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Editorial: Sem dinheiro, sem servidor

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Um terço das Prefeituras brasileiras vai terminar o ano no vermelho. Em crise financeira, as cidades estão com dificuldade para pagar fornecedores, para dar continuidade a serviços e obras e até mesmo para quitar em dia as folhas de pagamento. Muitas delas já estão fazendo os cálculos para poder quitar o 13º salário dos servidores, segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

O presidente da CNM, Glademir Aroldi, revelou recentemente que os prefeitos estão cortando despesas de custeio, reduzindo o número de funcionários e cargos comissionados, além de enxugar a frota e mudar o horário de expediente. Com o expediente mais curto, as Prefeituras conseguem economia de energia elétrica, combustível, telefone e horas extras.

E é justamente o que vem sendo feito pela equipe do prefeito Walter Caveanha (PTB). Ainda que a folha de pagamento esteja em dia, assim como os fornecedores, segundo o secretário da Fazenda, Roberto Simoni, a situação financeira do município preocupa. Nos últimos meses desse ano é esperada menor arrecadação, mas as contas continuam. Um reflexo da não contratação de pessoal já está sendo sentido em alguns setores da Administração Municipal, principalmente na Secretaria de Saúde. Há cerca de um mês, o setor de transporte, onde os pacientes fazem os agendamentos para outros municípios, teve o expediente reduzido por conta da falta de servidores. Nesta semana, as reclamações sobre o fechamento mais cedo ou até mesmo o não funcionamento da farmácia da UPA começaram a chegar aos vereadores e também à imprensa.

Os vereadores oposicionistas Fábio Aparecido Luduvirge Fileti (PSDB), Natalino Tony Silva (Rede), Guilherme de Sousa Campos, o Guilherme da Farmácia (PSD) e o presidente da Câmara, Rodrigo Falsetti (PTB), foram buscar informações diretamente com a secretária de Saúde, Clara Alice Franco de Almeida Carvalho, a fim de tentar entender o que está acontecendo.  Mas ela não estava na cidade ontem (18) e uma reunião foi agendada para a próxima segunda-feira (21). Porém, a secretária já havia comentado  durante a última audiência da sua Pasta que falta servidor e que não há recursos para contratações.

O fato é que já faz tempo que o prefeito vem dizendo que a folha de pagamento já está no limite tido como prudencial e, por isso, não consegue nem mesmo conceder reajuste maior para o funcionalismo, além, claro, da própria questão financeira. Os muitos servidores que estão aposentando, se afastando ou até mesmo de férias não estão sendo substituídos. E esse problema não afeta apenas a Secretaria de Saúde. Outras também estão tendo que fazer um planejamento mais detalhado, a fim de não deixar a população sem atendimento.

A Prefeitura tem uma difícil missão pela frente. Não trata-se de apenas conseguir economizar para fechar as contas no azul e manter os pagamentos em dia. Mas, sim, de não deixar o munícipe sem atendimento. Como é possível manter farmácia fechada? Qual medida será tomada para reverter essa situação?

Por enquanto, a equipe de Walter Caveanha não se manifestou oficialmente sobre a questão nem mesmo decreto foi publicado sobre a redução de expediente de Secretarias Municipais para conter gastos, como tem feito diversos municípios. Espera-se que o problema seja de fácil resolução e que as reclamações recentes sejam pontuais e resolvidas o quanto antes. E as medidas que forem necessárias que sejam tomadas da forma mais transparente possível e sem mentiras.

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