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A praça da moradia

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O assunto pode ser polêmico, mas a maioria espera por uma solução vinda do Poder Público. O aumento dos moradores em situação de rua não é exclusivo de Mogi Guaçu, mas por aqui, a aglomeração desse público, principalmente em locais conhecidos incomoda e chama a atenção.

Por conta disso, a decisão da Prefeitura de Mogi Guaçu de fechar a Praça da Bíblia não deve encontrar resistência da maioria da população. O local tem servido há anos de abrigo aos moradores de rua e já não cumpre seu papel junto à comunidade. A proposta da Administração Municipal é reformar o velório municipal e incorporar a praça à área que atualmente abriga as salas de velório. Assim, a Praça da Bíblia seria fechada e passaria a pertencer ao velório municipal.

A Prefeitura, como de costume, não deu maiores detalhes do projeto dificultando assim o acesso às informações públicas, como determina lei federal. Não afirma nem nega que a proposta vinda da Secretaria de Planejamento teve como estopim o aumento de moradores em situação de rua na Praça da Bíblia. O espaço público que deveria propiciar a convivência ou recreação para seus usuários está há anos tendo como destino principal para pessoas em situação de rua que deixam o local sujo e a região tida como insegura. Por mais que as abordagens aconteçam, o vai e vem desse público no local só aumenta. No período noturno, serve de dormitório para dezenas de pessoas que lá fazem uso de bebida e drogas. Já tem algum tempo que o portão do velório municipal precisa ser fechado durante a noite e madrugada para evitar que a família enlutada não seja incomodada pelos pedidos frequentes de ajuda. Soma-se a isso a insegurança que essas pessoas causam no local.

É claro que a proposta da Prefeitura está longe de ser perfeita, mas pode ser que tenha um resultado positivo esperado pela maioria da população que diariamente passa pelo local e lamenta a situação da Praça da Bíblia. O novo projeto poderá deixar o local com cara de praça e, assim, cumprir seu papel original de criação.

Espera-se que a proposta realmente seja colocada em prática e que o assunto moradores de rua possa ser prioridade para o Poder Público, porque tudo indica que esse público irá migrar para outra localidade do município. 

A recuperação da Praça da Bíblia deverá ser bem aceita pela população guaçuana, mas essa mesma população também aguarda que projetos bem sucedidos possam ser colocados em prática para atender esse público excluído da sociedade. É preciso mudar a cultura e aí entra a sociedade que também deve ‘abraçar’ a causa e contribuir para que essas pessoas possam ser recuperadas e voltar ao convívio familiar. Ao dar esmolas alimenta-se cada vez mais esse público que insiste em ocupar praças, pontilhões e prédios abandonados. O problema social não é só do Poder Público. E dá sociedade.

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