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Editorial: Uma oportunidade para a retomada

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Com a proximidade do período natalino, os comerciantes começam a sonhar com dias melhores. Depois de sucessivos anos sem o crescimento almejado não é prudente ter grandes expectativas, mas o Natal costuma ser a mola propulsora para aqueles que desejam gastar um pouco mais em tempos de contenção, portanto, vale uma dose de otimismo.

O problema é que mesmo aqueles que desejam arriscar-se um pouco mais nas compras do importado “Black Friday” ou mesmo para presentear familiares e amigos neste fim de ano esbarram em um problema de característica nacional e de proporção internacional: a inadimplência. No meio do ano, segundo a Serasa Experian, o Brasil tinha mais de 61 milhões de inadimplentes. É como se uma Itália inteira estivesse com suas contas sem a devida quitação.

Números assustadores, mas compreensíveis diante de uma desaceleração da economia, insegurança política, juros exorbitantes e falta de investimentos internos e externos. Surfando na onda otimista de Jair Bolsonaro, presidente eleito, há quem aposte que os números podem começar a apresentar sinais de reversão. Em outubro, houve discreta melhora e o percentual de inadimplentes, ou seja, de pessoas com dívidas e contas em atraso chegou a 23,5% no país, taxa inferior aos 23,8% do mês anterior e aos 26% de outubro do ano passado. O dado foi divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O cartão de crédito foi apontado em primeiro lugar como um dos principais tipos de dívida das famílias endividadas, seguido por carnês e financiamento de carro. Mas não há tempo para esperar mais uma pesquisa ou mesmo a passagem de outro período considerado fundamental para o comércio. Ações como a adotada pela ACIMG (Associação Comercial e Industrial de Mogi Guaçu) facilitam o retorno do consumidor às compras e ajudam a movimentar a economia do município. São mais de 43 mil inadimplentes que podem se beneficiar de descontos nos juros e multas para pagamento de suas dívidas.

Ainda que uma pequena parte dos R$ 24,8 milhões retorne à economia do município já será um ganho em tempos não apenas de crise, mas de total estagnação dos investimentos na maioria dos setores. Também é hora dos empresários e comerciantes assimilarem mais um golpe por parte daqueles que dificilmente conseguirão quitar suas dívidas e baixar a guarda para que os inadimplentes voltem a consumir, sob o compromisso de, agora, sob um novo cenário que se espera com a equipe financeira de Paulo Guedes, futuro ministro da Fazenda, também cumpram com suas obrigações e honrem seus compromissos assumidos. Todos já perderam, e muito, com essa política econômica cruel e interessante apenas para grandes instituições financeiras do país.

Abrir mão agora do que já deveria ser daqueles que prestaram o serviço e não receberam é mais um gesto de confiança e altruísmo – talvez o derradeiro – a fim de buscar um horizonte melhor onde todos possam comemorar as festas natalinas sem a ressaca amarga de iniciar mais um ano com contas impagáveis e sem quaisquer perspectivas de quitar suas dívidas. 

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