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Dia dos Pais: Exemplo de vida que nasceu no tatame

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O jiu-jitsu pontua a vida da família Manara. Foi por intermédio de um primo que Alexandre Vômero Manara, 41, com apenas seis anos conheceu o esporte e nunca mais parou de lutar. Chegou à cobiçada faixa preta e deixou a posição de aluno para assumir a de mestre. Sobre o tatame, ensina o esporte e tudo que a modalidade prega como o respeito e a disciplina. Agora, Manara vê o filho colecionar títulos e se destacar no jiu-jitsu. Com apenas 16 anos, Alexandre Papa Manara tem três Mundiais, quatro Brasileiros, três Paulistas, dois Sul-americanos, um Panamericano e mais de 80 medalhas.

É um exemplo claro de filho que seguirá a mesma carreira do pai, incentivado por ele, instruído por ele e motivado por ele. Mas, com desejos próprios e, aliás, muito bem traçados para um jovem de apenas 16 anos. Alexandre é faixa azul e ainda tem alguns níveis para a faixa preta, graduação que não tem a ver apenas com talento ou dedicação, mas também com idade. O jovem pretende mostrar sua luta aos Estados Unidos para onde planeja se mudar assim que concluir o ensino médio.

Por aqui, o pai fica com outro filho para treinar: o caçula Heitor Papa Manara, 7. Mais um para dar orgulho ao pai que, neste domingo (12), Dia dos Pais comemora o 42º aniversário.

 

FAIXA PRETA

Aos 18 anos, Manara montou academia

Multi Especial - Pai e Filho - Manara (40)Filho de pai comerciante e de mãe professora, Alexandre Vômero Manara, 41, conta que sempre teve apoio dos pais para praticar o jiu-jitsu. E não foi diferente quando decidiu que abraçaria o esporte como profissão. Assim, aos 18 anos já era faixa preta e abriu a academia. Hoje, instalado na Vila Paraíso, trabalha no espaço que um dia foi o bar do pai. E, seguindo ao exemplo dos pais, apoia o filho na decisão de seguir para os Estados Unidos, pois reconhece que terá novos horizontes.

Manara vive do jiu-jitsu. Não dá aulas apenas na academia da qual é proprietário, mas em escola e clube. O esporte deu à sua vida um rumo que ele mal podia imaginar quando tinha seis anos e recebeu o convite do primo para treinar. “Nunca mais parei. Peguei gosto”, reforça enfatizando que o exemplo vem de casa, aonde teve apoio e estímulo. E lá se vão 35 anos de dedicação ao jiu-jitsu.

Manara vem de uma época em que luta era confundida com briga. Desmistificada esta questão, ele reforça que quem luta no tatame, não briga na rua. “Disciplina e respeito são muito cobrados no jiu-jitsu”, comenta, lembrando que o esporte tem até mesmo indicação de psicólogas porque ajuda na concentração. Para ele, isto já demonstra o quanto o jiu-jitsu tem evoluído no Brasil e aberto portas para os praticantes. Isto porque, são muitas as competições e campeonatos brasileiros e internacionais.

Como pai, ele diz que não visa deixar bens materiais aos filhos e, sim, a vontade de serem grandes naquilo que fazem. “Os bons exemplos vão permanecer”, justifica observando que o esporte também ensina a ganhar e a perder. Mas, Manara repreende alguns pais para que se imponham na educação dos filhos, pois tem observado que as novas gerações não sabem aceitar o não. Nos filhos, tanto em Alexandre, quanto no caçula Heitor, ele diz que observa a disciplina e o interesse pelos treinos. “Todos os pais percebem que os filhos mudam quando começam a praticar esporte”, pontua.

 

TÍTULOS

Manara brinca que, assim como o Palmeiras, o único título que ainda não conquistou foi o Mundial (o filho foi campeão por três vezes). No mais têm conquistas no Brasileiro, Europeu e Panamericano.

Multi Especial - Pai e Filho - Manara (74)

DEDICAÇÃO

Alexandre provou talento no tatame e superou cobranças

Não demorou muito para Alexandre Papa Manara, 16, sentir o peso de ser filho do dono da academia de jiu-jitsu. Afinal, os comentários maldosos existiam, mas o resultado foi proporcional às comparações. E o menino soube absorver estas questões e transformá-las em estímulo, mostrando que as conquistas não vinham pelo fato de ser o filho do mestre, mas por ter talento e dedicar-se aos treinos.

Basta uma conversa com Alexandre para ver que ele é um jovem mais maduro que a média daqueles que têm a mesma idade. Tanto que ele próprio comenta que a maioria de seus amigos são mais velhos, têm 18, 19 anos. “Toda esta cobrança me ajudou a crescer e ter ainda mais motivação. Treinava com ainda mais gosto”, conta. Desde os 10 anos, ele acompanha o pai na academia. No tatame do mestre Manara aprendeu as mesmas lições aplicadas aos demais alunos, sem privilégios. Atualmente, é o braço direito do pai e ajuda nas tarefas da academia, passando pela limpeza, organização e, claro, treinos.

Multi Especial - Pai e Filho - Manara (30)Planeja seguir para os Estados Unidos depois de concluir o ensino médio, em 2020. Isto porque lá tem maiores chances de treinar e se destacar ainda mais no esporte.  Tudo por causa da valorização dada à prática esportiva pelos americanos. Também faz parte dos planos a faculdade de Educação Física. Para dar aulas de jiu-jitsu é preciso ter a graduação ou ser faixa preta no esporte. Alexandre caminha para ambos os feitos.

E foram muitas as conquistas que vieram com o esporte. O jovem tem três Mundiais, quatro Brasileiros, três Paulistas, dois Sul-americanos, um Panamericano e mais de 80 medalhas. Isso sem falar dos torneios não oficiais dos quais participou e levou premiação, pois começou a competir aos seis anos. Atualmente, ele tem nove patrocinadores, mas admite que não ser fácil conseguir este apoio porque nem todas as empresas abrem as portas para o esporte. Ou seja, muito diferente dos Estados Unidos, onde o reconhecimento ao esporte começa pela escola de ensino regulamentar e prossegue até à universidade.

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