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Editorial: E como ficam as outras áreas?

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A fábula da Galinha e os Ovos de Ouro é bem conhecida e até retrata muito bem o momento político do país. O desvio de recursos e as notícias de corrupção ainda assombram, apesar de a torcida ser para que esse 2018 seja melhor que o anterior. O desemprego ainda é alto e o setor produtivo ainda reclama da crise. Ou seja, a situação do país ainda está longe de melhorar. Enquanto isso, os políticos ainda pensam em seus próprios bolsos.

Em âmbito local, as notícias não são das mais animadoras: faltam remédios nos postos de saúde, consultas e exames demoram a ser agendados, os buracos e o mato alto ainda são um problema a ser resolvido pela Poder Público. E quando fala-se em economia logo vem a mente geração de emprego. Nesse quesito, o prefeito Walter Caveanha (PTB) tem deixado a desejar, pois nenhuma grande empresa se instalou no município desde que assumiu o comando da cidade em 2013. Até o distrito industrial em Martinho Prado Júnior, anunciado como sendo um local que abrigaria pequenas e médias empresas, não vingou, assim como outros projetos anunciados pela atual Administração.

Em tempos de crise o argumento de falta de recursos até é válido, mas que tipo de planejamento ou ações estão sendo feitas para que a economia de Mogi Guaçu melhore? Talvez, a resposta do prefeito seria o curso de Medicina que será oferecido pela Faculdade Municipal “Professor Franco Montoro”. O chefe do Executivo não esconde que toda sua atenção desde o anúncio está voltada a esse projeto.

A meta de já realizar o primeiro vestibular em agosto, como explica a jornalista Michele Domingues Tressoldi nesta edição, chega a ser audaciosa. Até pouco tempo, a faculdade municipal era vista como um sério problema para a Prefeitura. A divulgação do número cada vez menor de alunos na “Franco Montoro” também chegou a ser feita por esta Administração Municipal. Justamente por isso que a instituição não arrecada o suficiente para se manter e, por conta disso, recebe recursos da Prefeitura. Recursos esses que aumentaram com o anúncio da conquista do curso de Medicina. Toda a reforma em sua estrutura está sendo custeada pelo município e espera-se que um balanço desse investimento possa ser mostrado a toda a sociedade, que não foi consultada sobre a instalação desse curso. É claro que um curso de Medicina enche os olhos, pois a cidade pode ser beneficiada com a prestação de serviços por meio dos universitários. Mas isso depois de quanto tempo? Qual será o tempo necessário para que a Faculdade Municipal possa caminhar com suas próprias pernas?

O curso de Medicina dificilmente irá resolver os problemas financeiros do município, pois ainda faltam projetos que aumentem a arrecadação e empresas que por aqui se instalarem também podem contribuir com o recolhimento de impostos. São ações mais do que esperadas e que também precisam da atenção do prefeito. Por outro lado, já que o novo curso está aí, a torcida tem que ser para que pelo menos a área da Saúde consiga um retorno mais rápido de todo esse investimento de tempo e de dinheiro. Nesse caso, é bem provável que Caveanha nem esteja mais à frente da Prefeitura para poder colher os frutos. Por isso, o jeito é torcer para que não matem a galinha dos ovos de ouro.

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