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Editorial: A Câmara mostra-se frágil como cristal

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A Câmara Municipal de Mogi Guaçu dá sinais de que está um tanto meio perdida nos últimos meses. Em 2017, quando a atual Legislatura teve início, o clima e o discurso eram únicos: união. Mas, agora, tudo mudou e se transformou numa salada mista que precisa ser ‘ajeitada’ o quanto antes. Na teoria, a base aliada ao Governo Municipal é composta por oito vereadores: Luís Zanco Neto (PTC), Pastor Elias dos Santos (PSC), Thomaz Caveanha (PTB), Luciano da Saúde (PP), Natalino Tony Silva (Rede), Rodrigo Falsetti (PTB), Jéferson Luís (PROS) e Fábio Luduvirge Fileti (PSDB). Ainda na teoria, a oposição ao Governo é formada por três vereadores: Chicão do Açougue, Carlos Kapa e Guilherme da Farmácia. Os três foram eleitos pela coligação defendida pelo então candidato a prefeito de Mogi Guaçu, Marcos Antonio (PSD), mas no decorrer destes dois anos de mandato, o cenário foi se modificando.

Os vereadores Natalino, Rodrigo e Fabinho não cederam aos pedidos e posições do Governo Municipal e fazem certa oposição questionando, cobrando e criticando a Administração. Enquanto isso, na outra ponta, Carlos Kapa e Chicão do Açougue fizeram o caminho contrário e se aliaram ao Governo Municipal.  Ou seja, quem é da base aliada está cumprindo um papel contrário e quem não é da base está aliado. Essa confusão é o retrato fiel da atual Câmara Municipal. E na briga pela Presidência da Casa todo esse imbróglio se torna ainda mais evidente e confuso. O vereador Rodrigo Falsetti, que é da base aliada ao Governo, não tem o apoio dos colegas que teoricamente deveriam estar unidos a ele. Já o vereador Chicão do Açougue – que é teoricamente da oposição – tem total apoio dos vereadores que dão sustentação ao Governo Municipal. Para não dizer que Rodrigo está sozinho nesse páreo, ele pode contar com o apoio do vereador Fabinho, que também é da base, mas faz oposição à Administração Municipal.

Ou seja, quanto mais mexe, mais confuso fica. Oposição, situação, centrão. O fato é que a Câmara Municipal está perdendo seu principal trunfo: a união. Aquela mesma defendida de maneira orgulhosa pelos 11 vereadores, em 2017. A tal união está indo ralo abaixo e o Legislativo está ficando sem rumo nenhum nessa história toda. Se Chicão vencer a disputa pela Presidência, o PSD, que é oposição ao prefeito Walter Caveanha, irá se render – mesmo que por tabela – às vontades do atual Governo Municipal.

Já se a vitória for dada aos vereadores Fabinho ou Rodrigo Falsetti, PSDB e PTB fortalecem o Governo Municipal em sua base, mas a postura dos dois vereadores será de muitas cobranças e exigências à administração de Caveanha e sua equipe. Será quase uma oposição.

E para finalizar ainda tem-se a cereja do bolo: tudo isso poderia estar sendo evitado ou amenizado não fosse o envolvimento do vereador Thomaz Caveanha na operação “Prato Feito”, que trouxe a Polícia Federal até Mogi Guaçu. Afinal, desde o início, tudo estava orquestrado para que Thomaz fosse eleito o próximo presidente da Casa quase que por unanimidade. Por fim, não será.

A eleição da Presidência da Câmara segue escancarando a desunião entre boa parte dos vereadores e suas respectivas bases e partidos. E, com isso, o enfraquecimento do Legislativo continua cada vez mais evidente.

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