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Busca por mão de obra qualificada vira projeto social

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A carência que o mercado de trabalho tem em oferecer mão de obra qualificada e o desejo de dois empresários de Mogi Guaçu em abrir uma Organização Não Governamental (ONG) voltada para a educação de jovens virou um sonho realizado. Acaba de ser criado o PEP (Projeto Escola de Profissões) que tem cursos profissionalizantes totalmente gratuitos para desempregados e jovens que buscam o primeiro emprego.

Segundo uma pesquisa realizada pela Robert Half, para 81% dos recrutadores, há falta de mão de obra capacitada, o que reforçou aos empresários que o caminho a seguir era o da qualificação. A escola de profissões teve inicio em outubro com dois cursos que são ministrados aos sábados em dois locais.

Para os idealizadores, é a realização de um sonho em poder fazer a diferença na vida das pessoas. Agora que conseguiram dar os primeiros passos, os planos são de crescimento, tanto na cartela de cursos quanto na estrutura oferecida aos alunos.

ESCOLA DE PROFISSÕES

Projeto voluntário oferece qualificação profissional

O PEP (Projeto Escola de Profissões) é um sonho que há pouco mais de 15 dias se tornou realidade em Mogi Guaçu. Nascido para oferecer qualificação profissional a jovens e desempregados, a escola de profissões, tem como objetivo principal atualizar e formar profissionais, tanto para viver a primeira experiência no mercado de trabalho quanto para se recolocar em uma nova oportunidade.

A empresária Marilza Maltempi, que há 35 anos trabalha no comércio, disse que de uns tempos para cá passou a notar a grande falta de mão de obra qualificada em diversas áreas do mercado, como a construção civil, por exemplo. Junto a isso, ela sempre carregou dentro de si o sonho de ter uma Organização Não Governamental (ONG) voltada para a educação de jovens. Em abril deste ano, Marilza participou do Empretec, um evento do Sebrae que fala sobre empreendedorismo. Na ocasião, ela conheceu o também empresário de Mogi Guaçu Clóvis Baradelli.

Os dois passaram a conversar e descobriram que tinham um ideal em comum: abrir um projeto para qualificar pessoas. A partir deste encontro, os empresários se tornaram amigos e foram buscar parceiros para abrir o PEP (Projeto Escola de Profissões). “As pessoas certas foram surgindo em nossos caminhos e fomos nos unindo em busca de um mesmo objetivo”, ressaltou a empresária. Com isso, o sonho que até então era apenas dos dois empresários, passou a ser também de outras pessoas como Leonardo Carlos Benedito, Alberto Salles dos Santos Brito, Luís Carlos Toloto, Leandro Dias e Alessandro Siqueira. Todos com um papel fundamental e que possibilitou dar vida à escola de profissões que iniciou suas aulas no último dia 19 com dois cursos gratuitos: o de elétrica básica (módulo I) e de metrologia, que é voltado para a indústria.

As aulas acontecem aos sábados das 8h00 ao 12h00. Uma das turmas estuda na sala da AEARMG (Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Região de Mogi Guaçu), que fica na Vila Beatriz, próximo ao Centro, e outra utiliza um espaço na Igreja de Cristo Pentecostal Internacional, na Vila São Carlos. Os empresários explicaram que a divulgação dos cursos começou em setembro no Camp (Centro de Aprendizagem Metódica Profissionalizante), para atingir os jovens e na Paróquia Santa Terezinha do Menino Jesus, que fica no Jardim Santa Terezinha.

Leonardo Carlos Benedito, um dos parceiros e também um dos professores dos cursos disse que a divulgação aconteceu na periferia porque o objetivo sempre foi o de oferecer oportunidade para as pessoas mais carentes. “Queríamos atingir os desempregados e jovens que ainda não engrenaram na vida profissional”.

O grupo teve uma boa resposta e hoje tem 45 alunos matriculados nos dois cursos que terão duração de 40 horas e serão certificados pela Associação dos Engenheiros e Arquitetos. Para Salles, presidente da AEARMG, é uma satisfação poder fazer parte do projeto. “Todos os dias a gente ouve da falta de qualificação e abraçamos a causa oferecendo nosso apoio e nossa estrutura”.

A formatura da primeira turma do PEP vai acontecer no dia 14 de dezembro. Os alunos vão receber o certificado e vão finalizar o curso com palestras. O local da cerimônia ainda será definido. (RL)

ESPERANÇA

André está desempregado e vê na qualificação uma oportunidade

André da Silva Rabelo, 35, trabalha como eletricista, mas há algum tempo está fora do mercado de trabalho. Ele é um dos alunos do curso de elétrica básica do PEP. Ficou sabendo do projeto na Paróquia de Santa Terezinha. “O padre me conhece e sabe da minha vida, então, ele me avisou dessa oportunidade que eu corri agarrar”, contou.

Para ele, a falta de um certificado naquilo que ele sabe executar o prejudica na hora de arrumar um emprego. “Às vezes aparece a vaga, mas eu não tenho como comprovar que sei fazer aquilo”. Com isso, ele enxergou no curso uma chance de ter a profissão na qual está há 15 anos formalizada. “Além disso, eu estou me atualizando e ampliando meus conhecimentos”. Rabelo ainda contou que, atualmente, só faz bicos e que o mercado de trabalho está muito difícil. No entanto, desde que iniciou as aulas, ele está com uma nova esperança. “Eu espero voltar a trabalhar logo, tenho certeza que vai dar certo antes mesmo do curso acabar”.

Com isso, o eletricista disse ser muito grato pela chance que recebeu. “Se não fosse a força de vontade deles eu não iria conseguir”.

VIDA LONGA

Idealizadores sonham com sede própria

A felicidade de ver um sonho se tornar realidade está mais do que estampada no rosto de Marilza, Clóvis e demais parceiros. Para o ano que vem a escola de profissões já deve ter três cursos a mais para oferecer de forma totalmente voluntária. Além de elétrica básica e metrologia, a ideia é ministrar os cursos de azulejista, pedreiro e módulo II de eletricidade, sendo que todos os parceiros com exceção de Marilza e Salles são os professores dos cursos.

Mas os planos de crescimento não param por aí. Os idealizadores querem ir além. “Nosso sonho é ter uma sede própria”, contou a empresária que ainda disse que eles já estão trabalhando para conseguir isso, indo atrás de novas parcerias. Para Leonardo, a escola de profissões precisa ter vida longa, já que por de trás de toda oportunidade oferecida existe um propósito maior, que é o de fazer a diferença na vida das pessoas.

Clóvis disse não estar acreditando que finalmente está colocando em prática algo com que tanto sonhou. “Passei 12 anos da minha vida pensando nisso e essa semana eu até chorei em um momento pessoal de realização”. Leonardo relatou que uma experiência já vivida com a escola de profissões o comoveu. “Temos um aluno do Itaqui. Ele vem a pé de lá e nos mostra uma grande força de vontade”.

Com isso, Marilza disse acreditar que muitas das vezes tudo o que as pessoas estão esperando é por uma simples oportunidade. “São pessoas que colocam a esperança na gente”. E para finalizar Clóvis deixa bem claro que o projeto também quer despertar em seus alunos a vontade de romper barreiras. “Que não seja apenas um curso, mas, sim, uma porta para outras qualificações, para um novo emprego e até mesmo para uma faculdade”.

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