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Copa do Mundo: Eliminação, lágrimas e busca de evolução

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A seleção brasileira de futebol feminino, mais uma vez, carimbou sua participação em uma Copa do Mundo. Nesta temporada, o país escolhido para ser sede do evento esportivo foi à França. A seleção brasileira participou de sete edições da Copa e sua melhor posição ocorreu no ano de 2007, na China, quando foi vice-campeã, perdendo o título para Alemanha.

De lá para cá se passaram 12 anos e a evolução do futebol feminino não ocorreu. Na última década, a seleção feminina teve a melhor condição em 2011, quando chegou às quartas de final da competição.

O futebol feminino estagnou e, mesmo a jogadora Marta sendo eleita seis vezes melhor do mundo, a modalidade esportiva não teve atenção nem investimento pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol).

Atualmente, as jogadoras Marta, Formiga e Cristiane são referência no selecionado brasileiro. Em uma expressão muito usada no futebol, são elas que “carregam o piano” no time que é comandado pelo técnico Osvaldo Alvarez, o Vadão.

Hoje, várias equipes do futebol brasileiro também dispõem de um time feminino. Mas a estrutura disponibilizada pelos clubes e os investimentos aplicados nas equipes femininas estão bem longe de serem parecidos com os dos times masculinos.

As consequências da falta de atenção e investimento por parte de entidades e clubes são imediatas. Em competições de alto nível, como uma Copa do Mundo, as jogadoras femininas sentem um abismo entre suas preparações e das adversárias.

Marta
Marta

É nítido perceber a diferença física entre as atletas dentro de campo. As brasileiras até tentam equilibrar com ginga e raça, mas muitas vezes a boa forma física prevalece.

Nesta temporada de 2019, a seleção brasileira feminina acabou eliminada nas oitavas de final da Copa do Mundo pela França, donas da casa. A eliminação gerou lágrimas de várias jogadoras brasileiras que comoveu grande parte dos amantes do futebol.

Antes, durante e após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, campanhas e pedidos em rede social e, em vários canais de televisão, foram iniciadas pelas jogadoras brasileiras. Todas como o mesmo propósito: evolução do futebol feminino no Brasil.

As atletas Marta e Formiga devem deixar a seleção. A jogadora Cristiane bem provável que siga o mesmo caminho. A renovação precisa ocorrer e rápido. Caso contrário, o futebol feminino será um mero coadjuvantes das competições da modalidade esportiva.

mary (1)FUTEBOL FEMININO

Mery Person vê base como caminho para evolução

A guaçuana Mariana Brito Neves, a Mery Person, tem conhecimento de causa para apontar caminhos para que o futebol feminino brasileiro tenha evolução e comece a ser mais respeitado no cenário nacional e internacional.

Mary Person é atleta e treinadora de futebol feminino com grande bagagem nos Estados Unidos, em países Sul-americanos e na Europa. Grande conhecedora da modalidade esportiva, a guaçuana vê nas categorias de base o início do trabalho para a evolução do futebol feminino. 

“A principal mudança na minha opinião começa pela formação das atletas. Temos que fomentar a modalidade desde as categorias de base. A partir disso, podemos sonhar em dar outros passos importantes”, comenta Mary Person.

Apostar na formação de atletas nas categorias de base engloba também muitos outros fatores, além dos técnicos, a parte física e de estrutura também precisam receber atenção especial. “Tendo uma preparação de fato sólida na base, isso vai obviamente influenciar o nível técnico das atletas e das próprias equipes. Precisamos também ter um número maior de campeonatos paras as atletas mulheres. Hoje existem três no Brasil”, enfatiza a guaçuana.

A diferença de atenção do futebol feminino em relação ao futebol masculino também é um complicador e um fator que atrasa e, muito, a evolução e os possíveis investimentos na modalidade esportiva. “Os homens jogam pelo menos 10 competições no ano. Essa Copa do Mundo foi bacana em questão de visibilidade. Abriu-se uma porta que vai além do esporte. Acredito que toda essa visibilidade está ajudando as meninas e mulheres a entenderem e até a se questionarem sobre nosso espaço na sociedade”, pontua a atleta e técnica Mery Person.

mary (7)

Outra esperança de Mery é que as mulheres comecem a lutar mais pelo espaço na modalidade esportiva, com mais igualdade nas condições de trabalho e de salário com os homens. “Ver muitas outras mulheres assistindo aos jogos e apoiando a seleção me trouxe uma nova esperança de ver a modalidade crescer e melhorar depois de tantos anos jogando e trabalhando em prol desse futuro prometido. Existem vários tópicos que precisam ser discutidos de uma forma mais detalhada e profunda como desigualdade de gênero, o problema do preconceito que já é algo cultural e estrutural no nosso país, além da falta de contratos e patrocínios”, aponta.

