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Editorial: Combate à dengue sofre derrota

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As notícias sobre o aumento no número de casos de dengue no país não são nada animadoras. Os casos prováveis da doença no Brasil chegaram a mais de 450 mil casos até o último dia 13, conforme levantamento do Ministério da Saúde. O número de ocorrência teve um aumento de 339% em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 102.681 casos. O número de mortes também subiu 186,3% passando de 66 para 123.

Ou seja, os números do Ministério da Saúde mostram o avanço da doença pelo país e, mesmo assim, a Pasta deixou de entregar o Malathion EW, inseticida utilizado nas nebulizações. Mogi Guaçu já se manifestou sobre o assunto e confirmou que suspendeu os serviços devido à falta do produto. O inseticida tem sido utilizado desde o início do ano nos bairros onde existe a incidência da doença. Agora, todo um trabalho pode ser prejudicado por conta da falta do inseticida.

Mesmo que a responsabilidade pelo envio do produto seja do Ministério da Saúde, a Prefeitura guaçuana deveria ter se precavido sobre essa situação quando observou que o produto deixou de ser entregue. Divulgar uma nota no final do expediente para avisar sobre a suspensão das nebulizações ressaltando que a falta do inseticida ocorre em um período preocupante em virtude do aumento de casos confirmados não parece ser o mais adequado para uma cidade que já tem 923 casos de dengue. Na nota encaminhada à imprensa, a Prefeitura diz que irá buscar formas de garantir os serviços de nebulização com a compra de produtos similares ao Malathion. Uma medida que já poderia ter sido tomada por meio de uma compra emergencial, por exemplo.

Justificativas para que o problema seja sanado o mais rapidamente possível não faltam, uma vez que municípios com número de casos confirmados menores já decretaram situação de epidemia, o que possibilitaria algumas ações emergenciais. Mogi Mirim decretou epidemia da doença com 456 casos confirmados. Por mais que as ações de busca ativa continuem, o município ficará sem as nebulizações que têm como foco os mosquitos adultos e o inseticida é a única forma de atingir o Aedes aegypti nessa fase.

A Administração Municipal tem mais um abacaxi para descascar nas próximas semanas. Até porque conforme o Ministério da Saúde, o aumento no número de casos mesmo fora do verão se deve a condições ambientais como temperatura elevada e chuvas. A pasta identificou alta circulação do sorotipo 2 do vírus, o que contribui para um aumento no número de casos. Quando há mudança no sorotipo circulante, as pessoas infectadas passam a ter sintomas mais evidentes da doença. Tudo isso para dizer que o combate à dengue continua e a falta da nebulização pode ser desastrosa neste momento em que as autoridades de Saúde esperam que os números comecem a se estabilizar. Por isso, seria prudente que a Prefeitura resolvesse rapidamente mais esse problema, pois é caso de saúde pública.

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