Home»Caderno Multi»Censo: recenseadores farão mapa da área rural

Censo: recenseadores farão mapa da área rural

0
Compartilhamentos
Pinterest Google+

Mogi Guaçu tem uma extensão rural bem maior que a Zona Urbana. Mas quantos estabelecimentos agropecuários existem? O que produzimos? Quantos são os trabalhadores rurais? São temporários ou ‘safristas’? Ou de agricultura familiar?

Esses dados passam a ser coletados a partir de segunda-feira (2) por recenseadores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). É o Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola 2017. Esta pesquisa é considerada a principal e mais completa investigação estatística e territorial sobre a produção agropecuária do país.

Em 2007, o Censo apontou 599 estabelecimentos agropecuários em Mogi Guaçu e nesse ano seis agentes do IBGE vão percorrer a cidade e também Estiva Gerbi para atualizar as informações. Eles foram aprovados em concurso e designados para Mogi Guaçu e Estiva Gerbi. A equipe é composta por um ACM (Agente Censitário Municipal), dois ACS (Agente Censitário Supervisor) e três recenseadores.

Segundo estimativa do escritório Regional do IBGE, sediado em Mogi Mirim, serão recenseados cerca de três mil propriedades na região, incluindo também Mogi Mirim, Itapira e Santo Antônio da Posse. Para cobrir esses municípios foram contratadas 12 pessoas.

multi ibgeNessa semana, os recenseadores aprovados em concurso público passaram por treinamento. As aulas foram ministradas em quase 1.600 municípios do país. O Posto de Coleta de dados em Mogi Guaçu será na sede da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) que fica no prédio da Saama (Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente), na Avenida Mogi Mirim, no Centro.

Nessa era tecnológica, nada de pranchetas ou papéis. Os recenseadores farão a pesquisa usando o Dispositivo Móvel de Coleta (DMC), um smartphone que servirá para armazenar as informações colhidas no campo e transmiti-las para a rede de computadores do IBGE. O aparelho também servirá para o supervisor rastrear o recenseador. Será possível acompanhá-lo em tempo real e saber qual área já foi abrangida.  A pesquisa deverá ser concluída em fevereiro do próximo ano.

 

LEVANTAMENTO

Novatos e experientes vão iniciar a pesquisa em campo dia 2

 Com experiência profissional em cartório, o guaçuano Carlos Roberto Teixeira vai recensear a área rural de Mogi Mirim. Essa é a primeira vez que ele vai trabalhar para o IBGE e a primeira vez que prestou um concurso público. “Estava desempregado e um colega me falou do concurso. Consultei na internet e fiz a inscrição. Conferi o gabarito e fui bem. Mas isso é relativo, muitas pessoas foram bem e não esperava que fossem me chamar”.

Ronaldo
Ronaldo

Teixeira estava no treinamento quando concedeu entrevista para a Gazeta e estava empolgado com o uso do smartphone que vai facilitar o trabalho. “É a primeira vez que o IBGE usa esse aparelho e creio que vai até ajudar para os Censos futuros. Vamos definir as rotas, vamos deixar já tudo traçado para a próxima pesquisa”.

Da turma que vai trabalhar na região, Ronaldo Alexandre de Sousa é o mais experiente. Será sua quinta participação como recenseador. Ele consegue conciliar o trabalho com as atividades do Censo e, por isso, faz questão de participar sempre que tem concurso. Para ele, a maior satisfação é que adquire cada vez mais conhecimento. “É um trabalho interessante que te permite um conhecimento maior. E, nesse caso, sobre os tipos de cultura (plantações), o processo da produção agrícola. É também um aprendizado a mais a cada censo que trabalho”.

Foram dois Censos em Itapira e dois em Mogi Mirim. E dá até para se gabar e dizer que conhece bem as duas cidades. “Nos outros eu trabalhei na área urbana, então, para mim é quase uma novidade recensear a Zona Rural. Era tudo no papel e, agora, vamos usar um smartphone. Apesar de que no último censo havia o PDA (Personal Digital Assistent), mas tinha bem menos funções e pouca memória”.

Sousa também aposta na boa receptividade das pessoas da área rural. “Na área urbana tem muita resistência (em passar informações) por causa da violência, as pessoas ficam ressabiadas. Algumas nem sabiam ou tinham ouvido falar do Censo”.

