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Em prol do próximo: trabalho voluntário é um dom

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Qualquer tipo de trabalho voluntário deve ser executado sem se esperar nada em troca, e quando o trabalho abraça uma causa social esse lema quebra ainda mais barreiras. A pessoa voluntária dedica além de seus dons, seu tempo e seu carinho para pessoas muitas das vezes desconhecidas e carentes de sentimentos e de condições físicas.

Dentro do trabalho voluntário existem muitas vertentes como o altruísmo que é um tipo de comportamento encontrado em seres humanos que buscam beneficiar os outros, e também o trabalho missionário que segue a mesma linha, mas com um apoio religioso.

Não importante com qual motivação ou por meio de qual caminho, o que é fato é que muitas pessoas precisam de ajuda e é exatamente isso que um jovem guaçuano, que mora na Europa, está fazendo em um país da África, confira essa experiência de solidariedade e gratidão.

EM MISSÃO

Guaçuano realiza trabalho voluntário em Guiné Bissau

O guaçuano Paulo Ricardo Marques Machado, 31, tem uma história de sonhos e superação. Atualmente, ele está em Guiné Bissau em um trabalho missionário e voluntário realizado em aldeias e no orfanato Bambaran que atende bebês, crianças, adolescentes e deficientes físicos. O país, localizado no continente africano, integra a triste lista das 10 nações mais pobres do mundo, onde a população não tem condições básicas como eletricidade, água, escola e hospital, por exemplo. “As crianças morrem de fome por não ter condições financeiras de comprar alimento”, relatou Machado à Gazeta.

Paulo Ricardo tem trabalho com crianças
Paulo Ricardo tem trabalhado com crianças

O jovem ingressou na viagem missionária graças ao trabalho que já realiza na Irlanda, atual país em que reside. “Eu trabalho com uma comunidade católica brasileira na Irlanda, ajudo na coordenação da comunidade”.

Foi através deste trabalho que o guaçuano encontrou a oportunidade de viver sua primeira experiência em um país de extrema pobreza. “Sempre tive vontade de conhecer a África e ajudar o povo de alguma forma, então, este ano decidi que iria concretizar este sonho. Comecei indo para Cabo Verde, onde fiquei dois meses e hoje estou em Guiné Bissau”, contou.

Inserido em um cotidiano de sofrimento, uma das missões de Machado é conseguir levantar uma verba por meio de uma vaquinha online. O dinheiro arrecadado será utilizado para melhorias básicas do orfanato Bambaran como aquisição de ventiladores, iluminação, material escolar e de higiene pessoal, além de roupas e alimentos. A campanha criada pelo guaçuano está disponível no link www.vakinha.com.br, basta digitar o nome do orfanato e fazer uma doação de qualquer valor. A arrecadação vai até o último dia deste ano. Fora isto, o jovem tem uma rotina de doação ao próximo, como cuidar das crianças e dos adolescentes desenvolvendo atividades educacionais e que oferecem muito carinho na escola e no jardim escolar. Além disso, ele auxilia nas trocas de fraudas e no reforço escolar.

multi trabalho missionario paulo ricardo

Da experiência missionária, Machado pontua que ele tem aprendido a enxergar a vida de outra maneira. “Hoje eu consigo valorizar o ser humano de uma forma diferente. Agora, realmente sei que devemos amar e respeitar o próximo”.

E no país Guiné Bissau ao que tudo indica respeito é realmente a palavra de ordem. Isso porque, apesar de serem bastante ajudados por muitas comunidades católicas e protestantes, a maioria da nação é muçulmana ou pertence a religiões tradicionais africanas. “Somente 10% são cristãos. Aqui eu aprendi a valorizar a cultura de cada pessoa, sua forma de agir e de pensar”. Quanto à escassez, o guaçuano diz estar cada vez mais aprendendo que se pode ser feliz com pouco. E o que faz tudo valer à pena, é a alegria única que o povo de Guiné Bissau carrega no peito. “Eles carregam a esperança de um país melhor e mesmo no meio de tanta pobreza eles conseguem manter a cultura deles valorizando suas músicas e danças”, ressaltou.

multi trabalho missionario paulo ricardo

GRATIDÃO

De família simples, jovem também recebeu ajuda na infância

Machado reforça que está vivendo uma experiência única e de forma inevitável se diz ser a prova viva de que uma mão estendida tem o poder de mudar o destino de uma pessoa. O jovem conta que nasceu em uma família simples e pobre de Mogi Guaçu, no bairro Santa Terezinha. “Eu não tinha condições realmente de estar onde estou hoje”. Na escola do bairro onde estudou, no Caic (Centro de Atendimento Integral à Criança) e na igreja, o jovem começou a ter uma perspectiva de vida melhor. “Eu participava de atividades extras na escola e fazia trabalhos sociais na igreja, em seguida consegui um trabalho em um supermercado que me deu a chance de ir para a faculdade”, recordou. 

multi trabalho missionario paulo ricardoDurante os estudos do ensino superior, surgiu uma nova oportunidade profissional em uma empresa na área de recursos. “Nesta nova etapa eu comecei a juntar dinheiro para fazer um intercâmbio”. E assim, o guaçuano foi para Irlanda com o objetivo de estudar inglês. No entanto, ele gostou tanto do país que resolveu ficar por lá mesmo, tanto que seis anos já se passaram. “Na Irlanda eu tenho meu trabalho na área de supervisor em uma rede de um restaurante italiano”.

E no país europeu, o jovem deu continuidade nos trabalhos sociais na comunidade católica, local que surgiu a oportunidade dele ir à África ao trabalho missionário. Para ele, poder estar ajudando crianças é a realização de um sonho. “Hoje eu estar ajudando as crianças da mesma forma que um dia eu fui ajudado é a realização de um sonho, só tenho que agradecer”.

Em Mogi Guaçu, além dos serviços sociais na igreja, o jovem costumava a ajudar outras Ongs (Organizações Não Governamentais). Com isso, ele deixa uma mensagem de que para ajudar o próximo não é preciso ir tão longe. “Eu posso ajudar o próximo na minha cidade, escola, igreja, ajudando um cego na rua, o importante é que todos se enxerguem”.

multi trabalho missionario paulo ricardo

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