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Editorial: O julgamento nas redes

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Já há alguns anos, o movimento das redes sociais, como Facebook e Twitter, chama a atenção. As pessoas as utilizam para debater temas polêmicos, compartilhar fotos, emitir suas opiniões, entre tantas outras coisas. Como a interação é com o computador, muitos usuários se sentem tão à vontade que passam a ter surtos de sinceridade, postando o que lhes vier à cabeça, sem pensar nas consequências. E uma delas, quando devidamente documentada, pode servir como mais um elemento para o convencimento do juiz na hora da decisão, por exemplo.

As postagens sozinhas não servem como prova, mas, a partir delas é possível obter um indício para a investigação. Há ainda os casos em que o próprio crime é praticado na internet, nesse caso o perfil pode virar alvo de ações na Justiça.

Foi justamente esse o alerta feito pelo delegado Antônio Aparecido de Souza ao comentar a agressão sofrida por duas pessoas durante a “Parada Gay” realizada na cidade há quase uma semana. Após a agressão, uma foto foi publicada por uma das vítimas na tentativa de identificar o suposto agressor. Diversos comentários foram feitos no post e muitos defendiam fazer justiça com as próprias mãos. Houve quem atentasse para o perigo de se divulgar a foto sem a comprovação de que aquele é realmente o culpado.

O delegado descartou a suspeita de que o caso tenha qualquer relação com homofobia e avisou que ouvirá os envolvidos. Advertiu, ainda, que as pessoas que incitam a violência pela internet também podem ser indiciadas.

A ideia de rede social é interessante. É um meio prático para contatos com os amigos, ver fotos, conversar e se inteirar com o mundo todo, ampliando os horizontes. Porém, por baixo de toda praticidade das redes sociais há um grande risco, principalmente para as crianças e adolescentes. Mas todos que estão conectados em redes sociais, de maneira geral, em maior ou menor proporção, estão expostos e podem ter que responder por seus atos, bem como serem vítimas da grande rede.

A internet não pode ser compreendida como uma zona livre, onde as pessoas fazem o que querem, agridem quem desejam, expõem o que lhes dá na telha sem qualquer tipo de consequência. Tão perigoso quanto isso são as informações inverídicas que circulam diariamente nos compartilhamentos e comentários feitos pelos internautas sem que a fonte dessas notícias seja checada.

As redes sociais, se bem usadas, constituem-se como um importante elemento de interação e engajamento popular, mas jamais podem se transformar em um tribunal do júri, na qual pessoas são julgadas e tem a pena da exposição aplicada sumariamente. Isso sem falar em outras consequências que o julgamento das redes pode causar. A Justiça nesses casos, muitas vezes lenta e até desacreditada, ainda é o meio mais eficiente de se fazer o certo e imputar responsabilidades a quem mereça em uma sociedade que se julga avançada e democrática.

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