Home»Editorial»Editorial: Tristes estatísticas

Editorial: Tristes estatísticas

0
Compartilhamentos
Pinterest Google+

Doze mulheres são assassinadas todos os dias, em média, no Brasil. É o que mostra um levantamento considerando os dados oficiais dos estados relativos a 2017. São 4.473 homicídios dolosos, sendo 946 feminicídios, ou seja, casos de mulheres mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. Trata-se de um aumento de 6,5% em relação a 2016, quando foram registrados 4.201 homicídios, sendo 812 feminicídios. Isso sem contar o fato de alguns estados ainda não terem fechado os dados do ano passado, o que pode aumentar ainda mais a estatística.

O caso mais recente de feminicídio foi registrado em Itapira, no último domingo (21), quando Ana Regina Franco da Silva foi assassinada pelo companheiro Jefferson Guiterrez Fossa a facadas. O autor do feminicídio faleceu na quarta-feira (24), no hospital de Itapira, após atingir o próprio pescoço. Já na terça-feira (23), em Mogi Guaçu, Adriana Maria Braga, sofreu uma tentativa de feminicídio no Jardim Bandeirantes. Ela foi atingida por três tiros disparados pelo ex-marido Benedito Edson Moreira. Os dois seguem internados na Santa Casa, conforme trás a matéria da repórter Roberta Lopes nesta edição.

Os dados recentes expõem não apenas uma preocupante escalada na violência contra as mulheres. Eles mostram também uma patente subnotificação nos casos de feminicídio- o que os próprios estados admitem. Três anos após a sanção da Lei do Feminicídio, três estados ainda não contabilizam os números e ouros possuem apenas dados parciais.

Desde 9 de março de 2015, a legislação prevê penalidade mais graves para homicídios que se encaixam na definição de feminicídio, ou seja, que envolvam “violência doméstica e familiar/e ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher”. Os casos mais comuns desses assassinatos ocorrem por motivos de separação.

Pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Público, onde os dados foram analisados, avaliam que os operadores do sistema de justiça criminal precisam olhar a morte de mulheres e saberem quando registrá-las como feminicídios, em um processo que não é apenas técnico, mas também cultural, já que a morte de mulher é de certa forma naturalizada e as violências contra elas no cotidiano são aceitas e reproduzidas.

Segundo especialistas, o crime de feminicídio costuma ser o fim de um longo ciclo de violência sofrido pela mulher. Por isso, a importância de se realizar um trabalho mais próximo da polícia com essas vítimas. Além disso, faz-se necessária a divulgação da Lei do Feminicídio e de dados de violência contra a mulher para que aumente a consciência coletiva sobre a importância em denunciar os agressores.

A OMS faz recomendações ao combate do feminicídio. Como a questão é cultural, inserir diretrizes que modifiquem o pensamento machista, além de capacitar e sensibilizar profissionais da saúde e policiais seria formas de dar alarde à questão, buscando mecanismos que tragam segurança a vítima no momento da denúncia.

Ainda há muito que ser feito e estados e municípios deveriam andar juntos nesta questão para o desenvolvimento de ações que minimizem a dor e o sofrimento dessas vítimas e ajudem na diminuição desta triste estatística.

Post anterior

Dia do Livro: Leitura traz conhecimento e imaginação

Próximo post

VE registra casos importados de chikungunya e febre amarela