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Editorial: Não adianta remediar

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Desde que assumiu o mandato, em 2013, o prefeito Walter Caveanha (PTB) vem justificando a falta de recursos para a não realização de uma série de investimentos e serviços. Em que pese que a situação econômica do país tenha realmente ficado instável, a justificativa vai perdendo força quando ela passa a ser rotineiramente utilizada, seja para a reforma simples de uma praça ou para o retorno da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) ao prédio origem, no Jardim Santa Marta. Nesta semana, a secretária de Saúde, Clara Alice Franco de Almeida Carvalho, confirmou uma informação que a Gazeta já havia divulgado em janeiro: a não transferência da UPA para o prédio de origem e a tentativa de instalar no local uma unidade mista. Para isso, será necessária a transferência da UBS (Unidade Básica de Saúde) do Ypê II para o Jardim Santa Marta, mudança não aceita pelos moradores.

Além disso, a Prefeitura precisa do aval do Ministério da Saúde que já sinalizou que Mogi Guaçu não se enquadra na portaria que autoriza os municípios a reutilizarem os prédios das unidades de pronto atendimento. Mesmo assim, a Prefeitura guaçuana insiste em afirmar que o pedido foi novamente feito ao governo federal e que a expectativa é por um retorno positivo, para que o município não precise devolver os R$ 2 milhões gastos na construção do prédio da UPA.

Conforme as informações vão sendo divulgadas pela Prefeitura, muitas das vezes com certa falta de clareza e de dados, a impressão que se tem é de que o objetivo do governo é ganhar tempo. Exemplos não faltam de tempo perdido desde o início desse ano, como a demora nas licitações para a compra de carne para a merenda escolar ou para a realização de serviços como o da coleta de entulho e o da manutenção da iluminação pública. Para um grupo político que está no comando há sete anos não dá para justificar falta de planejamento ou qualquer tipo de falha administrativa.

Quando essa equipe assumiu o município, em janeiro de 2013, três portas de pronto atendimento estavam em pleno funcionamento: a UPA do Jardim Santa Marta, o PPA do Jardim Novo e o Hospital Municipal da Zona Sul. Logo após a transferência da UPA para o PPA, em 2014, os munícipes perderam uma porta, já que os atendimentos realizados no pronto atendimento no Jardim Novo são prestados pela UPA e não mais pelo PPA. Toda vez que o assunto UPA é discutido os agentes políticos não comentam sobre a economia que foi feita com a união UPA/PPA, mas só ressaltam que os gastos com a unidade gira em torno de R$ 600 mil mensais ante um repasse do governo federal de R$ 175 mil por mês. Mas qual era o valor gasto anteriormente com o PPA? É uma pergunta que deveria ser respondida pela secretária de Saúde.

Com a unidade mista no prédio do Jardim Santa Marta a Administração Municipal prevê um investimento no valor de R$ 150 mil mensais (recursos próprios) com o pronto atendimento das 18h00 à meia-noite, sendo que durante o dia o funcionamento da UBS do Ypê II no local já tem seu custo. Apesar de o plano ter sido finalmente apresentado e confirmado, ainda faltam pontos a serem esclarecidos. Nem tudo foi dito ainda sobre qual é o verdadeiro plano para o final da novela UPA. Vereadores já deram um alerta: que o prefeito Walter Caveanha não deixe para fazer a transferência nos minutos finais de seu governo deixando a conta para o próximo prefeito. Por mais que as justificativas são de que os munícipes não estão desassistidos com os dois pronto-atendimentos, o mais natural seria que o município voltasse a contar com as três portas. É um serviço que deixou de ser realizado desde 2014 e faz, sim, falta para a população.

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