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Editorial: A coragem de divulgar

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O jornalismo é uma profissão perigosa. Não apenas pelos riscos iminentes que muitos profissionais mundo afora enfrentam em suas rotinas diárias em busca da informação, por vezes colocando a própria vida em risco, pressionados a todo instante para obter a melhor matéria ou o tão sonhado furo de reportagem, mas por outras ameaças inerentes à profissão. As empresas jornalísticas sérias e com credibilidade junto ao público enfrentam com frequência dilemas sobre a publicação ou divulgação de assuntos que nem sempre são a menina dos olhos da sociedade e somente a apuração criteriosa dos fatos, o respeito adquirido junto às fontes e o compromisso social em levar a informação ao público podem lhes dar a garantia de fazê-la com a tranquilidade que se espera do bom jornalismo. Afinal, quem gostaria de ver estampado em manchete de jornal que um zelador de uma escola municipal é acusado de abusar de crianças de 4 anos que ali estudavam? A repercussão do caso não agrada ninguém: autoridades policiais, administração municipal, direção da escola em questão, órgãos de proteção ao menor, família do acusado e até pais dos demais alunos que também estudam na instituição de ensino.   

Esta Gazeta cumpriu seu dever de garantir informação à população de Mogi Guaçu e região e divulgou no dia 9 de abril de 2015, após apurar os fatos e ouvir vítimas, funcionários e policiais, sobre o caso do zelador Anastácio Mendes de Moraes, acusado de molestar crianças na Emei do Jardim Bandeirantes. Desde então, o jornal acompanha o caso que ainda parece estar longe do seu desfecho, mas que teve um capítulo importante nessa quinta-feira (15), quando o zelador foi preso em Carapicuíba enquanto trabalhava como auxiliar de serviços gerais em duas escolas da cidade, após ficar quase três anos foragido. Anastácio Moraes, que era servidor municipal e foi demitido da Prefeitura de Mogi Guaçu em fevereiro de 2016, após sindicância que apurou os fatos, ainda será julgado em processo que responde pelo crime de estupro de vulnerável. E somente a Justiça poderá dizer se ele é inocente ou culpado. Deixar de divulgar o fato, contudo, como muitos desejavam à época e que para reforçar seus argumentos não hesitaram em fazer pressões de toda sorte, veladas ou não, resultaria em deixar pelo mesmo mais outras duas crianças trancadas em seus pesadelos internos e que só relataram o corrido após os pais levarem o caso para o núcleo familiar depois que leram a edição desse periódico.

Ainda que haja casos no universo jornalístico que reforcem cautela nesses episódios, simplesmente ignorar uma notícia tão relevante para a comunidade como essa seria demasiadamente covarde e uma afronta aos princípios jornalísticos que a Gazeta defende há mais de 30 anos. Ao levar o caso ao público, o jornal tocou numa ferida dolorosa para pais e para outros envolvidos, mas alertou para um crime que vem se tornando comum, praticado sob os olhares desatentos da sociedade e em locais que jamais os pais poderiam imaginar. E se o risco de ajudar a salvar vidas de inocentes ou pessoas que precisam de socorro seja ameaças e intimidamento daqueles que preferem empurrar as agruras para debaixo do tapete, a Gazeta não hesitará em enfrentá-los sem medo, com ética e profissionalismo.

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