Home»Editorial»Editorial: Futuro incerto

Editorial: Futuro incerto

0
Shares
Pinterest WhatsApp

A UPA (Unidade de Pronto Atendimento) é definitivamente o calcanhar de Aquiles da Administração Municipal. A cobrança para o retorno ao prédio de origem no Jardim Santa Marta tem aumentado e o valor do custeio pesa no orçamento municipal. Agora, irá pesar ainda mais com a suspensão da verba de R$ 175 mil mensais pelo Ministério da Saúde. A decisão é recente e já reflete nos gastos da Prefeitura, pois a partir de outubro o custeio da UPA passa a ser integralmente do município. A suspensão do recurso federal era esperada, pois a própria Gazeta já havia, por diversas vezes, informado que o Ministério da Saúde alertou o município sobre a possibilidade de corte por conta da UPA não estar funcionando no prédio de origem. A Administração Municipal preferiu correr o risco e, agora, pode pagar caro pela decisão.

O custo da Unidade de Pronto Atendimento, segundo a Secretaria de Saúde, é de R$ 500 mil, mas com o custeio federal de R$ 175 mil, o saldo restante era de R$ 325 mil. Agora, até que a equipe do prefeito Walter Caveanha (PTB) encontre uma solução, o custeio terá que ser integralmente bancado com recursos próprios.

Desde o destelhamento da unidade em 2014, a Administração Municipal alega não ter recursos financeiros para retornar o atendimento da UPA ao Jardim Santa Marta. A reforma foi concluída há dois anos e a justificativa continua sendo a mesma. Não se viu muitos esforços da Administração Municipal em mudar esse cenário. O que se tem observado é uma economia sendo feita ao longo dos últimos cinco anos, mesmo que as despesas com os atendimentos sejam onerosas aos cofres municipais.

Desde fevereiro de 2014 o município reduziu os custos com os atendimentos de pronto atendimento, pois ao assumir a Prefeitura, em 2013, o prefeito e sua equipe contavam com três portas de pronto atendimento em pleno funcionamento: a UPA, o PPA e o Hospital Municipal. Com a mudança da UPA para o prédio do PPA (Posto de Pronto Atendimento), no Jardim Novo II, os atendimentos se fundiram. Ou seja, a população passou a contar com apenas dois locais de pronto atendimento. As equipes foram reduzidas e todo o mobiliário da UPA foi para o Jardim Novo II. Desde então, a Prefeitura não tem o gasto com o atendimento que anteriormente já era integralmente bancado pelo município para o custeio do PPA.

Essa explanação demonstra que a Prefeitura erra ao justificar falta de recursos financeiros para retornar a UPA para o prédio de origem, pois desde que a equipe assumiu em 2013, o Orçamento Municipal já demonstrava os valores gastos com o PPA e os lançamentos eram previstos. Não houve sensibilidade, nem planejamento por parte dos agentes públicos para que essa situação fosse resolvida de pronto. O que alivia a todos é a afirmação da Prefeitura de que a população não será prejudicada com a suspensão dos repasses federais, uma vez que o funcionamento da UPA está garantido. Mas não se podia esperar outro posicionamento, principalmente porque o município correria o risco de entrar em colapso caso ficasse com apenas uma porta de pronto atendimento.

Fato é que somente esperar um retorno do Governo Federal sobre os pedidos feitos (volta do repasse mensal e readequação do prédio do Jardim Santa Marta) não parece ser a medida mais correta neste momento. Faltou empenho da Administração Municipal em buscar recursos e alternativas para o retorno da UPA à região dos Ypês e faltou sensibilidade em ouvir os pedidos da população, principalmente os dos moradores daquela região. O plano B seria a unidade mista no Jardim Santa Marta, mas está custando a Prefeitura aceitar e confirmar que é um projeto que já nasceu morto.

Não existe muito caminho senão o retorno da UPA ao Jardim Santa Marta, mas, hoje, pode-se dizer que essa é uma decisão que chegará tardiamente e a decisão pode custar bem caro.

Previous post

Editorial: Futuro incerto

Next post

TCE aponta problemas em Emef do Ypê I