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Editorial: Saco sem fundo, mas prioritário

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A saúde é o tema que se sobressai em qualquer lista que enumere as maiores preocupações a importunar o sonho dos brasileiros. Encabeçou os rankings elaborados a partir de pesquisas de opinião com amostras generosas da população, divulgados nacionalmente às vésperas dos dois turnos das eleições de 2018. Não era exatamente um resultado surpreendente, mas serviu de termômetro para a classe política, que utilizou o tema em seus programas e promessas. Porém, passados 10 meses dos novos governos, as notícias sobre os investimentos feitos pelas esferas Estadual e Federal não são nada animadoras. Verbas e programas estão sendo cortados e as previsões não são nada otimistas.

A saúde é segmento da Administração Pública por natureza instável, dada a complexidade da realidade em que atua. Enfrentam-se, cotidianamente, problemas inadiáveis, com impacto direto e, por vezes, radicalmente transformador na vida das pessoas. E o reflexo de que o investimento feito não é suficiente atinge em cheio os municípios, conforme relatou a secretária municipal de Saúde de Mogi Guaçu, Clara Alice Franco de Almeida Carvalho, nesta semana, em audiência pública. O município investiu mais de 38% na área da Saúde e, mesmo assim, têm sido insuficientes para cobrir todas as áreas e atender todas as demandas. A preocupação da secretária é evidente diante de um cenário nada otimista para os próximos meses. Faltam médicos, verbas e equipamentos. Na outra ponta estão os usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) que sofrem pela falta de atendimento, pela falta do remédio, pela falta de uma cirurgia ou de exame.

A falta de recursos, apesar de uma situação preocupante, não pode ser usada como justificativa para o não cumprimento dos atendimentos ou, então, pelo não acompanhamento de mais de perto da carga horária feita, principalmente, pelos médicos. Esses profissionais estão cada vez mais escassos no serviço público e justamente por esse motivo precisam ser cobrados pelos serviço contratados. A secretária de Saúde tem uma dura missão até dezembro do próximo ano, quando termina o mandato do governo atual. Apesar de ter tido bons resultados no comando da principal Secretaria do município, ainda existem os problemas que precisam ser resolvidos ou pelo menos amenizados, como a previsão de faltar médicos nas unidades que ainda contam com os profissionais contratados pelo então Mais Médicos.

O que será feito a partir do próximo ano é um planejamento que precisa ser repensado e definido desde já. A futura faculdade de medicina na Faculdade Municipal “Professor Franco Montoro” ainda vai demorar para contribuir com os estagiários atuando no serviço público e depois de formados, quem sabe, continuar na cidade e prestar serviços ao município. É uma incógnita, que só o tempo trará algumas respostas.

O Brasil instituiu o SUS há três décadas e por meio dele deveria ser assegurado à população o direito à saúde universal e gratuita. Para esse ano, a aplicação prevista pelo Governo Federal na área da Saúde girava em torno de R$ 122,60 bilhões e não serão suficientes para atender toda a demanda prevista.

A responsabilidade é igualmente imensa, dada a necessidade de os entes federativos manterem uma rede composta por centros e postos de saúde, hospitais, laboratórios, hemocentros; serviços de vigilância sanitária, epidemiológica, ambiental; além de fundações e institutos de pesquisa acadêmica e científica. Anseios expressados pela população, em diversos canais, a respeito da oferta e da qualidade dos serviços de saúde devem ser ouvidos com atenção. A área não pode se prestar a mote de discursos carentes de concretude e jogos políticos. É imperativo buscar gestões técnicas e eficientes, que otimizem, em prol de sua missão, o uso dos recursos disponíveis e, em contexto de crise, cada vez mais difíceis de assegurar.

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