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Editorial: A corrida começou

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Com a continuidade da polarização política, dificuldades na retomada da economia e mudanças nas regras do jogo eleitoral, o país já começou a se preparar para as eleições municipais de 2020, antecipando o calendário de articulações. Nas cidades, novos e velhos políticos costuram acordos, planejam como financiarão campanhas e calculam perdas e ganhos possíveis a partir de uma das principais alterações do próximo ano: a proibição de coligações nas chapas proporcionais. Além dela, contudo, pelo menos outros três fatores tendem a impactar a escolha dos eleitores e definir os resultados: a manutenção do uso em larga escala das redes sociais, a expansão dos grupos suprapartidários que pregam a renovação da política e os constantes remendos nas normas do financiamento das campanhas, que seguem no centro dos debates sobre a própria democracia.

Em Mogi Guaçu, somente nesta semana, dois partidos deram o pontapé inicial para a corrida eleitoral do próximo ano. Enquanto a Justiça Eleitoral faz campanha e reforça a divulgação da importância do eleitor fazer o cadastro da biometria, os futuros candidatos estão preocupados com as alianças e os apoios que vão conquistar. O PL do vice-prefeito Daniel Rossi promoveu um encontro na quinta-feira (5) com a presença maciça de integrantes da Administração Municipal e de outros conhecidos grupos políticos. ‘Velhos’ conhecidos da política foram prestigiar o evento, assim como o prefeito Walter Caveanha (PTB), que com muita diplomacia discursou explicando que tem um acordo com o ex-prefeito Hélio Miachon Bueno (MDB) de apoiá-lo, caso ele seja candidato a prefeito em 2020. Daniel Rossi, por sua vez, não confirmou em nenhum momento durante seu discurso que é pré-candidato a prefeito pelo PL, cabendo essa tarefa aos representantes dos diretórios municipal e estadual da sigla.

Os discursos de Daniel Rossi e Walter Caveanha estavam alinhados ao pregar a união do grupo e a continuidade dos trabalhos que foram iniciados em 2013. Apesar disso, eles não conseguiram confirmar (ou preferiram não fazer) a participação de Hélio Miachon Bueno, que ainda enfrenta problemas com a Justiça Eleitoral. A situação pode ser entendida também como uma forma de pressionar o ex-prefeito a tomar uma decisão, uma vez que ele também teria dado seu apoio ao presidente da Câmara, Rodrigo Falsetti (PTB), que recentemente confirmou ser pré-candidato a prefeito.

Enquanto o PSL aguarda um posicionamento claro e objetivo do ex-prefeito, o Podemos sai na frente ao ratificar a pré-candidatura do professor Edson Domingues com a presença da deputada federal e presidente nacional da sigla Renata Abreu, nesta sexta-feira (6). O discurso é que os trabalhos começaram e que o grupo que irá disputar as vagas na Câmara está definido, assim como toda a estratégia para a corrida eleitoral. O grupo já se declarou de oposição e tudo indica que não irá economizar nas críticas à Administração Municipal, principalmente porque os integrantes do Podemos têm defendido o novo e o fim do apadrinhamento político.

Daqui até os próximos três ou quatro meses, o cenário local deve estar melhor desenhado para a disputa eleitoral de outubro próximo e quem se antecipar poderá ter a vantagem de estar melhor organizado para encarar o pleito. Os eleitores de Mogi Guaçu poderão ter  cinco ou mais candidatos a prefeito e o principal desafio será fazer com que o interesse pela política seja retomado. O desgaste é grande, os desafios são muitos, mas a palavra de ordem deve ser transparência. E que essa transparência, essa vontade de conversar com o eleitor, com jornalistas, com empresários, com a população de uma forma geral não seja apenas em época eleitoral.

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