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Com risco de desabamento, casa é interditada

Local oferece risco iminente aos moradores; vazamento provocou o solapamento de grande proporção

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A família Vilela teve a casa interditada pela Defesa Civil do município por haver risco iminente de acidente aos moradores. A interdição aconteceu há 10 dias. Desde então, os proprietários do imóvel Claudinei Vilela e Roseli Lora Vilela, juntamente com a nora e dois netos, estão abrigados na casa de uma filha no Residencial Ypê Amarelo, onde já residem outras sete pessoas, sendo cinco crianças. O imóvel interditado está condenado, tem de ser demolido, mas a família afirma não ter recursos.  

A Defesa Civil constatou solapamento (piso e alicerce) em grandes proporções, sendo a interdição ocorrida após análise da equipe do setor de engenharia da SOV (Secretaria de Obras e Viação). “Após constatação de profissional habilitado com CREA para realizar reforma ou demolição, o mesmo deverá dar entrada na documentação junto à SPDU (Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano) para orientações necessárias em cumprimento à legislação vigente”, traz o comunicado de interdição afixado no portão da residência.

Roseli e Claudinei
Roseli e Claudinei

À Gazeta as explicações da família são de que o solapamento é decorrente de vazamento de água, o que, segundo eles, se estende há anos, pois sempre observaram valores altos na tarifa de água. E, apesar disso, pagavam as contas junto ao Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto), conforme informaram à reportagem. A última conta, por exemplo, estaria em quase R$ 5 mil.

De acordo com o proprietário do imóvel Claudinei Vilela, a equipe do Samae foi acionada várias vezes ao local. “Como não tinha vazamento no cavalete, eles explicaram que dentro da casa é responsabilidade do morador”, comenta explicando que chegou até mesmo a vistoriar a caixa de água em busca do problema.

Diante do agravamento da situação, um parente da família que é técnico em edificações compareceu ao imóvel e com o uso de geofone constatou o vazamento no banheiro. Foi quando mexeram no local, quebrando a parede e piso e observaram o solapamento. Roseli, a dona da casa, disse que a água levou toda a terra. “Está tudo oco por baixo”, pontua. Um engenheiro foi acionado pela família e constatou a necessidade de demolição. No entanto, eles não têm recursos financeiros. Claudinei está desempregado e a única renda da família deriva da sucata que é coletada pela esposa. Com a mudança para o Ypê Amarelo, a família não tem como desempenhar esta tarefa.  

As casas do Ypê Pinheiro foram construídas pela CDHU, mas a família já quitou o financiamento e foi informada de que não tem direito ao seguro que pagou à estatal ao longo dos anos. Eles informam que também estiveram na SPDU e reclamam do fato de não conseguirem a planta do imóvel. Outra solicitação dos moradores é a oferta de moradia social, ou seja, imóvel cedido pela Prefeitura para que se abriguem até que a situação seja resolvida.

 315_Casa Interditada Ipê Pinheiro

OUTRO LADO

De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura, a planta pode ser solicitada por meio do programa de plantas populares que é oferecido por meio de convênio com a Proguaçu S/A. O documento contempla imóveis de 30 a 60 metros².

A moradia provisória é ofertada em caso de calamidade pública, por exemplo, enchente. No entanto, a Secretaria de Promoção Social está recolhendo os relatórios da Defesa Civil, Cras/Norte (Centro de Referência em Assistência Social) e Samae. A documentação será enviada para consulta da Secretaria de Negócios Jurídicos, órgão ao qual competirá analisar se há alguma medida legal a ser tomada por parte do município.

Por sua vez, através da assessoria de imprensa, a CDHU relatou que o seguro habitacional é válido durante o período do financiamento da moradia. E Claudinei Vilela quitou a casa em setembro de 2011. Portanto, desde a conclusão da compra ele não conta com as coberturas previstas pelo seguro (morte, invalidez permanente e danos físicos).

casa interditada ipe pinheiroSEGURANÇA

“Nosso papel é o de preservar a vida”, atesta o coordenador da Defesa Civil

 

O coordenador municipal da Defesa Civil de Mogi Guaçu, Carmelito Osório Silveira contou que a equipe foi acionada por parente dos proprietários do imóvel que estava preocupada com a situação do local. Isto porque, havia muitas trincas decorrentes da umidade.

Com isto, os técnicos estiveram no imóvel dia 19 de fevereiro e orientaram a família a não mexer no local, ou seja, fazer reparos, aguardando a vistoria de engenheiro da Prefeitura, o que deveria acontecer dentro de dois dias. Todavia, a orientação não foi seguida, o que acabou por prejudicar ainda mais a situação do imóvel, sendo constatado o solapamento (piso e alicerce) em grande proporção. “Daí, o risco à família. Nosso papel é o de preservar a vida da pessoa”, justificou.

Os proprietários se queixaram da impossibilidade de entrar na casa para pegarem seus pertencentes, principalmente roupas. Mas o coordenador esclareceu que há no imóvel apenas os móveis e eletrodomésticos, pois a família teve prazo para retirar os demais objetos.

Silveira frisou que ninguém entra na casa sem parecer de um engenheiro que se responsabilize pela obra, realizando as escoras necessárias de acordo com as normas técnicas. “Não existe meia interdição”, pontuou esclarecendo que, caso contrário, pode ser acusado de omissão.

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SAMAE

Elias alerta que vazamentos não devem ser ignorados

 

O superintendente do Samae (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto), Elias Fernandes de Carvalho, alerta que os vazamentos de água não devem ser ignorados. Ele atenta que, quando o problema é no hidrômetro e deste para fora da residência, a questão compete à autarquia. Já os vazamentos internos, ou seja, no interior do imóvel, são de responsabilidade do proprietário.

Segundo ele, é comum os moradores procurarem o Samae quando observam alterações no consumo/valor da tarifa de água/esgoto, sendo que a primeira colocação é a de que o problema é no hidrômetro. “De fato, pode ser que seja mesmo. Por isso, a equipe vai e verifica e, quando nada é constatado, o morador é orientado de que há vazamento interno”, disse. No entanto, muitos ignoram as orientações da equipe e insistem de que é problema no hidrômetro, apesar da aferição constatar que não há nada de errado com o aparelho.

Elias
Elias

Os três vilões do vazamento interno de água, de acordo com o superintendente são: torneira (vazamento), boia da caixa d´água (quebrada) e vaso sanitário (vazamento). No caso de consumo alto, muito acima da média, certamente aponta vazamento interno. “Aqui, no Samae, damos todas as orientações necessárias e temos também o serviço de geofone, que pode ser feito mediante o pagamento de uma taxa”, detalha Elias. A taxa de uso é de R$ 71,19.  

No caso da moradia no Ypê Pinheiro, o superintendente apurou que o consumo de água da família é de 35 m³ a 40 m³, o que é considerado dentro do normal para o número de pessoas que reside no imóvel. Portanto, o valor das contas que chega à residência se deve ao acumulo de parcelamentos e taxas. Diante deste cenário, Elias acredita que o problema seja decorrente do vazamento de esgoto e não de água. Caso contrário, de fato, haverá diferença no consumo.

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