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Dia do Beijo: Como a expressão pode afetar nossa vida

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Você beijou nesta sexta-feira? Não? É que dia 13 de abril foi o Dia do Beijo… Calma, não se preocupe. Você ainda tem o resto do ano para expressar carinho e amor. A psicóloga Flávia Lima Morgon comenta que o ser humano é muito ligado aos rituais e dias especiais, como este, são considerados importantes e devem ser comemorados.

Mas ela alerta para o excesso de comemorações propagado pelas redes sociais, como se fossem únicos e devessem ser celebrados somente naquele momento. “Há algumas datas que podem ser celebradas todos os dias e não é preciso deixar para dar aquele abraço ou beijo somente na data marcada. Não espere essas datas para entrar no clima. E o resto do ano, não precisa mais?”, frisa a psicóloga.

Em especial o beijo, para o brasileiro é algo do cotidiano. Flávia lembra que em algumas culturas não existe o toque ou o beijo nos cumprimentos. Geralmente, são expressões que se distanciam do rosto ou da boca. “Na nossa cultura o cumprimento é uma expressão de afeto (beijinho no rosto) que não chega a ser um beijo e, sim, o toque das bochechas, porque o brasileiro tem essa coisa do toque, somos afetivos e isso não é um desrespeito. O problema existe quando há exageros”, pontua Flávia.

Há, portanto, que analisar o contexto das situações como, por exemplo, em uma reunião de negócios em que o contato é o cumprimento com as mãos.

EXPRESSÃO DE AFETO

O cuidado com a banalização do beijo

 O contexto social atual, no entanto, traz uma preocupação para a psicóloga que integra o Núcleo de Terapia Familiar e de Casal. Para ela, há uma inversão de valores e o beijo na boca que era tão valorizado acabou sendo banalizado. “Antigamente havia rigidez. O beijo era só depois de o namoro ser oficial ou após o casamento, era para ser especial. Não precisamos voltar como era antes, mas não podemos perder a essência do beijo romântico. Fomos perdendo essa essência, que é o beijo ser especial para nossa própria história”.

Flávia
Flávia

A psicóloga lembra que a boca é uma zona erógena do corpo e, por isso, de prazer. Mas frisa que o beijo é, primeiramente, uma expressão de afeto e não apenas de conotação sexual. Afinal, o beijo na nossa vida começa cedo. Quando se é bebê é uma singela expressão de afeto dos familiares. Depois, o bebê passa a conhecer o mundo a sua volta pela boca, é a sucção na hora de mamar, alguns chupam o dedo, as primeiras papinhas e logo, logo é estimulado a também beijar. Assim, o beijo passa a ser estimulado e vai produzir em nós o hormônio do prazer (dopamina).

Por isso, ela salienta o cuidado que os pais e familiares devem ter ao beijar as crianças na boca. Segundo Flávia, isso pode deixar a criança confusa. Porque ela passa a encarar o beijo na boca como algo natural e normal a ser expresso. Comportamento que, muitas vezes, as deixam vulneráveis aos abusadores que sempre se aproximam conquistando as vítimas.

Outro conflito é que a criança percebe nos filmes e novelas que logo após o beijo na boca os adultos acabam indo para a cama e relacionam precocemente o beijo ao sexo. “Não existe um estudo que comprove que esse costume em algumas famílias traga problemas emocionais, mas eu não concordo pelas mudanças sociais e pela cultura sexualizada em que vivemos, vejo que, neste momento, não é uma boa conduta”, pontua Flávia.

multi dia do beijo

 “BOCA VIRGEM”
O primeiro beijo

Entre os adolescentes há a pressão para que deixem de ser BV (Boca Virgem). Os adolescentes encaram isso como algo muito importante a ser conquistado e acabam sendo levados a beijar qualquer pessoa, em qualquer lugar. “Muitas vezes, na presença de amigos que formam aquela rodinha. E, assim, o beijo e o sexo acabaram passando por essa inversão”.

