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Editorial: Não tão básico assim

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Todos os setores da vida de um país há demandas por investimento público. Essa responsabilidade acaba sendo dividida entre os Governos Federal, Estadual e Municipal. Como os recursos não são ilimitados, os governos precisam eleger prioridades. Seria grave irresponsabilidade deixar de atender a áreas fundamentais em razão de se ter destinado recursos para setores menos essenciais. No entanto, a definição de prioridades é um entre outros aspectos da responsabilidade administrativa. Além de decidir com prudência onde investir, é preciso acompanhar a boa utilização desses recursos, certificando-se se eles cumpriram adequadamente as finalidades previstas.

Nesta semana um assunto que teoricamente seria de fácil resolução pela Prefeitura chamou a atenção durante a sabatina do secretário de Obras e Viação, Salvador Franceli. Entre tantos temas importantes debatidos por mais de três horas, um intitulado pelos vereadores como básico mostrou-se de difícil solução: as coberturas dos pontos de embarque e desembarque de passageiros. Literalmente, o guaçuano paga caro para poder se locomover de um bairro para outro: R$ 4,50.

A Prefeitura alega que a obrigação é da Viação Santa Cruz, concessionária responsável pelo serviço, e a empresa, por sua vez, diz ter uma liminar que a desobriga de cumprir legislação municipal de 2003. E enquanto essa discussão silenciosa acontece, pois a Administração Municipal nunca divulgou que tenha acionado a empresa da Justiça para que a obrigação seja cumprida, os passageiros continuam a mercê de pontos sem cobertura e alguns adaptados pelos próprios moradores. Faça sol ou faça chuva, lá estão os passageiros à espera do ônibus. Nem trata-se aqui de discutir a qualidade do serviço que é oferecido para os guaçuanos, mas a cobrança do básico se faz necessária.

Algumas perguntas que deveriam ser respondidas pelo Poder Público. Quanto custaria uma cobertura simples que poderia atender aos usuários do transporte público? Qual o motivo que a prometida licitação para a escolha de nova empresa ainda não saiu após promessa feita há um ano? Se a empresa não é responsável, quem seria? O que mais assusta e choca é que o básico não é feito, enquanto obras onerosas são prometidas e algumas já iniciadas, como a do corredor de ônibus na região dos Ypês. É claro que o projeto da Prefeitura prevê ao longo desse corredor coberturas para os passageiros, mas e os tantos outros pontos do município que há anos esperam pela melhoria?

Um investimento de quase R$ 6 milhões de recursos próprios, ou seja, poderia ter sido destinado para qualquer outra prioridade no município. Pode ser que daqui alguns anos, os guaçuanos entendam a importância do investimento que atualmente é feito na Avenida Alíbio Caveanha, mas hoje é difícil de aceitar devido a tantas outras prioridades. Como se sabe, o Estado brasileiro tem gastado muito mais do que arrecada e isso gera um sério desequilíbrio fiscal. Mas esse não é o único problema: além de gastar mais do que deve, o Poder Público vem gastando mal os recursos do contribuinte. Isso ocorre, por exemplo, toda vez que se investe sem planejamento.

É preciso reverter esse quadro. Custa muito caro ao bolso do cidadão essa falta de profissionalismo, essa ineficiência. Sempre, mas especialmente quando os recursos são escassos, não pode haver desperdício.

 

Balão: “Faça sol ou faça chuva, lá estão os passageiros à espera do ônibus”.

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