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Crônica: Ações da Petrobras, o grande martírio do Oscar

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Na sexta-feira à noite, fui até Mogi Guaçu para “colocar o papo em dia”, com um velho amigo, o Oscar, a quem não via há mais de um ano. Era para ser uma conversa agradável, em que rememoraríamos nosso passado, falaríamos sobre família – ele tem dois filhos jovens – e política, assuntos que sempre tratamos em outros encontros. Achei o Oscar mais magro, um pouco abatido, com umas olheiras profundas, contudo, logo fui tranquilizado quando ele me disse que está fazendo seus exames preventivos anualmente e sua saúde está mais que normal. Então, por que aquele aspecto, incomum a uma pessoa de vida regrada, com hábitos saudáveis?

Muito embora nossa amizade permita um aprofundamento em assuntos pessoais, eu não poderia fazer uma pergunta direta, pois ele poderia notar minha percepção de que algo não estava indo bem. Sutilmente perguntei como estava a Amanda e seus filhos, a Márcia e o Reinaldo. Nesse momento, o semblante de meu amigo mudou completamente: abriu um largo sorriso, demonstrando que estava indo tudo bem no relacionamento familiar. “Estamos vivendo um excelente momento de vida, eu e a Amanda, aposentados, e nossos filhos, formados; só tenho que agradecer a Deus esse momento”. Eu me tranquilizei, mas sabia que algo estava acontecendo.

Como era natural, conversamos um pouco sobre política: a administração do Walter Caveanha, e a possibilidade de ele se candidatar à reeleição. Falamos também do Hélio Miachon Bueno, um político de carreira que ainda não definiu se entrará na disputa. Marco Antonio também entrou na roda, além de outros que despontam para disputar a sucessão do Walter. Na brincadeira, ofereci a ele para a disputa, o nome do prefeito de Mogi Mirim, Gustavo Sttup, em retribuição à participação do Carlos Nelson Bueno na política de Mogi Mirim, minha cidade.

Oscar é cidadão politizado, mas sempre foi avesso à política partidária. Nunca deixa um comentário sem, resposta, seja ele qual for. Com um sorriso na face, respondeu:

– Eu não achei certo o Carlos Nelson ser prefeito em Mogi Mirim, pois a cidade possui nomes à altura para administrá-la, assim como não acho certo o Sttup transferir seu título para Mogi Guaçu para se candidatar aqui. E, Maurinho, mesmo que aceitássemos um forasteiro, você não teria um melhorzinho para mandar para cá? Ele não é bem vindo em nossa política, nem enroscará na curva de nosso rio.

A conversa estava amistosa, mas eu não deixava de pensar em possíveis problemas de meu amigo, principalmente nos momentos em que encarava suas olheiras, mas não poderia chegar a uma intromissão em sua vida pessoal, de forma direta. De outro lado, sabia que ele se abriria, mais hora, menos hora. E não deu outra, ele entrou no assunto em seguida.

– Na minha aposentadoria, recebi os encargos, saquei o FGTS de 35 anos e coloquei tudo na poupança. Daí, acreditando, eu saquei todo o dinheiro e apliquei em ações da Petrobras; nesta semana fui conferir o valor de minhas ações e descobri que estou com apenas 30% do valor que apliquei todas as economias de uma vida inteira de trabalho. Era a poupança para a velhice, para os remédios e algum passeio. Estou “quebrado”.

Esse era, e é, o problema de meu amigo. Como alento, disse a ele que o país é grande, forte, e que vencerá as turbulências. Disse ainda que esse governo passará e, quando isso acontecer, tudo voltará a ser como antes; será governado por gente séria, acabarão os roubos na Petrobras e as ações irão se valorizar. Ele observou:

– Maurinho, o povo brasileiro ainda não sabe votar, tem memória curta. E se o Lula voltar a ser eleito e voltar ao poder com seus velhos amigos?

A pergunta me pegou de surpresa. Não tive saída, disse a ele:

– Daí, você segue o conselho da Marta Suplicy: “relaxe e goze”.

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