Não podemos esquecer que ainda vivemos em uma cultura machista na qual, muitas vezes, o homem detém o poder no sentido sexual. Geralmente, tem mais força e agarra as mulheres tentando ganhar um ‘beijo a força’.

Por isso, Flávia incentiva os pais a conversarem com os filhos sobre este assunto, a fim de que o beijo seja algo íntimo e com uma pessoa legal para que o jovem guarde boas lembranças daquele momento. Ela incentiva o resgate do valor do beijo com amor. “É natural que os jovens tenham curiosidade, mas que a família oriente para que o beijo e a vida afetiva e sexual seja algo privativo e para que as lembranças não sejam marcadas por algo negativo, só pelo fato de ‘perder a virgindade’”, orienta a psicóloga.

Os pais devem também explicar aos filhos sobre a valorização da vida, pois não é uma questão apenas social, há as epidemias, lembra Flávia. “A boca é uma parte do corpo a zelar para a preservação da saúde e da vida afetiva”, conclui.

multi dia do beijo“DOENÇA DO BEIJO”

A troca constante de parceiros é principal causa de transmissão

 A mononucleose infecciosa é também conhecida como a Doença do Beijo. “Mas não é preciso ter pânico, apenas cautela”, pontua o médico sanitarista Paulo de Oliveira e Silva. Ele diz que um grande percentual dos brasileiros já teve a doença e sequer sabe por que nem percebeu os sintomas, que são muito semelhantes a uma gripe ou dor de garganta. Porém, basta fazer um exame de sangue e nele constará que em algum momento da vida a pessoa teve – ou não – a mononucleose.

O médico diz que é algo comum e que, inclusive, acomete muito as crianças e também os adultos na faixa etária dos 15 aos 25 anos. A doença é transmitida por um vírus e o tratamento é apenas dos sintomas. O vírus é transmitido não só pela saliva, mas também por espirros e tosse. O período de incubação no organismo é de 30 a 45 dias e a transmissão pode durar 1 ano ou mais.

A doença não deixa sequelas na grande maioria dos casos, com exceção das pessoas com imunodeficiência. Não existe vacina ou medicação específica, basta apenas tratar os sintomas. No entanto, o médico faz um alerta: quando a doença passa para a fase aguda, com o aparecimento de ínguas, pus nas amígdalas, dor cervical, dores no corpo e nas juntas. “Em casos mais graves há o inchaço do fígado e do baço. Mas, no geral, regride espontaneamente e some. A recuperação é total em 99% dos casos”, pontua Paulo Silva.

Paulo Silva
Paulo Silva

A cautela, segundo o médico, no caso da transmissão por beijo em adultos é devido à troca constante de parceiros. “Porque outras doenças podem ser transmitidas pela saliva ou pelas vias respiratórias e são mais graves, como Hepatite A, a tuberculose pulmonar e a herpes labial. Já a Aids não é transmitida pelo beijo”.

BEIJOS CINEMATOGRÁFICOS*

O primeiro beijo – de verdade – do cinema foi em ‘O Diabo e a Carne’, em 1926. De lá para cá, muitos casais já nos inspiraram trocando beijos apaixonados nas telonas. Qual é o seu preferido?

 

Clark Gable e Vivien Leigh em “E o Vento Levou…” (1939)

Burt Lancaster e Deborah Kerr em “A Um Passo Da Eternidade” (1953)

Doris Day e Rock Hudson em “Confidências à Meia-Noite” (1959)

Dustin Hoffman e Anne Bancroft em “A Primeira Noite de Um Homem” (1967)

Sidney Poitier e Katharine Houghton em “Adivinhe Quem Vem Para Jantar” (1967)

Ryan O’Neal e Ali MacGraw em “Love Story” (1970)

Daryl Hannah e Tom Hanks em “Splash – Uma Sereia em Minha Vida” (1984)

Patrick Swayze e Jennifer Grey em “Dirty Dancing – Ritmo Quente” (1987)

Macaulay Culkin e Anna Chlumsky em “Meu Primeiro Amor” (1992)

Leo DiCaprio e Kate Winslet em “Titanic” (1997)

 

(*Fonte: Pramount Channel)

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