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Editorial: Nem só a carne é fraca

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As áreas sociais de um município são sempre consideradas pontos nevrálgicos para a Administração Municipal. Saúde, Promoção Social e Educação, quando bem geridas, resultam em um índice invejável de aprovação por parte da população. A tarefa é das mais difíceis, porque são Pastas que requerem conhecimento profundo das ações a serem executadas e recursos abundantes, para que toda a demanda seja atendida. Não por acaso, são as Secretarias que costumam dispor dos maiores valores orçamentários para investimento em pessoal e recursos. Para a Educação, por exemplo, foram destinados R$ 137,9 milhões de reais da receita anual para atender a necessidade de mais de 27 mil alunos matriculados na rede municipal de ensino. Parece muito, mas não é. Principalmente se houver falta de planejamento, de conhecimento e de prioridade.

A bomba que caiu sobre a Prefeitura de Mogi Guaçu nessa semana, quando confirmou-se a versão que muitos já sabiam, é um bom exemplo disso. Que pai gostaria da notícia de que falta carne na merenda dos filhos? Que mãe ficaria tranquila ao receber a informação de que itens básicos como papel higiênico estão rareando nas unidades de ensino? Que cidadão estaria satisfeito ao saber que produtos de limpeza estão em falta em Emeis (Escolas Municipais de Ensino Infantil) e Emefs (Escolas Municipais de Ensino Fundamental)?

Logo a limpeza que, principalmente em locais de grande aglomeração, é de fundamental importância para a saúde de quem frequenta. É fato que o processo licitatório nas Prefeituras, outrora criado para atender o interesse público, buscar a proposta menos onerosa, em igualdade de condições, tem se tornado o pesadelo dos gestores que são obrigados a contratar com empresas inábeis e sem a menor condição para executar os serviços por conta do menor valor. Mas quando a Administração Municipal aponta que o motivo por deixar de faltar carne de vaca e de porco é a demora na conclusão do processo licitatório duas semanas após o início do ano letivo, sem explicar com detalhes o que gerou a morosidade e a falta dos demais itens nas unidades escolares, pressupõe-se que a organização e o planejamento na Secretaria de Educação estão bem aquém do que se espera de uma Pasta de tamanha relevância.

Ainda que o cardápio tenha sido reforçado ou equilibrado por outros itens, alguém falhou nesse processo de licitação e expôs não só os alunos das unidades de ensino, mas a fragilidade estrutural ou financeira de uma Prefeitura que pouco tem tido há mostrar de positivo nos últimos meses. Não se questiona a qualidade da merenda, nem de quem a faz. Não é só pela falta da carne, que pode ser substituída por outra proteína. Não é pela salsicha, que vez ou outra não será o mal da humanidade nem mesmo para os nutricionistas mais durões. Tampouco pela falta do achocolatado, da manteiga. Nem mesmo por aquele só lembrado na hora decisiva: o papel higiênico.

Fatos como o que ocorreram na Secretaria de Educação escancaram a realidade de um município que segue desgovernado, sem perspectiva e a mercê de pessoas que não parecem preparadas para lidar com assuntos de tamanha importância, como alimentar mais de 27 mil bocas, muitas das quais tem nessas merendas a principal refeição do dia.

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