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Editorial: A dengue nossa de cada dia

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A previsão da secretária de Saúde de Mogi Guaçu, Clara Alice Franco de Almeida Carvalho, era de que os casos de dengue diminuíssem com a chegada das temperaturas mais baixas. O comentário foi feito recentemente na Câmara Municipal, onde ela participava de um reunião com os vereadores. Na ocasião, a secretária de Saúde foi cobrada se não seria ideal a realização de mutirões na cidade, principalmente porque a coleta de entulho ficou suspensa há meses. Mas a reposta foi de que os casos iriam começar a diminuir e que o mutirão não teria nenhuma eficácia.

Neste primeiro de junho e já com temperaturas mais baixas o relatório divulgado pela própria Secretaria de Saúde aponta a confirmação de 1.800 casos, sendo ainda confirmada uma morte por dengue hemorrágica e uma segunda em investigação. Mesmo assim, nenhuma nova ação foi adotada pela Prefeitura. Apenas que as visitas casa a casa continuam sendo feitas. Nem mesmo novos esclarecimentos sobre o retorno das nebulizações foram dados. Apenas que o Ministério da Saúde deixou de enviar e ponto. Mas municípios da região, incluindo Mogi Mirim, compraram o inseticida por conta do avanço da dengue e as nebulizações continuam sendo feitas.

Além disso, mutirões também estão sendo práticas adotadas pelos municípios que desenvolvem ações de combate à dengue. Menos Mogi Guaçu. Até que o Poder Público consiga explicar os motivos, os casos continuam a avançar sem que um plano mais ousado seja colocado em prática. Mesmo sabendo do importante trabalho feito pelas agentes de saúde no município, uma campanha mais agressiva poderia fazer com que parte da população entenda que esse é um problema de todos. Mas, é claro, que a responsabilidade maior continua sendo do Poder Público.

Ações diferenciadas, entrevistas à imprensa, projetos educacionais e que envolvam estudantes e a comunidade como um todo poderiam somar com o trabalho que é atualmente desenvolvido. Será que somente as visitas casa a casa são eficazes para que a doença não avance ou ainda volte mais forte após a mudança de estação com o registro de novos casos, já que a previsão otimista da secretária de Saúde é de que os números se estabilizem com a chegada do inverno? E o depois?

Esse tipo de trabalho de orientação e conscientização não pode parar e quando a doença chega num limite perigoso, como ocorre na cidade, é necessário que medidas mais enérgicas sejam tomadas pelas autoridades municipais. A Prefeitura tem falhado em estabelecer um contato permanente com a população que leve a uma mudança de comportamento. No mais, algumas medidas simples podem ajudar a prevenir contra os ataques do mosquito da dengue, como não deixar água parada em lugar algum. É preciso dar o exemplo e nesse quesito a Prefeitura ainda engatinha. A coleta de galhos e de entulho vai demorar para começar a surtir o efeito desejado e necessário para uma cidade limpa e longe de doenças.

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