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Editorial: Procura-se inquilinos

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O aluguel de imóveis sempre foi um excelente negócio para quem dispõe de espaços para esse tipo de atividade. Áreas consideradas privilegiadas, como o centro da cidade ou regiões de grande circulação de pessoas, costumavam gerar uma boa fonte de renda a locadores e o retorno desejado aos locatários que se predispunham a pagar valores altos para ter seus comércios ou serviços mais próximos do vai e vem de consumidores e do público-alvo. Hoje, contudo, a realidade é outra e perde-se de vista a quantidade de imóveis postos a alugar nos quatro cantos da cidade sem que haja o mesmo interesse de outros tempos. Certamente não é a localização que deixou de ser o atrativo para quem cobiça esses espaços para locação, mas o reflexo da crise político-econômica que atingiu o país e acertou em cheio o bolso dos empreendedores. Salvo raras exceções de grandes lojas de departamentos ou instituições financeiras, locar um imóvel de proporções no centro da cidade ou em áreas mais valorizadas tem se tornado cada vez mais raro e as placas de aluga-se ou passa-se o ponto já fazem parte do cartão postal de várias regiões do município.                 

As partes envolvidas parecem entrar em constante conflito, no qual os proprietários reivindicam aluguéis que podem chegar a R$ 12 mil em alguns casos, enquanto os locatários fazem as contas de quanto poderão despender com o compromisso mensal, geralmente nem perto desse valor. Há quem opte, inclusive, em deixar esses espaços fechados a aceitar uma redução nos valores diante do agravamento da crise econômica, diferente do que recomendam os corretores que atuam na área, já que com essa atitude todos perdem. E é justamente nesse cenário econômico, que combina recessão com inflação alta, que deve aflorar uma prática pouco comum em tempos de vacas gordas: as negociações entre inquilinos e proprietários para reduzir os preços dos aluguéis. Por sua vez, investimentos que atraiam o interesse do público para essas áreas e valorizem novamente as mesmas precisam ser feitos tanto pela Administração Municipal quanto por associações representativas. Imóveis fechados no centro ou em qualquer região não ajudam em nada na economia e desenham um cenário recessivo e pouco convidativo para quem deseja investir na cidade. Em tempos difíceis e de muitas ofertas, é preciso negociar valores e propor melhorias que estimulem a ocupação desses locais. Os locatários, por sua vez, precisam estar seguros de que estão fazendo a opção certa pelo imóvel e terão condições de arcar com os custos.                                        

O bom senso precisa prevalecer principalmente em tempos de crise para que todos possam ganhar – mesmo que progressivamente – ao invés de permanecer em um estado de estagnação em que o lucro é apenas uma lembrança de tempos antigos, sem previsão de retorno em curto prazo.

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