ela porque ela sempre acha que é culpada por aquilo”.

Por isso, para o grupo, a conscientização deste empoderamento deve ser feita para fazer com que as mulheres se interessem por seus direitos, indo atrás de conhecer as leis e se tornarem vistas como muitas outras que sempre aparecem para fazer questionamentos e cobrar providências, principalmente no mundo da polícia. Como ponto de alerta, as integrantes do CMDM ressaltaram que o empoderamento ganha sentido quando existe sororidade, ou seja, uma aliança entre as mulheres. “Não basta se empoderar, mas é preciso se unir, se ajudar. Infelizmente, a imagem que é passada nas redes sociais dá a falsa impressão de que todas as mulheres são ativas, mas isso nem sempre é verdade, já que muitas vão contra seus direitos ou têm medo da palavra feminismo. Mas nesse mês da Mulher queremos que todas acreditem na força que têm porque isso pode mudar o mundo”.

multi dia da mulherO PODER DA BELEZA

Valorização também desperta empoderamento feminino

Vestidos deslumbrantes, maquiagem, cabelo e unhas feitas deram lugar ao uniforme usado no dia a dia por sete mulheres na faixa etária dos 50 anos que trabalham na equipe de limpeza do Senac de Mogi Guaçu. Em um momento inesquecível, as funcionárias da unidade foram protagonistas de um ensaio fotográfico que teve como objetivo mostrar a beleza que estava escondida na rotina de trabalho. O projeto pensado para o Dia Internacional da Mulher foi idealizado pelos docentes Gilmara Costa Reis, Nayara Fadel e Lucas Belinato. As fotos tiradas pelo fotógrafo Àngel Castellanos revelam que a vaidade é um ponto do universo feminino que também contribuí e muito para o empoderamento feminino. “Em momento algum essas mulheres que fazem parte do nosso processo educacional foram colocadas em evidência. A gente entende que faz parte da função, mas o uniforme padrão as tornava invisíveis, não sendo possível enxergar o verdadeiro potencial de cada uma”, explicou Nayara que é professora e consultora da área de moda.

Gilmara, docente em desenvolvimento social, relatou a transformação causada pela ação. “No dia seguinte ao ensaio foi possível ver que a forma que elas estavam cumprimentando as pessoas já era bem diferente, estavam mais confiantes e isso é mais uma prova de que assim como o sucesso profissional, por exemplo, a valorização da beleza também empodera uma mulher”. No entanto, as docentes ressaltaram que cada mulher deve escolher a sua vaidade de acordo com aquilo que a faz bem. “O empoderamento é exatamente isso, a mulher se permitir ser o que é deixando de pensar apenas no marido, nos filhos e nas pessoas que a cercam. É querer estar bem independente do que a sociedade pede”.

multi dia da mulherCom isso, Nayara e Gilmara disseram que a figura feminina ainda precisa ganhar mais espaço e mais voz para enfrentar com igualdade seus desafios. “A violência física pode ser o principal desafio do momento, mas também somos vítimas de ataques psicológicos, somos acusadas quando estamos em posição de poder. Por isso, precisamos cada vez mais expor nossas vontades próprias e sair de uma condição de opressão”.

Felizes com o resultado do projeto, as docentes acreditam que as mulheres da equipe de limpeza nunca mais serão as mesmas. “Elas se lembraram do valor que elas sempre tiveram e nós esperamos que essa iniciativa alcance e desperte outras pessoas”. O público que tiver interesse em ver de perto as fotos do ensaio especial para o Dia Internacional da Mulher basta comparecer na sala de moda do Senac de Mogi Guaçu durante todo o mês de março sempre a partir das 15 horas. A entrada é gratuita.

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