Carlos Roberto
Carlos Roberto

Perfil Rural

A engenheira agrônoma Alexandra Cristina Lupi Guedes, da CATI, lembra que Mogi Guaçu se destaca por ter uma área rural maior que outras cidades da região. Afinal, são mais de 800 km de estradas rurais.

Alexandra
Alexandra

Entre os produtores se destacam as grandes culturas como da laranja, cana-de-açúcar e de reflorestamento como eucaliptos e pinus. Há também a produção da chamada agricultura familiar, dividida entre a pecuária de leite e a olericultura (hortaliças). As famílias plantam principalmente berinjela, tomate, pimentão, pimentas, jiló, pepino, abóbora e quiabo. São produtos que têm atraído cada vez mais agricultores por necessitar de pequenas extensões de terra e que tem uma produção/colheita maior.

A agrônoma lembra que em Mogi Guaçu 35% do que é cultivado vem da agricultura familiar. Mas Alexandra ressalta que o cenário produtivo de Mogi Guaçu mudou muito nos últimos anos. O milho e, principalmente a soja, tomaram o lugar dos pés de laranja.

A dificuldade para a realização do Censo, na avaliação dela, pode ser na falta de responsáveis para responder ao questionário. “O grande diferencial em Mogi Guaçu é que muitas terras foram arrendadas e esses arrendatários não vivem no município e ele não tem uma identidade com a cidade, algumas propriedades nem sede tem”.

NO CAMPO

Falta de segurança é um obstáculo a ser superado

Nem toda propriedade rural será pesquisada, explicou Samuel Alvarenga, coordenador regional do Censo Agro 2017. “Só se for estabelecimento agropecuário e se no último ano de referência tiver tido alguma atividade agrária, de pecuária, de aquicultura (piscicultura), de plantio de mudas e flores ou silvicultura, como eucaliptos”, exemplifica. Chácaras e sítios usados como espaços de lazer não estão nas planilhas do Censo.

Samuel
Samuel

Alvarenga acredita que os recenseadores poderão enfrentar três tipos de obstáculos ao trabalho. “A falta de segurança na área rural fez com que haja cadeado nas porteiras, o que dificultará o acesso do recenseador nesses locais. Haverá dificuldade em encontrar o proprietário da terra porque muitas áreas foram arrendadas e tem estabelecimentos sem sede. Houve para esse ano um corte brutal no orçamento e temos uma equipe reduzida e o trabalho no campo não é fácil porque não é uma pesquisa por amostragem, é uma varredura unidade por unidade”, pontuou o coordenador do IBGE.

A ajuda poderá vir dos técnicos da CATI que já atualizaram o cadastro rural do município e podem ajudar contatando os responsáveis para que respondam a pesquisa. Os recenseadores estarão identificados com boné, colete e crachá. Mas é possível ligar para o IBGE e confirmar se a pessoa que está ali querendo pegar informações é o recenseador. Basta repassar o número da matrícula e o nome no crachá para o atendente do número 0800-21-81-81.

“A população da área rural é mais receptiva e em tese o acolhimento deve ser melhor se não levarmos em conta essa questão da segurança, porque na zona rural estão todos com medo”, lembra Alvarenga ao se referir a ocorrências de roubos e furtos.

 

Informações

O que o governo federal faz com os dados? Segundo o IBGE, as informações geradas possibilitam a avaliação de políticas públicas. Com as informações são realizados estudos a respeito da expansão das fronteiras agrícolas, da dinamização produtiva por meio de inovações tecnológicas e, indicadores ambientais. Propiciam também análises sobre transformações decorrentes do processo de reestruturação e de ajustes na economia e de seus reflexos sobre o setor, com dados sobre unidades de conservação ambiental, terras indígenas, bacias hidrográficas, Biomas, assentamentos fundiários, áreas remanescentes de quilombos, entre outros.

multi ibge

O Brasil realizou o seu primeiro Censo Agropecuário em 1920. De 1940 a 1970, os Censos Agropecuários foram realizados pelo IBGE a cada 10 anos e a partir de então passaram a ocorrer a cada cinco anos, ou seja, em 1975, 1980 e 1985. Em 1990 não foi possível a sua execução, sendo realizado somente em 1996, e o último Censo Agropecuário foi realizado em 2007. Este 11º Censo Agropecuário. Com a redução do orçamento para este ano, não há verba prevista para publicidade. Dessa forma, o IBGE conta com o apoio de toda a sociedade nas etapas da divulgação.

Post anterior

Tome Nota de sábado, dia 30

Próximo post

Editorial: A história se repete