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Editorial: De pai para filho

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A visita da Polícia Federal, costumeiramente nas primeiras horas da manhã, em qualquer lugar do país é sinal de que alguma coisa não vai bem e precisa ser investigada. Por isso, a operação deflagrada nesta quarta-feira em várias cidades do país denominada Prato Feito e que teve desdobramentos em Mogi Guaçu ganhou tanto destaque e fez um arranhão sem precedentes na imagem da Administração do prefeito Walter Caveanha (PTB). Não bastasse o mandado de busca e apreensão em pontos vitais da Prefeitura, a residência de Caveanha e do vereador Thomaz Caveanha (PTB) foram revistadas e documentos apreendidos para averiguação. Até um mandado de prisão para o vereador foi solicitado pela delegada responsável pelo caso, mas negado pela Justiça. O caso ganha contornos ainda mais delicados porque a operação da PF investiga contratos suspeitos no fornecimento da merenda escolar, por exemplo.

O alvo da operação na cidade era Thomaz Caveanha e há indícios fortes no processo da Polícia Federal de que ele recebeu propina para garantir contratos vantajosos a empresários que operam engrenagens país afora com substanciosa lucratividade. O grande dilema que o prefeito Caveanha terá agora é como comportar-se nessa investigação. Quem está na mira da PF, como apresenta a matéria especial dessa Gazeta nesta edição, é o filho do chefe do Executivo. “O filho do homem”, como é mencionado em conversas de empresários e lobistas ávidos pela concretização de negociatas. Ao prefeito, apresentar dados e informações relevantes sobre o caso pode resultar não apenas em cenário sombrio para governar cidade nos próximos anos como no apontamento de seu filho como operador de um esquema que dava vantagens àqueles que forneciam benesses em período eleitoral. Silenciar-se ou alijar-se, contudo, demonstrará desinteresse do Executivo em colaborar com uma investigação em esfera federal, levando-se em conta que novos desdobramentos e ramificações costumam surgir em operações desse tipo.

A história recente mostra que a expressão “eu não sabia de nada” não foi suficiente para evitar a prisão de acusados de alta popularidade, mesmo quando não havia parentesco direto. É tempo de apontar erros, abrir caixas-pretas e responsabilizar quem zombou do dinheiro público. Ou torcer para que toda equipe da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União estejam equivocadas, porque o estrago já foi feito.                           

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