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Editorial: Para mostrar a que vieram

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Um novo processo eleitoral vai começar a se desenhar a partir desse domingo (7). Com a confirmação do segundo turno entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), os eleitores terão a missão de voltar às urnas daqui 20 dias para, enfim, escolher quem estará à frente de um país dividido, estagnado economicamente e totalmente desacreditado na maioria de sua classe política. Um país que dá uma força descomunal às redes sociais, capaz de criar Fake News a cada assunto de relevância, e que está sedento por discursos fortes e eloquentes de mudança, ainda que a maioria deles não faça nenhum sentido ou passe por cima de direitos e liberdades já conquistadas.                                                                          

Os eleitores de Mogi Guaçu deram seu recado nas urnas do que desejam, pelo menos no que se refere à Presidência da República: estão fechados com Bolsonaro, assim como a maioria das cidades do Estado, ainda que em muitos casos essa relação tenha mais a intenção de evitar a volta do PT ao poder ou reforçar uma posição ortodoxa que sempre esteve presente, mas que agora ganha vozes com as bandeiras levantadas, do que uma aposta no poder de governabilidade e solução dos problemas do candidato do PSL. Governabilidade esta que ambos os candidatos terão que mostrar desde já com sua capacidade de agregar outras siglas que serão o fiel da balança no dia 28. Os próximos dias deverão, para o bem do país, ser de conversas e até de explicações sobre temas e afirmações controversas que ficaram perdidas ou foram ofuscadas durante todo o período eleitoral. Tanto Bolsonaro quanto Haddad precisarão exercitar sua capacidade de diálogo com aqueles que até o momento eram vistos não como adversários políticos, mas como inimigos de batalha. Terão o termômetro de como seus oponentes os viram durante o 1º turno. E por mais que algumas alianças pareçam pouco atrativas, os eleitores que votaram nos candidatos derrotados à Presidência nesse último domingo estarão órfãos e podem ser uma contribuição importante para quem busca o Palácio do Planalto, sob pena de ocorrer uma enxurrada de votos nulos e brancos, maior ainda que neste 1º turno.                                                                                                           

O clima de guerra precisa cessar. Haverá, sim, uma disputa acirrada nesse 2º turno, mas o tom tem que deixar de ser de palavras de ordem e caminhar no campo das ideias. O Brasil não sairá da situação difícil que se encontra se metade dele torcer a favor e a outra metade remar contra o próximo presidente eleito. E o escolhido para o cargo precisa ter a sensibilidade de que não está a frente de um pelotão bélico, tampouco de uma seita que não reconhece seus erros e enaltece seu líder mor. Que a racionalidade e o bom senso faça parte do diário de cabeceira dos dois candidatos escolhidos pela população.

Em tempo: Mogi Guaçu, mais uma vez, criou um excelente balão de ensaio para as próximas eleições municipais. Expôs ou confirmou candidatos aos eleitores e enquanto alguns já sonham com vaga na Câmara, outros vêm a Prefeitura mais distante e há ainda os que estão sentindo o gosto amargo da derrota. Nada mudou. Apenas o impulso do trampolim foi dado para 2020.

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