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Darvino Neto: A emoção de ser o Papai Noel

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Ele é avô de oito netos e admite: quando um deles se aproxima do Papai Noel para fazer um pedido de Natal, dar um abraço e tirar uma foto, o aposentado Darvino Anselmo de Sá Neto não segura as lágrimas. “É muita emoção. Eu choro mesmo. Ver meus netos ali, olhando para o Papai Noel, encantados”. É que neste caso o Papai Noel é o próprio seo Darvino. Ele se transforma no Bom Velhinho há três anos e é a principal atração da praça central na cidade vizinha Conchal. “Os meus netos pequenos ainda não me reconhecem. Os maiores já sabem que sou eu quem está ali debaixo daquela roupa toda”, diz ele.

Aos 59 anos, Darvino conta que ser o Papai Noel de tantas crianças é sua maior alegria nessa época do ano. Contratado pela Acico (Associação Comercial e Industrial de Conchal), ele confessa que não acreditava que seria o Bom Velhinho por três anos consecutivos. “Sou muito tímido. Então, achei que não saberia lidar com tanta gente em volta, tirar foto, conversar. Fiquei na dúvida se as pessoas iam gostar de mim. Mas acho que deu certo, né (risos) porque já faz três anos que sou Papai Noel e gosto demais”.

multi darvino papai noelEste ano, Darvino está surpreso com a quantidade de pessoas que estão indo à praça central de Conchal para visitar o Papai Noel. “É muita gente! Nos outros anos não tinha tantas pessoas. Acho que estão passando por ali cerca de 300 pessoas por noite. Todas querem um abraço, tirar foto e eu atendo com muito carinho”.

Tanta gente assim deixa o Papai Noel preocupado com o tamanho da fila que se forma em frente a “sua casa”, na praça da cidade. “Porque quero atender todos que estão na fila, esperando e, às vezes, fico com receio de não dar tempo, porque às 22h00 o comércio fecha e temos de ir embora. Faço de tudo para não deixar as crianças saírem dali sem dar fazer o pedido de Natal para o Papai Noel”.

E, por falar em pedido, este ano, seo Darvino ouviu de uma menina que seu maior desejo era ganhar um bolo de aniversário no Natal. De família muito pobre, esse foi o único pedido que ela fez para o Bom Velhinho. “Ela faz aniversário na véspera do Natal e a família não tem dinheiro para comprar ou fazer o bolo. Esses pedidos mexem muito comigo e choro mesmo, porque o olhar brilhante das crianças é muito verdadeiro. Elas ficam encantadas e muitos querem ficar ali, comigo”, conta Darvino.

JÁ ERA ADULTO

Ao lado dos filhos, ele viu o Bom Velhinho pela primeira vez

 O forte calor dos últimos dias não desanimou Darvino. Durante a semana, todo fim de tarde, ele veste a roupa vermelha, botas pretas, uma longa barba branca e o gorro e segue com seu trenó para encontrar as famílias com suas crianças. “Está muito calor, sim, mas onde fico tem muitos ventiladores e, por vezes, as ajudantes param a fila para eu tomar m pouco de água. Ajuda a refrescar”, pontuou.

Mas nem o calor, nem o tumulto tiram a emoção de Darvino nestes dias que antecedem o Natal. Transformar-se em Papai Noel é, para ele, um grande aprendizado. “É uma troca de carinho verdadeiro. As crianças pedem presentes, mas eu vejo que o que mais querem é estar ali, com o Papai Noel. Elas dizem que sou lindo (risos), que acreditam no Papai Noel. Perguntam se eu sei mesmo onde elas moram e dizem que vão ficar me esperando no Natal. Eu me emociono muito, todos os anos”.

multi darvino papai noelE não são apenas as crianças que tiram lágrimas dos olhos de seo Darvino, os idosos também mexem com a emoção dele. É que o asilo de Conchal também recebe a visita do Papai Noel que leva presentes para todos os idosos que vivem lá. Mas Darvino garante: o principal presente quem recebe é ele mesmo. “O carinho com que os idosos me recebem. Os abraços que me dão… não tem preço que pague e me sinto tão feliz! Confesso que é uma das minhas maiores emoções”, diz ele.

Ano passado, quando visitou o asilo pela primeira vez como Papai Noel, Darvino conta que chorou demais ao chegar em casa e ele sabia o motivo de tantas lágrimas. “Solidão. Embora aqueles idosos sejam muito tratados e cuidados lá no asilo, muitos deles não recebem visitas. Nem dos filhos. Chegam naquela idade sozinhos. Eu acho isso triste e sinto muito por eles. Este ano vamos lá de novo”.

Pai de três rapazes, Darvino lembra que foram os filhos os responsáveis por fazê-lo ver o Papai Noel pela primeira vez. É quando era criança, Darvino vivia num sítio longe da realidade e da fantasia do Natal. “Naquela época, eu nem sabia direito o que era Papai Noel. Não tinha nada disso”, recorda.

Mas bastou os filhos nascerem e crescerem um pouquinho para Darvino levá-los para verem de perto o Papai Noel. “Eles adoraram e eu também (risos). A gente ia às praças, ao shopping, onde tinha um Papai Noel, a gente ia ver. Hoje, eu sou o Papai Noel de muitos, inclusive dos meus netos… acho que já ganhei minha recompensa de Deus, né”, finaliza, emocionado.

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