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Editorial: Cruzar os dedos

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Na última semana, o presidente Michel Temer (PMDB) reforçou a liberação de verbas para os parlamentares. Com a denúncia por corrupção passiva tramitando na Câmara, o peemedebista resolveu abrir o cofre. Somente em junho, o governo empenhou mais de R$ 1,8 bilhão em emendas e o valor já supera o empenhado pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para tentar barrar o impeachment no ano passado.

Além das emendas, o presidente também anunciou a liberação de mais de R$ 5 bilhões para obras de mobilidade e saneamento básico. Diferente das emendas, esse valor é financiado. Ou seja, o município que for contemplado terá que pagar pelo empréstimo. Com a crise financeira que o país enfrenta, uma das poucas saídas para prefeitos realizarem obras e novos investimentos.

Mogi Guaçu, segundo o deputado Barros Munhoz (PSDB), está entre os municípios que serão beneficiados com a liberação desses recursos financiados. A cidade poderia conseguir o teto que é de R$ 30 milhões. O valor é menor do que o prefeito Walter Caveanha (PTB) havia solicitado em fevereiro, cerca de 52 milhões.

As obras de mobilidade da cidade são de extrema importância, como a construção de duas pontes e dois viadutos. Sem recursos federais, dificilmente elas vão sair do papel.  Projeto semelhante havia sido protocolado pelo ex-prefeito Paulo Eduardo de Barros, o Dr. Paulinho (PHS), mas também não vingou como o prometido.

A liberação desses recursos é vista como uma espécie de moeda de troca entre o Palácio do Planalto e o Congresso, e costuma ser usada pelo governo para garantir apoio em votações importantes. Para barrar o prosseguimento da denúncia, por exemplo, Temer precisa do voto de pelo menos 172 dos 513 deputados. As emendas parlamentares são os principais recursos destinados a deputados e senadores para que eles possam viabilizar obras e benfeitorias em seus redutos eleitorais.

A possível liberação de recursos para Mogi Guaçu foi bastante comemorada pelo deputado tucano e por integrantes da Prefeitura. Esta é a única alternativa para que as obras tidas como prioritárias possam ser executadas com garantia que serão pagas e concluídas. Com queda na arrecadação e sem previsão de aumento, a Prefeitura guaçuana quase não tem feito grandes investimentos. As obras que aí estão são as que o prefeito já pegou em andamento quando assumiu em 2012.

Em meio à crise política e econômica e com dificuldade para tirar do papel as promessas que o levaram à reeleição, Walter Caveanha terá que ter bastante jogo de cintura e mostrar que também tem bom trânsito em Brasília. Além de reapresentar o projeto de mobilidade urbana, terá de ter bons argumentos para que a cidade seja contemplada.  E mais ainda ao pagar o financiamento sem prejudicar os serviços prestados à população guaçuana.

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