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Editorial: O homem das 30 mil moradias

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Com o sorteio das 1.400 casas do Residencial Ypê Amarelo, realizado no último sábado (26), Walter Caveanha (PTB) consolida-se de vez como o prefeito das moradias populares. Caveanha nunca escondeu que esse sempre foi um dos pilares de suas gestões frente à Prefeitura e ainda que fosse criticado por opositores pela sede de colocar em pé milhares de casas para famílias de renda reduzida, Caveanha não esmoreceu ao longo dos quase 20 anos em que comanda a cidade e segue com o programa de moradias populares a todo vapor, contando com recursos do Governo do Estado e/ou Governo Federal.

Com as obras do Ypê Amarelo, que só devem ficar prontas em 2016, Walter Caveanha atinge a importante marca de 30 mil moradias entregues em seus quatro mandatos e dá sinais de que não pretende parar por aí. Contudo, os anos de experiência na gestão da cidade e exemplos mal sucedidos de conjuntos habitacionais populares já entregues à população, pode fazer com que o prefeito seja mais cauteloso nesse processo.

Com uma população mais conhecedora de seus direitos e por conseguinte mais exigente, Walter Caveanha sabe que apenas a entrega de moradias não será suficiente para atender aos anseios desse público. Precisará dispor de toda infraestrutura para as famílias que farão parte do residencial e terá que fazê-lo em tempos de crise, sem saber com certeza se receberá ajuda de fora. E se não o fizer, a euforia de agora com o nome retirado das urnas para obter a casa virará frustração por residir em um conjunto habitacional que não dispõe de atendimentos básicos.

Outro dissabor que o prefeito deve enfrentar nos próximos dias é a decepção de quem, mais uma vez, ficou de fora da lista de contemplados. O formato de sorteio das casas – que vem sendo elogiado pela transparência que vai desde a colocação dos nomes nas urnas com registro em vídeo até o sorteio com a presença dos inscritos – pode até ser mais claro para os participantes, mas não o mais justo no entendimento daqueles que já estão há décadas na lista de espera por uma residência na cidade. Cidadãos que, mesmo atendendo às rigorosas exigências da Caixa Econômia Federal, não têm tido destaque no fator sorte e seguem à espera do próximo programa de moradia popular.

A depender da vontade de Walter Caveanha eles chegarão e não tardarão. Com isso, o prefeito não apenas contempla quem precisa do benefício como tende a garantir uma importante área de atuação política, tal qual realizou com os Ypês em décadas passadas. Hoje, contudo, sua tarefa em destinar as moradias é só o começo. O que vem depois é tão importante quanto e corre o risco de ser mais custoso que o próprio projeto habitacional, já que após a conclusão das casas pela construtora, o processo de seleção e a chancela da Caixa Econômica Federal, a responsabilidade passa a ser tão somente da Prefeitura, sobre quem também recairão as cobranças de quem já tem uma casa, mas que quer o direito de viver bem e em sociedade.

 

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