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Editorial: Antes pingar que secar

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O dito popular que esteve em evidência no auge dos reflexos da crise econômica internacional, infelizmente, ainda hoje continua sendo propagandeado, sobretudo devido à situação financeira do país. Nem mesmo o novo governo deu fôlego para uma mudança rápida e necessária e tudo indica que isso está longe de acontecer. Enquanto espera-se a aprovação de reformas importantes e de medidas que voltem a aquecer a economia do país, os municípios tentam driblar as dificuldades financeiras sem contar com os gordos repasses dos Governos Estadual e Federal. Neste início de ano, as Prefeituras costumam contar com os pagamentos do IPVA (Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores) e também do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), a fim de terem fôlego para a máquina pública.

Na outra ponta estão os servidores municipais. Nesta mesma época, começa a discussão em torno do reajuste salarial. No ano passado, a categoria ficou sem aumento e a justificativa da Prefeitura foi justamente a crise financeira. Neste ano, o Sindiçu (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mogi Guaçu e Região) antecipou-se e protocolou a pauta de reivindicações, há um mês, e a primeira reunião foi realizada nesta semana. Para o primeiro encontro, como já era esperado, nada de concreto foi definido. Mas o prefeito Walter Caveanha (PTB) deu mostras que pode liberar o repasse da inflação para os servidores. O índice seria de 3,94%, pouco se for comparado aos 11% solicitados pelo Sindicato.

Ao longo de 2018, a diretoria do Sindiçu bem que tentou, até via judicial, que a Prefeitura concedesse aumento para os servidores. Mas as negociações não deram em nada. Nem mesmo o 1% prometido pela Administração Municipal a partir de dezembro se concretizou. Os servidores ficaram sem qualquer índice de reposição salarial e também sem explicações.

Agora, o presidente do Sindiçu, Valdomiro Sutério, o Miro, terá um grande desafio pela frente. Além de conquistar o esperado reajuste ao funcionalismo, fazer com que a Prefeitura aceite outras cláusulas da pauta de reivindicações. Entre elas, a regulamentação do banco de horas e o pagamento das horas-extras. Terá que mostrar e provar para os servidores que o sindicato é necessário para a categoria, principalmente nas questões de negociação com as Prefeituras.

Num momento em que precisa buscar formas de se sustentar financeiramente, boa parte dos sindicatos têm de enfrentar problemas conjunturais que afetam o emprego em suas bases e de atuar de acordo com as novas regras criadas pela reforma trabalhista e até pela crise financeira. Talvez, já tenha passado da hora de substituir a frase que expressa o dito popular por verbos como discordar, indignar, falar, acreditar, lutar e avançar que, se bem conjugados, podem apontar caminhos para um mundo com mais prazer e dignidade.

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