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Dia do Livro: Os jovens estão lendo mais

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A Unesco (Organização das Nações Unidas) decretou que o dia 23 de abril é o Dia Mundial do Livro. A data é uma homenagem a dois célebres escritores que faleceram nessa data –William Shakespeare e Miguel de Cervantes – além do nascimento de outro escritor, Vladimir Nabokov.

Um dos argumentos para o incentivo de se manter datas como essa é de que a leitura não é apenas um passatempo. Ela também colabora para o crescimento intelectual e traz alegria às pessoas.

A equipe pedagógica da Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) “Adirce Cenedeze Caveanha”, no Jardim Ypê V, concorda com esses benefícios e conta que há outras mudanças significativas no ambiente escolar. Há um ano na coordenação pedagógica da unidade escolar, Vanderlei Roberto Gabricio, notou que os alunos desenvolveram a habilidade do diálogo que, muitas vezes, não existe em casa.

Ele observa que com a leitura eles se abrem e contam situações vividas que de outra maneira, talvez colocados para conversar de modo formal, jamais fariam. “Eles ainda aprendem a respeitar opiniões diferentes”, pontua Gabricio.

A diretora Ana Flávia Camargo Barbosa Chiorato destaca o respeito pelo patrimônio escolar. Como os alunos são incentivados a levar livros para casa e lê-los durante o semestre, criou-se neles a responsabilidade de zelar por aquele exemplar que não é só dele, mas, sim, da escola e de todos.

TERTÚLIA LITERÁRIA

Os benefícios no dia a dia de quem lê

A professora de Língua Portuguesa Isabel Vieira Bonvicini explica que a leitura é desenvolvida em várias séries. Nos dois últimos anos do ensino fundamental o foco é prepará-los para o ensino médio. Na 8ª série, eles ainda estão envergonhados e com a leitura os alunos são preparados para falar em público e com as atividades de leitura em sala eles vão perdendo esse medo trabalhando a oralidade.

multi livrosJá no 9º ano o foco é fazê-los refletir sobre a realidade deles e trabalhar a capacidade de argumentação com o projeto Tertúlia Literária. “A leitura vai ajudá-los na interpretação de textos na hora de fazer um concurso público, por exemplo. Observamos que para eles é mais fácil ingressar em uma ETEC (Escola Técnica Estadual) ou no Camp (Centro de Aprendizagem Metódica Profissionalizante). É visível essa diferença com outros jovens”, comemora a professora.

A cada semestre os alunos tem um clássico da literatura para ler. A cada semana a classe tem como tarefa ler o mesmo capítulo. No dia dedicado a leitura eles vão ao pátio ou a um ambiente diferente para comentar o capítulo que leram em casa. É feita uma roda e todos escutam atentamente o colega explicar o ponto alto, o que mais lhe interessou na leitura. “Isso os educa a saber ouvir, aprendem que é preciso esperar o colega até chegar a sua vez, melhora o relacionamento entre eles e as experiências do grupo criam entre eles um vínculo maior”, diz a professora.

Nesse ano, eles estão lendo “Capitães de Areia”, de Jorge Amado. “Assim como esse livro, são vários os clássicos que se relacionam com a idade deles e com a vida atual de cada um”, explica Isabel.

multi livros

O projeto fez tão bem para os estudantes que os levou a ação. Eles observaram a dificuldade da escola em comprar um exemplar para cada aluno da classe. “Eles próprios deram a ideia de fazermos um feirão de roupas e sapatos. Os alunos foram trazendo o que tinham em casa e arrecadamos o suficiente para comprarmos dois kits de clássicos (60 livros). No segundo semestre do ano passado até a comunidade do bairro ajudou com um novo feirão e conseguimos comprar mais 120 livros”, contou entusiasmado o coordenador pedagógico.

