Home»Editorial»Editorial: Planejamento é dinheiro

Editorial: Planejamento é dinheiro

0
Shares
Pinterest WhatsApp

Sabe aquela expressão dinheiro indo para o ralo? Atualmente, a frase tem sido utilizada para expressar, principalmente, a preocupação com o dinheiro público. A falta de recursos financeiros para investimento em empreendimentos tem dominado o panorama do setor público. A situação é mais grave pelo grande número de obras paradas em todas as regiões do país. Em 2018, os investimentos em infraestrutura alcançaram 1,67% do PIB (Produto Interno Bruto), quando o recomendável gira em torno de 4%. São quase 14 mil obras paradas, segundo um levantamento do TCU (Tribunal de Contas da União).

Somente em Mogi Guaçu são pelo menos oito obras paradas, sendo quatro creches. Duas desde 2012 e outras duas que nem tiveram o alicerce construído. A Prefeitura culpa as construtoras pelo atraso ou porque abandonam o serviço ou porque param por falta de pagamento. Nesse caso, os recursos deixaram de ser enviados pelo Governo Federal desde a realização das eleições do ano passado, quando houve mudança de governo.

Em que pese o atraso no envio das verbas, a Administração Municipal precisa tomar frente desse grande problema que a cidade enfrenta. Do que adianta fazer dois financiamentos para que obras importantes sejam feitas no município, se construções básicas estão sendo deixadas. Básicos porque são obras simples que já poderiam estar beneficiando a população guaçuana. O secretário de Obras, Salvador Franceli, revelou que irá a Brasília na próxima semana em busca de informações sobre os repasses paralisados. Mas estamos em abril. Por que só agora?

Incomoda essa morosidade e apatia do Poder Público com relação às obras paradas ou que nem foram entregues, como o caso da Base Comunitária de Segurança do Jardim Fantinato. É preciso um planejamento rigoroso para o município, com princípio técnico robusto que sirva de instrumento para os próximos governos. O bom exemplo deveria ser deixado de legado de um governo para outro e não só dívida e uma lista enorme de obras paradas. O próprio corredor de ônibus poderia entrar nesta listagem, uma vez que as obras chegaram a ser iniciadas, mas foram interrompidas e, agora, é dada como certa por conta dos quase R$ 40 milhões conquistados por meio de financiamento. Não entra nesta semana os R$ 23 milhões emprestados para o Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto) que irá fazer novos investimentos, mas não consegue dar continuidade à reforma da ETA (Estação de Tratamento de Água), no Jardim Bela Vista.

O planejamento é uma ferramenta fundamental para a administração pública sistematizar suas políticas e ações para a expansão e operação da infraestrutura. Mas o que tem se visto são dirigentes pouco afeitos a um planejamento de longo prazo, que adotam decisões de afogadilho, com prazos irreais, utilizando processos de contratação que impossibilitam a aquisição de projetos básicos e executivos de engenharia que permitam uma caracterização adequada do empreendimento a ser construído. Os governantes precisam refletir sobre a lógica a ser seguida: planejar, projetar e executar. Quando o governo planeja, contribui para reduzir o desperdício de dinheiro público.

É hora de traçar novos rumos e investir corretamente em empreendimentos que permitam o desenvolvimento econômico e social da população. 

Previous post

Base: Rodada final define os campeões por categoria

Next post

CULTURA, 18 de abril de 2019