Ter um clube para jogar, campeonatos para disputar e um remuneração adequada para desempenhar como profissionalismo o futebol feminino, são condições indispensáveis para que a modalidade cresça no país.

“Acho que a princípio precisamos ter o básico de uma forma consistente. As atletas precisam primeiro poder jogar, ter um clube, e tendo um clube, tem que haver campeonatos. E dentro desse contexto todo precisa também ser remunerada. Costumo dizer que sonhar é lindo, mas não paga nossos boletos no final do mês. Por isso, essa conversa de que “jogamos por amor a camisa” não me seduz”, exclama Mery Person.

mary (2)A guaçuana admite que falta muito ainda para que o futebol feminino tenha evolução e representatividade no Brasil, além de maior respeito em competições de alto nível, como os Jogos Olímpicos e Copa do Mundo. “Não acho que evoluímos. Melhoramos, mas ainda falta muito para de fato evoluirmos. Estamos atrás de outros países que são potência. Tive a oportunidade de jogar e trabalhar como treinadora na França e nos Estados Unidos. Estamos muito atrás. Progredindo, é verdade, mas ainda estamos longe do ideal”, conclui a guaçuana.

Com carreira edificada fora do Brasil e uma história construída com passagens em vários países, Mary Person se diz militante para evolução do futebol feminino no Brasil. “É preciso criar oportunidades não só nos grandes centros. Consolidei minha história e carreira lá fora. Comecei jogando com 10 anos e hoje com 35 ainda sou militante e muito atuante na modalidade, mas senti na pele esse descaso. Da minha geração sou a única “sobrevivente”. Não tive a oportunidade de jogar ou viver do futebol na minha cidade ou país”, encerra a guaçuana.

COPA DO MUNDO

Estados Unidos e Holanda brigam pelo título

Da Redação

A final da Copa do Mundo de Futebol Feminino na França será realizada neste domingo, às 12h00 (horário de Brasília), no Estádio de Lyon, quando Estados Unidos e Holanda entram em campo para disputar o título da competição.

A França é a sede da 8ª Copa do Mundo de Futebol Feminino. A competição, que contou com a participação de 24 equipes, começou no último dia 7 com o jogo de abertura entre França e Coreia do Sul.

trofeuMesmo antes do seu fim, a Copa do Mundo de futebol feminino na França já coleciona recordes de audiência ao redor do mundo. Inicialmente, a FIFA esperava alcançar 1 bilhão de pessoas, mas, no entanto, os números atingidos até o momento fazem com que a entidade refaça seus cálculos, usando valores ainda maiores. Há um caminho a ser trilhado, porém tem sido muito importante perceber que existe interesse.

Segundo o El País, além do Brasil, países como Espanha, Holanda, Itália, Argentina, Inglaterra e a própria França bateram também bateram recordes de audiência. A França, sede do torneio, também transmitiu seus jogos em TV aberta e atingiu picos de até 11 milhões de telespectadores, triplicando o maior número já atingido em um jogo feminino de futebol.

 

Brasil

O Brasil ocupa a 10ª posição no ranking da Fifa. Participou de todas as edições da Copa do Mundo. O melhor resultado foi o vice-campeonato em 2007. A seleção canarinho é campeã da Copa América 2018. A conquista levou a equipe à Copa da França. O treinador é Vadão. Ele já comandou a seleção feminina na Copa do Canadá (2015), venceu o Pan-Americano (2015), ficou em 4º lugar nas Olimpíadas 2016 e venceu a última Copa América.

No último dia 23, a seleção brasileira feminina lutou até o fim, mas foi superada pela França por 2 a 1 e se despediu da Copa do Mundo. No Stade Oceáne, em Le Havre, o duelo válido pelas oitavas de final terminou com um empate em 1 a 1 no tempo normal. Já na prorrogação, a equipe francesa chegou ao segundo gol.

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