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Dia dos Pais: Heliton herdou o ofício do pai

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Às vésperas da comemoração do Dia dos Pais, nada mais sublime do que contemplar a parceria entre pai e filho. Principalmente, se ela se fortalece ao exercerem a mesma profissão. Em algumas famílias é quase tradição que os filhos sigam os passos do pai e trabalhem no mesmo ofício. Já em outras chances como essa são praticamente nulas.

Cada um segue seu caminho e são bem diferentes. Mas, neste fim de semana especial, ao celebrar o Dia dos Pais, é possível, sim, encontrar aqueles que optaram por trabalharem juntos ou seguirem os mesmos passos um do outro. É o caso, por exemplo, do sapateiro José Francisco de Lima, que vê no filho, Heliton, a oportunidade do estabelecimento comercial da família continuar ativo. 

SAPATARIA

Habilidade do filho surpreendeu o pai

José Francisco e Heliton
José Francisco e Heliton

É em uma sapataria pequena, mas cheia de amor, que pai e filho seguem juntos na mesma profissão. Seu José Francisco de Lima é sapateiro há 34 anos e há 22 trabalha ao lado do filho Heliton, que herdou dele o dom profissional.

Apesar de estarem todos os dias juntos, foi possível ver que eles têm personalidades diferentes. Seu José demonstrou ser falante e contou com muito entusiasmo a experiência que vive ao lado do filho, que é mais tímido, mas não menos educado e feliz com o ofício.

Além de sapateiro, Seu José é um daqueles pais orgulhosos. A satisfação dele ao falar da alegria de ter o filho como colega de trabalho é visível. “Acho que todo pai sonha em ver o filho seguir o mesmo caminho profissional, mas nem todos conseguem. Sinto orgulho de ver o Heliton como sapateiro”, pontuou.

Mas essa linda relação, que ganhou ainda mais força por causa da parceria, não começou à toa. Seu José contou que toda essa história teve início no ano de 1992, quando ele também herdou do pai a profissão. “Meu pai abriu essa sapataria em 1984, mas depois ele começou a ficar doente e, às vezes, eu vinha para cá. Quando ele morreu, minha mãe me pedia para vir abrir a sapataria e eu não sabia fazer muita coisa não, mas decidi assumir o negócio e aprendi tudo na marra para manter aberta a sapataria que meu pai iniciou”, recorda.

Com o passar dos anos, seu José foi se aprimorando nas funções e pegando gosto pela profissão, tanto que largou o emprego que tinha em uma fábrica para se dedicar totalmente ao comércio de consertos de sapatos.

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“Quando meus filhos entraram na adolescência, eu comecei a trazê-los aqui para me ajudar, mas sem a pretensão de forçá-los a nada. Só que nisso, o Heliton começou a mostrar habilidade e gosto pelas tarefas, já o meu outro filho não gostou muito, tanto que seguiu outros rumos profissionais na vida”, diferenciou o pai.

Mas Seu José se mostra satisfeito em perceber que a herança profissional também será deixada por ele a um dos filhos. “Hoje, eu sinto um orgulho muito grande de ver meu filho aqui, trabalhando comigo neste ofício, porque amanhã é ele quem vai assumir essa sapataria, assim como – um dia – aconteceu comigo”.

 

Modernização
Com entusiasmo, o sapateiro admite que a história está se repetindo. Mas ele também aproveitou para falar que a profissão de sapateiro é vista com preconceito. “Muita gente enxerga o sapateiro como sendo uma categoria inferior. Só que hoje em dia está sendo uma profissão em que os clientes escolhem a dedo o profissional porque é difícil encontrar quem trabalha com qualidade”.

Multi Especial - Pai e Filho - Sapateiro (76)E para demonstrar a habilidade que tem ao longo de tantos anos de trabalho consertando e renovando sapatos, Seu Francisco é enfático ao revelar porque se sobressai na profissão. “Para ser um sapateiro é preciso ter habilidade com as mãos e ser criativo. Também não pode apenas pensar no dinheiro. É necessário priorizar a satisfação do cliente e, consequentemente, a nossa”, pontuou Seu José.

O sapateiro disse que assim como em outras profissões ele também precisou se adequar e modernizar com o passar dos anos. E ressalta que os sapatos já não são mais os mesmos. “O tipo de material usado na fabricação de sapatos mudou. Os sapatos de hoje em dia custam mais caros e duram menos. Então, eu também precisei adaptar meus materiais de trabalho. Como exemplo, posso citar a cola que eu uso nos consertos. Ela é totalmente diferente daquela que eu usava há 10 anos”, comparou.

E, pelo jeito, a sapataria de Seu José e Heliton está cumprindo muito bem esse papel, já que durante a entrevista dada pela dupla à Gazeta foi possível constatar in loco o entra e sai constante de clientes no ambiente pequeno e aconchegante onde atendem.

REALIZAÇÃO

Heliton reconhece talento do pai e agradece o incentivo

 Não tem coisa melhor do que se sentir realizado profissionalmente, não é mesmo? E é assim que o filho de Seu José, Heliton Rodrigues de Lima, 37 anos, se define como sapateiro: realizado. “O sentimento que eu tenho é que deu tudo certo. Sou realizado e gosto muito de atuar com meu pai. Um passa para o outro como as coisas devem ser feitas e eu me sinto seguro com isso”.

Multi Especial - Pai e Filho - Sapateiro (102)Heliton confirmou que o pai não o obrigou a seguir a mesma profissão que ele. “Eu comecei a vir na sapataria aos 15 anos e fui me inserindo de forma espontânea, até que chegou um momento que eu decidi que era isso mesmo que eu queria para minha vida”.

Com relação a ter herdado o dom do pai, Heliton também expressou um grande orgulho e não economizou nos reconhecimentos. “Tudo o que eu sei fazer devo ao meu pai. Foi ele quem me ensinou a fazer cada um dos serviços que temos aqui, na sapataria. É um ramo que traz prazer, que sempre me apresenta muitas novidades”, pontuou o filho.

O jovem sapateiro também falou que ao contrário do que muita gente pensa por aí, a profissão não se limita apenas em consertar sapatos. 70% do nosso trabalho estão realmente relacionados aos sapatos, mas 30% são dedicados também às malas e bolsas que chegam para serem consertadas. “No caso das malas de viagem, eu e meu pai somos os únicos da nossa região que consertamos. Além de nós, quem precisa arrumar uma mala tem que ir para São João da Boa Vista ou até Campinas”.

Além da sapataria, Heliton, também tem outra afinidade com o pai. Heliton também exerce mais uma profissão. Ele é apaixonado por música e, atualmente, está feliz da vida por trabalhar também como técnico de som em uma casa de festas de Mogi Guaçu.

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