CRIANÇAS E ADULTOS

Biblioteca Municipal comemora aumento de leitores

 Mesmo com o tempo cada vez mais curto, com a tecnologia e outros atrativos para ler e ver, a Biblioteca Municipal “João XXIII” comemora o aumento não só no número de leitores a cada ano, mas também o aumento do acervo com novas aquisições e doações. A responsável pela biblioteca, Regina Célia Paulino Gondin da Silva, observa que mesmo Mogi Guaçu não tendo livrarias, as pessoas continuam comprando novos títulos e, cada vez mais, doando para o acervo municipal.

Regina
Regina

Regina diz que nos tempos modernos é preciso fazer com que a biblioteca esteja sempre viva e, por isso, anualmente realizam concursos de redação e poesia, além de também fazer a divulgação de cada novo livro na página do Facebook. Só neste ano já foram 4.606 livros emprestados.

Há uma semana, passou a funcionar um link do site da Prefeitura em que é possível consultar todo o acervo da biblioteca. Há tópicos de pesquisa por autor, assunto e título. Basta acessar o site: www.mogiguacu.sp.gov.br/v2/sec_cultura/biblioteca.

Embora o público adulto predomine no perfil da clientela, optando sempre pela leitura de biografias, os jovens estão cada vez mais interessados em adquirir o hábito da leitura. Regina diz que o sucesso entre eles são os livros em série, que saem das telas do cinema ou da TV para as livrarias.

Entre os mais emprestados da literatura luso-brasileira, Regina destaca aqueles que são solicitados em vestibulares e para avaliação de disciplina em algumas escolas. O Camp é um dos grandes incentivadores. No ato da inscrição, o adolescente é encaminhado para fazer a carteirinha da biblioteca “João XXIII” e já empresta o 1º livro para ler.

Os gibis da Turma da Mônica Jovem caíram no gosto dos adolescentes. Ana Lívia Murilo Toso, 11 anos, e Lívia Sophia Rodrigues Gomes, 12 anos, estavam aproveitando o tempo livre para ler a coletânea de gibis.  “São interessantes e parecidos com Mangá”, comenta Ana Lívia. “Gosto porque têm aventuras bem legais de ler”, conta Lívia Sophia. (KA)

Ana Lívia e Lívia Sophia
Ana Lívia e Lívia Sophia
  • Mais lidos na Biblioteca Municipal ‘João XXIII’

“Dom Casmurro” (literatura luso-brasileira)

“As Crônicas de Nárnia” (romance de alta fantasia)

“Peça-me o que Quiser” (literatura erótica)

“A Garota no Trem” (suspense)

“Hebe” (biografia)

“Ladrão de Almas” (literatura fantástica)

“A Casa das Orquídeas” (romance/ficção)

“Rita Lee: Uma Autobiografia”

“Iracema” (literatura luso-brasileira)

“A Cabana” (ficção)

multi livros vinicius

“O projeto me ajudou bastante. Antes minha mãe era quem lia para mim, eu não lia. Hoje gosto de ler revistas com conteúdos científicos. Nos ajuda como alunos a conversar melhor dentro da sala e entre nós mesmos e com os professores, porque podemos expressar nossos sentimentos”.

Vinícius Gustavo Alves Uzai, 14 anos

 

nicole multi livros

“Não gosto de ler livros grandes (muitas páginas), mas leio livros pequenos e revistas. O bom é que com o projeto não ficamos apenas na teoria de ler dentro da sala de aula. Nós também interagimos com os demais, cada um dá a sua opinião”.

Nicole Christiny da Silva Soares, 14 anos

 maria eduarda multi livros

“Minha mãe sempre lia para mim e eu sempre gostei de ler, mas melhorou muito a comunicação entre nós, alunos, e gostei muito desse projeto. No ano passado, fui pela primeira vez para a Bienal do Livro com a excursão da escola. Conhecemos escritores e isso me incentivou bastante”.

Maria Eduarda Pereira, 15 anos

 

 

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