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Eloísa: desde o nascimento, ela vence batalhas!

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Antes de completar o primeiro ano de vida, Eloísa, 2 anos, tinha passado por duas cirurgias. A primeira para fazer uma colostomia e a segunda para reconstrução do ânus. A pequena nasceu com má formação nos membros superiores e inferiores: sem as mãos, sem uma perna e a outra perna sem o pé.

Eloísa tem ainda agenesia dentária na arcada inferior, ou seja, ausência dos dentes. Transformar a história de vida desta pequena é o desejo da família e dos amigos. Todos querem vê-la andar, alimentar-se sozinha, enfim, ter uma rotina mais próxima possível do normal.

Multi Campanha Eloisa“Princesa Eloísa” é o nome da página criada em uma rede social (Facebook), para contar os detalhes desta batalha. Outra finalidade é encontrar súditos para contribuírem com a princesa. Afinal, ela precisa conquistar suas próteses e assim começar a ensaiar os primeiros passinhos.

Mas se Eloísa é uma princesa, ela nasceu de uma rainha: Eliane Rocca Rovaron, 35 anos. E, é claro, tem um rei, o pai Reinaldo de Lima Rovaron, 37 anos. E ainda é preciso falar da irmã Ellen, 14 anos, outra princesa. E, aliás, se comportou como tal quando soube que receberia uma irmã com má formação: “Mamãe, nós vamos amá-la do mesmo jeito”. Estas foram palavras da criança de 12 anos quando pai e mãe acharam que o castelo iria desmoronar!

PRIMEIROS PASSOS

Próteses foram orçadas em R$ 23 mil

Um almoço para arrecadar recursos para a compra das primeiras próteses (perna e pés) para Eloísa será realizado dia 22 de maio, no salão de festas Arlequim. O cardápio e o valor dos convites estão sendo definidos, mas há outras maneiras de ajudar a pequena princesa. Durante o almoço será realizado bingo com produtos doados para esta finalidade. Quem puder e quiser colaborar pode manter contato pela página na rede social ou ainda pelos telefones 9.9844-0015 (Eliane) ou 9.9217-9969 (Ana Maria). “Tudo o que for doado, tudo o que eu conseguir para a Eloísa vai ser registrado e divulgado. As pessoas vão poder dizer: eu ajudei esta menina a andar”, frisa a mãe, Eliane.

Ela diz que esta luta nunca foi fácil, mas sempre contou com pessoas de bom coração que a ajudaram em todos os momentos, especialmente os amigos do local de trabalho. Servidora pública municipal, Eliane é cedida ao Fórum, onde trabalha como auxiliar de serviços gerais. Este mês, por exemplo, uma cesta com ovo de chocolate de dois quilos e muitas outras guloseimas será rifada em prol da pequena.

Multi Campanha Eloisa filha e Eliane mãe Reinaldo paiAfinal, os pais sabem que não será fácil chegar à soma de R$ 23 mil. A renda da família é de pouco mais de R$ 3 mil. O pai é prestador de serviço em uma empresa do ramo de telefonia. Um financiamento seria inviável porque não conseguiriam pagar em menos de três anos, tempo que levará para que Eloísa precise de novas próteses. Isso sem contar com os ajustes que precisam ser feitos e as demais necessidades da criança. “O pezinho tem que ser trocado à medida que ela for crescendo, o mesmo acontecendo com a perna”, pontua a mãe.

Eloísa está na fila de espera da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). Até o ano passado, era assistida pela Unidade de Reabilitação “Lucy Montoro”, em Mogi Mirim. “Fui surpreendida porque me chamaram e disseram que Eloísa estava de alta”, conta sem esconder que ficou inconformada. Isto porque, sem atendimento especializado, a pequena não tem acesso ao terapeuta ocupacional, fonoaudióloga, psicóloga, entre outros. Pelo convênio médico, para alguns destes procedimentos, a carência é de dois anos, conforme a Unimed Regional da Baixa Mogiana informou à família.

Multi Campanha Eloisa com pai Reinaldo

1,5 MIL SEGUIDORES

Página na rede social foi criada quando Eloísa fez dois anos

Contar a história de Eloísa e, é claro, tudo o que a família passou desde a notícia de que teria uma criança com má formação é proposta da comunidade “Princesa Eloísa”. A página foi criada no dia em que a pequena completou dois anos: 14 de fevereiro de 2016. E, apesar de recente, já soma mais de 1,5 mil seguidores.

Aos poucos, Eliane escreve sobre o que passou desde o exame de ultrassonografia, com 23 semanas de gestação, quando a má formação foi constatada. “Estava tão feliz esse dia, não via a hora de dar cinco horas para eu ir ver minha Elô na tela daquele computador! Entrei mega feliz naquele hospital e saí praticamente carregada!”, traz um trecho do relato.

Multi Campanha Eloisa

Os primeiros dias após a notícia foram de choro, angústia e medo de como tudo seria. Eliane não conseguiu retornar ao trabalho. Chegou o mês de dezembro e ela ainda não havia providenciado o enxoval de Eloísa. Foi quando decidiu ir às compras. “Voltei da loja com o coração mais uma vez quebrado. As vendedoras não sabiam dela (Eloísa) e me ofereciam sapatinhos, meias, luvinhas… doeu tanto, que larguei o que já tinha pegado e sai chorando!”, relatou.

Multi Campanha EloisaPassada esta etapa, Eliane conseguiu fazer o enxoval, chá de bebê e fortalecer-se para o parto. Eloísa nasceu de parto cesárea na Santa Casa de Mogi Guaçu. Foi quando a família recebeu a notícia de que a filha havia nascido sem o ânus (má formação anorretal) e que precisaria passar por cirurgia dentro de 48 horas. O procedimento foi feito na Maternidade de Campinas para onde Elô seguiu sem a mãe que permaneceu internada. A cirurgia foi um sucesso e Eloísa fez a colostomia (abertura para criar um ânus artificial). Foram 11 dias na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).

 eloisa

AOS SEIS MESES

A cirurgia para reconstrução do ânus aconteceu quando a bebê completou seis meses. Desta vez, o procedimento foi realizado no Hospital das Clínicas da Unicamp. Foram duas horas e meia de cirurgia. Dois meses depois, a colostomia foi fechada. Atualmente, Eloísa já evacua, mas com a ajuda de medicamentos. Aos poucos, a dose será reduzida. “Os médicos explicaram que é uma questão fisiológica, que o intestino vai entender que precisa funcionar e fará suas funções”, conta Eliane.

Passada estas etapas, a mãe voltou ao trabalho e a pequena foi para a creche. A mãe conta que a filha se arrasta com o bumbum e tem ótima interação com as demais crianças, apesar de não conseguir acompanhá-las, ou seja, andar. “Mas ela vai andar”, afirma demonstrando muita fé e fortalecimento.“Não me sentia feliz há muito tempo”, desabafa a dona do castelo

Eloísa na creche
Eloísa na creche

 

 

 

 

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