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Criança Feliz: Tudo começou com ursinhos de pelúcia

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A comerciante Maria Cristina Morais decidiu que fecharia uma das lojas da família, na região dos Ypês, e ficaria apenas com a matriz. Após uma liquidação para encerrar as atividades, ela pensou no que poderia fazer com os ursinhos de pelúcia que ficaram pela loja. “O Natal para mim é algo mágico até hoje e é triste você esperar, esperar e não ganhar nada. Decidi, então, pegar essas pelúcias, consegui algumas outras doações, e fomos entregar às pessoas carentes”, contou.  

Isso foi há 10 anos! Um Natal diferente que, até hoje, mudou sua vida, da família e de amigos. E foi com essa experiência única que Cristina fez nascer o projeto “Criança Feliz”.

Aos poucos, o trabalho focado na distribuição de brinquedos no Natal foi crescendo, tomando forma, e da periferia passou a ser realizado também na Zona Rural e em outras épocas do ano, além do Natal.

Cristina
Cristina

Cristina lembra que todo o trabalho voluntário era concentrado no dia 25 de dezembro, fazendo o Natal de crianças carentes com a distribuição de brinquedos arrecadados. A cada ano as doações aumentavam e Cristina se lembra de ligar em setores da Prefeitura de Mogi Guaçu pedindo informações de bairros carentes para, assim, decidir em quais regiões o caminhão e os voluntários fariam as entregas.

Mas ela foi percebendo que nem todas as crianças ficavam satisfeitas, porque, muitas vezes, o brinquedo entregue aleatoriamente não era condizente com a idade ou com o sexo da criança. “Tinha tumulto em volta do caminhão, o medo de que alguma criança se machucasse. Então, decidimos focar nas festas em instituições. E com o passar dos anos passamos a acompanhar algumas famílias e também os idosos”, explica Cristina.

Inclusive, algumas dessas famílias com crianças portadoras de deficiência ou cujos responsáveis tenham certas limitações físicas, intelectuais ou financeiras também são assistidas pelo projeto “Criança Feliz”.

Para ela, a intenção é ir capacitando essas famílias, a fim de tirá-las da extrema pobreza. “Tem pai e mãe que não tem condição de comprar alimentos nessa época do ano e nem presentes. São famílias sem condições financeiras e que a alimentação básica dos filhos é feita na escola”, conta Cristina ao se lembrar destas tristes realidades.

cristina multi projeto crianca feliz

ORGANIZAÇÃO
Planejamento antecipado garante festas em várias entidades

 Há quatro anos, os voluntários do projeto “Criança Feliz” fazem a festa de Natal dos alunos da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). No ano passado, 1.030 crianças do CAIC (Centro de Apoio Integral à Criança), no Jardim Santa Terezinha, também receberam o Papai Noel e cerca de 50 crianças ganharam presentes na região do Cercado Grande. Cristina adora a ocasião e aproveita para se fantasiar de Mamãe Noel. Para ela, é a melhor das emoções: levar alegria para essas crianças.

cristina multi projeto crianca felizMesmo diante de tantas recompensas, o trabalho foi ficando maior e muito diversificado. No ano passado, por exemplo, Cristina, os voluntários e alguns empresários de Mogi Guaçu fizeram a Campanha do Agasalho. As doações foram direcionadas para algumas pessoas carentes assistidas pela entidade e para outras 80 famílias que residem na região rural do Mato Seco. São famílias de trabalhadores rurais que atuam na colheita de tomates.

No Dia das Crianças, as famílias do Mato Seco também ganharam uma festa. Além da entrega dos brinquedos, também teve teatro e muitas guloseimas. As crianças de um orfanato em Ouro Fino/ MG receberam doações que sobraram da festa realizada no ano passado. “É como sempre digo, a gente ajuda quem precisa de ajuda”, ressalta Cristina.

Até mesmo o irmão de Cristina se sentiu motivado a fazer a distribuição de brinquedos em Mogi Mirim, onde reside. E é claro que ela não deixa de dar uma mãozinha.

Todos os preparativos começam a ser definidos em março de cada ano. Nessa época, já são escolhidas as entidades, o que será entregue e quais serão as datas das festas.

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Metas

Já com o registro aprovado e uma diretoria funcionando, a fundadora do “Criança Feliz” quer ampliar as ações da entidade. A meta é conseguir uma sede própria para onde serão levadas todas as doações e feito o trabalho de separação e empacotamento. Atualmente, Cristina utiliza o piso superior da sua loja para acomodar as doações.

Na sede própria a intenção é manter um bazar e um brechó para que as famílias carentes possam ir buscar as doações. “Tudo para facilitar que cada um ganhe o tamanho certo”, diz Cristina.

cristina multi projeto crianca felizA ideia é aproveitar o conhecimento profissional de alguns voluntários para defender o bem comum. “Poderíamos ter salas de atendimento para os voluntários, a fim de que eles ajudassem ainda mais as pessoas carentes. Está nos nossos planos adquirirmos cadeiras de rodas, muletas para serem emprestadas, porque há muitos pedidos desses equipamentos”.

Vale ressaltar que faz parte da diretoria do “Criança Feliz” voluntários formados em Nutrição, Direito, Educação Física e Psicologia. Tornando o projeto ainda mais conhecido, Cristina quer conquistar mais voluntários e, consequentemente, atender ainda mais crianças e famílias carentes.

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DEDICAÇÃO

Credibilidade do projeto atrai voluntários

 Diante do crescimento do projeto, a dedicação de Cristina foi contagiando todos a sua volta. Hoje, ela conta com doações de outros comerciantes, dos fiéis da Paróquia Bom Jesus e até de funcionários. Há, inclusive, campanha na porta de mercados. Atualmente, são 13 voluntários trabalhando o ano todo nas campanhas e festas, além do apoio de 50 amigos e parentes.

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“Depois que eles foram pela primeira vez vestiram a camisa do “Criança Feliz”. Sou apaixonada por crianças, porque elas não têm maldade, não são falsas e não pediram para vir ao mundo. Já houve ocasiões em que sai de casas chorando pelas condições precárias nas quais as crianças vivem”, lamenta Cristina.

Ela é comerciante há 25 anos, mas entre os meses de outubro a dezembro fica ausente da loja deixando tudo nas mãos dos funcionários. “Dedico-me totalmente a essas crianças. Eles me ajudam e literalmente vestem a camisa, e não são só eles, as famílias desses funcionários também ajudam muito”, pontuou.

Nesse momento, a funcionária e braço direito é Ilma Alves da Fonseca Pereira, que trabalha há 17 anos na loja da Cristina, e cuida de tudo na ausência da patroa. Ilma também se encantou com o “Criança Feliz” e atua como voluntária. Principalmente, na triagem das doações que chegam à loja e na montagem dos saquinhos de balas. “A cada brinquedo que chega a gente olha e se realiza”, dizem Ilma e Cristina como se fossem crianças.

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