Home»Editorial»Editorial: Oásis proibido

Editorial: Oásis proibido

0
Compartilhamentos
Pinterest Google+

O Residencial Ypê Amarelo foi cenário essa semana de constantes invasões. Foram quase 20 tentativas e duas residências abruptamente tomadas por pessoas que não identificaram naqueles lares a figura do morador contemplado em janeiro de 2017 com uma das 1.400 edificações entregues. Casas que aparentemente estão desocupadas e sem sinais de habitabilidade.    

O fato reforça a tese de que, apesar dos esforços da Prefeitura e da Caixa Econômica Federal, responsável pelo residencial por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida, os critérios utilizados para a obtenção do benefício apresentam falhas. Ainda que o contemplado atenda a todas as exigências do programa habitacional, certamente há pessoas contempladas que não tem a necessidade e urgência da casa própria, visto que ainda é significativo o número de imóveis sem moradores, segundo constatado pela equipe de reportagem desta Gazeta.                                                              

O cenário faz crescer a indignação e ansiedade de milhares de cidadãos inscritos no Setor de Habitação da Secretaria de Promoção Social da Prefeitura de Mogi Guaçu que necessitam deixar de pagar aluguel ou que esperam a oportunidade de ter um imóvel próprio para mudar de vida. Por isso, não é difícil entender que para muitos deles o Ypê Amarelo, com suas casas numa sequência de ruas que parece não ter fim, tornou-se um oásis proibido. Casas entregues por meio de um programa habitacional de cunho social com prestações que se encaixam no orçamento já apertado das famílias.

O Residencial Ypê Amarelo, contudo, ainda está longe de ser um refúgio de tranquilidade para os moradores de lá, que sentem falta da infraestrutura que praticamente inexiste no bairro, como unidades de saúde e de educação. E as invasões que estão ocorrendo no local em nada ajudarão as famílias a viverem com a tranquilidade e qualidade de vida que desejam. Estimular a ocupação ilegal das casas, como o que está ocorrendo no Ypê Amarelo, é temeroso e até injusto com aqueles que ainda estão inscritos nos programas habitacionais esperando há anos pela conquista da casa própria.

A lentidão da Caixa Economia Federal, no entanto, em adotar medidas mais rígidas contra quem descumpre o contrato que assinou e demonstrou ciência, mesmo após levantamento apresentado pela Prefeitura, faz crescer na população o sentimento da terra sem lei, onde tudo se decide no calor da situação e no clamor daquele que parece estar mais necessitado no momento. Que os critérios para contemplação de programas sociais sejam mais rígidos e o acompanhamento dos beneficiados constante, sob pena de descrédito no formato apresentado para ajudar quem mais precisa. Num país em que as injustiças saltam aos olhos, constatar que casas que deveriam abrigar famílias estão servindo de depósitos ou utilizadas para ganhos imobiliários transforma qualquer suposto oásis em uma iminente zona de conflito.

Post anterior

Lanzi: Funcionários votam pelo direito de greve

Próximo post

I Copa de Basquete inicia com jogos equilibrados e emocionantes