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Editorial: Vigilantes contra o ódio

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Até que ponto a exposição de notícias de um ambiente violento e hostil, ainda que seja por meio de games, pode influenciar o comportamento de jovens? Essa é uma pergunta que costuma colocar em xeque vários especialistas e servir como argumento para discursos inflamados, principalmente nas redes sociais. O episódio envolvendo um jovem de 18 anos, aluno da Escola Estadual Luiz Martini, dias depois da tragédia de Suzano que vitimou 10 pessoas, entre elas, os dois atiradores, gerou um clima quase que de histeria nessa segunda-feira (18) entre aqueles que tomavam conhecimento do fato, a maioria por meio de versões distorcidas que se propagavam na internet na velocidade já conhecida em se tratando de tragédias. Ainda que o objetivo do estudante guaçuano, que vai responder por apologia ao crime, fosse só chamar a atenção das pessoas a sua volta, atualmente não se pode negligenciar uma denúncia desse tipo que traz não apenas elementos que parecem reproduzir a barbárie que se viu na escola de Suzano – ainda que sejam simulacros de armas -, mas características de um adolescente com conflitos familiares, problemas de relacionamento e até pensamentos suicidas.                                                 

Nunca se viu tanta violência exposta na televisão e na internet como nos dias atuais. Dada a enormidade de tempo que crianças e adolescentes de várias classes sociais passam diante delas, é lógico o interesse pelas consequências dessa exposição. Até que ponto a banalização de atos violentos, exibidos nas residências país afora, diariamente, dos games, discursos de ódio aos programas de “mundo-cão”, contribui para a escalada da violência urbana ainda é uma questão a ser estudada, mas negar a existência desse clima negativo é, no mínimo, perigoso.  Não falta literatura médica sobre isso e a maioria demonstra existência de relações claras entre a exposição à violência exibida pela mídia e o desenvolvimento de comportamento agressivo.           

Apesar de estar caracterizada a relação de causa e efeito, o fiel dessa balança terá de ser sempre a estrutura familiar. Somente por meio dela será possível atentar-se aos primeiros desvios de conduta e influências negativas, que hoje nem sempre estão nos becos e ruas ermas. O inimigo atua bem mais próximo, a qualquer momento e, por vezes, em tempo real, na internet. Não é uma competição justa com o núcleo familiar, ao qual cabe fazer a parte mais difícil, que é impor regras, dizer nãos, defender padrões de comportamento e reaproximar filhos que se sentem rejeitados. Mas imaginar que um jovem possa, no mínimo, ter pensamentos assassinos ou queira propagar essa ideia de ódio no ambiente escolar, nem por brincadeira de mau gosto pode ser aceita. Pais e escolas precisam ser vigilantes em tempos em que a hostilidade e o discurso de ódio são muito mais aceitos do que os bons exemplos que perdem espaço para a tragédia da vez.   

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