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Editorial: Carência de projetos e ações

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Por que o fenômeno do rolezinho tornou-se o assunto mais comentado? Nos últimos meses, enquanto uma pequena parcela da população brasileira apoia esses jovens em seu exercício do direito de ir e vir, outra, essa bem maior, mostra preocupação com esses encontrados marcados pelas redes sociais.

Os encontros começaram no final de 2013, reunindo centenas de jovens em locais como praças e shoppings. Em Mogi Guaçu, esses rolezinhos começaram a ser registrados no ano passado, quando os encontros eram marcados na Praça Cândido Rondon, no Jardim Velho, e, agora, no shopping da cidade.

Mesmo sendo fruto da alta conectividade entre pessoas com uma motivação comum, quando a massa se reúne as coisas tendem a sair do controle. É neste aspecto que o rolezinho traz preocupação para as autoridades de segurança do município. Segundo Freud, quando acontece a chamada formação de massa o indivíduo pensa, sente e age de maneira diversa de quando está sozinho.

Especialistas dizem que a causa destes rolezinhos é a ausência de opção de lazer para jovens, principalmente das camadas mais pobres, além de espaços próprios para o saudável encontro entre eles. Outros são a favor da reunião de jovens marcada pela internet, mas desde que façam em espaços próprios para receber tão grande quantidade de pessoas e não em ambientes como os shoppings, que não possuem estrutura para isso.

No quesito opção de lazer, Mogi Guaçu nada tem a oferecer para esse público. Quais projetos foram colocados em prática pela Administração Municipal nos últimos anos para atender os jovens? Quais áreas foram destinadas para eles? As poucas que existem não têm estrutura para atender a demanda, como a Praça Francisco Marchese, próximo ao Tiro de Guerra. A Prefeitura diz que está em estudo um projeto de revitalização para essa área, mas nada antecipou sobre os objetivos e para quando a melhoria é prevista. Para o período noturno, a área poderá ser utilizada pelos jovens? São perguntas que precisam ser respondidas pelo Poder Público. Não basta acabar com os rolezinhos, é preciso atender esses jovens em ações e projetos voltados para eles.

Os pais também têm suas responsabilidades e é dever deles saber onde o filho está, com quem e o quê está fazendo. Menores de idade são vistos no rolezinho e certamente ficarão suscetíveis a diversos tipos de crimes. Os rolezinhos têm sido tratados como um tema cultural e as soluções propostas têm sido baseadas na esfera legal e policial. Não se viu até agora um debate sobre as causas estruturais que permitiram que estas mobilizações aflorassem. E, para isso, o caminho é a escola. O único caminho decente e sustentável para o bom funcionamento dos espaços urbanos é a promoção da escola de qualidade, com ofertas culturais para os jovens. O lazer também precisa ser meta dos governantes e colocá-la em prática com urgência poderia ser uma alternativa para os jovens. O rolezinho é um alívio temporário capaz de transmutar exclusão em inclusão- inclusão ainda longe se ser de fato e de direito. A consciência do debate é certamente o primeiro passo.

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