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Cuidados de idoso: profissão está em ascensão e exige muito amor

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O cuidador de idoso está entre as 20 ocupações que mais tiveram acréscimo na quantidade de profissionais entre 2007 e 2017. Os dados constam da Rais (Relação Anual de Informações Sociais) do Ministério do Trabalho. A profissão foi regulamentada recentemente pelo Senado. Quem trabalha na área diz que a função exige muito mais do que conhecimento, pois envolve muito amor.

Há sete anos, Rosemeire Gomes Alves Barbosa, 57, abraçou a profissão e diz que faz o que ama. Comenta que é preciso ter qualificação, na qual se aprende questões referentes à higiene e alimentação, mas não aconselha a ninguém exercer a profissão sem que tenha amor pelos idosos. E destaca a relação de confiança que se estabelece com a família.

DOM

“Profissão é 90% amor”, afirma Rose

Cuidar de idosos sempre foi uma atividade voluntária exercida por Rosemeire Gomes Alves Barbosa, 57, a Rose. Isto porque, sempre se identificou com a função e destinava parte do tempo livre aos idosos doentes. Depois da aposentadoria, após anos de trabalho em hotelaria, ela resolveu se especializar na área e fez vários cursos. Admite ser importante a qualificação, mas ressalta que a função exige 90% de amor.

Rose e seu José Pipoqueiro
Rose e seu José Pipoqueiro

Nos cursos, os futuros cuidadores aprendem sobre como cuidar da higiene pessoal, da alimentação e das medicações, entre outras coisas. “Mas não posso dizer que estou aqui pelo dinheiro. Só pelo dinheiro não se faz um bom trabalho. Eu amo o que faço. É meu dom”, diz a cuidadora.  

O apreço aos idosos é creditado ao fato de ela própria não ter tido a chance de cuidar dos pais, parentes e do marido. “Perdi meus pais, meus três irmãos e meu marido. Não tive a chance de cuidar de nenhum deles porque morreram todos de forma rápida”, conta. Rose tem uma filha e casou-se novamente.

Atualmente, zela de José Vilela Ribeiro, 89, popularmente conhecido como José Pipoqueiro, apelido atribuído ao ofício que exerceu por décadas na região da Vila Paraíso. É a segunda vez que a cuidadora trabalha na mesma casa. Foi ela quem cuidou da esposa de José, falecida há dois anos e dois meses. A idosa ficou oito meses sob os cuidados de Rose. A cuidadora conta que a hora da partida (morte) dos pacientes é muito dura porque mexe muito com o emocional e, por isso, confessa precisar de um tempo para se restabelecer. Só depois deste restabelecimento, Rose parte para um novo trabalho.

 

ANOTADO

O trabalho de cuidadora é exercido todos os dias, exceto feriados, sábados e domingos, das 8 às 17 horas. Neste período, 100% da atenção é voltada ao paciente. Afinal, é preciso zelar até mesmo do cochilo deles, ver se está tudo bem, cuidar para não levantarem sozinhos, por exemplo. Como seu José é diabético, Rose também fica de olho na alimentação. “Suco apenas natural e nada de doces”, destaca. A taxa de glicemia é aferida, assim como a pressão arterial.

valdineia filha jose e rose multi cuidadora idosoRose conta que com o passar do tempo, entende o que o idoso quer apenas através do olhar. Com isto, a relação de confiança fica estabelecida. E tudo o que ocorre desde a hora em que ela chega ao trabalho a hora que sai é relatado em um diário. “Aqui, eu escrevo como o encontrei, o que ele comeu, qual o remédio tomou, a que horas. Está tudo aqui. Faço isso com todos que cuido”, diz, mostrando o caderno de anotações. E faz questão de destacar que tem que deixar tudo certinho para a família, assim quem chegar para o período noturno, sabe tudo o que aconteceu durante o dia.

Para a filha caçula de José, Valdinéia Vilela Ribeiro Quaresma, o trabalho de Rose é irretocável, pois cuida e tem carinho. Para a família, que precisa da ajuda do profissional, é fundamental ter alguém de confiança e que transmita essa segurança. Na casa, além de seu José, existe outra pessoa acamada, a filha dele Lúcia, 54, portadora de ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) e que também precisa de cuidados 24 horas.

rose multi cuidadora idoso

MERCADO

Cuidador de idoso está entre 20 profissões que mais cresceram

Da Redação

Dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério do Trabalho apontam que as 20 ocupações que mais tiveram acréscimo na quantidade de profissionais entre 2007 e 2017 estão ligadas a saúde, educação infantil, agroindústria e tecnologia da informação. 

Rose
Rose

Mas a ocupação que mais cresceu no período analisado está relacionada ao envelhecimento da população. Os cuidadores de idosos tiveram um aumento de 547%, passando de 5.263 profissionais em 2007 para 34.051 em 2017, dos quais 85% são mulheres com o ensino médio completo.

O professor de nível superior na educação infantil é a segunda profissão com maior avanço nos últimos anos, seguido dos preparadores físicos.

Em 2018, o Ministério do Trabalho criou o Comitê de Estudos Avançados sobre o Futuro do Trabalho, dedicado a estudar e propor formas de preservação do emprego diante dos desafios dos novos tempos. Profissões com tendência de extinção e áreas de trabalho em expansão estão entre os temas discutidos pelo grupo, que conta com representantes do governo, do judiciário, das entidades representativas de classe e sindicais e do meio acadêmico.

 

NO SENADO

Profissão é regulamentada por lei

A lei que regulamenta a profissão de cuidador de idosos foi aprovada no Senado e aguarda sanção presidencial. De acordo com o texto, esses profissionais deverão ter o ensino fundamental completo e curso de qualificação na área, além de idade mínima de 18 anos e atestados de aptidão física e mental. A atuação do cuidador poderá se dar em residências, comunidades ou instituições.

A atividade de cuidador poderá ser temporária ou permanente, individual ou coletiva, visando autonomia e independência da pessoa atendida, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida.

O texto da regulamentação proíbe a esses profissionais a administração de medicação que não seja por via oral nem orientada por prescrição médica, assim como procedimentos de complexidade técnica. Os trabalhadores também poderão ser demitidos por justa causa se ferirem os direitos previstos no Estatuto do Idoso (Lei 10.741, de 2003).

Quando o cuidador for empregado por pessoa física, para trabalho por mais de dois dias na semana, atuando no domicílio ou no acompanhamento de atividades da pessoa cuidada, terá contrato regido pelas mesmas regras dos empregados domésticos. Se for contratado por empresa especializada, estará vinculado às normas gerais de trabalho.

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