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Bazar Eco: Lixo que vira arte e roupas

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 O que fazer com aquele material que não é reciclável? Nem mesmo os catadores e associados da Cooper 3Rs sabiam qual destino dar para alguns objetos achados no lixo. E esses objetos acabavam indo para o aterro. Alguns itens que ainda tinham ‘salvação’ iam para a casa dos catadores, o que gerava até um conflito pela disputa daquelas peças.

Foi pensando em acabar com essa situação que a coordenadora de projetos da cooperativa, Beatriz Vedovello Bimbati, a Bia, decidiu criar um projeto de destinação para alguns itens que não tinham reciclabilidade e acabavam em algum canto do galpão da Cooper 3Rs. A filha, Maitê, que faz designer de moda, já tinha um projeto de moda sustentável e produção cultural junto a ProAc (Incentivo à Cultura do Estado de São Paulo) e o adaptou para a área de meio ambiente.

Pronto. Era tudo que Bia precisava para conseguir recursos e mudar o cenário da reciclagem junto à cooperativa. Ela conseguiu inscrever o projeto “Fomento de Economia Cíclica” junto à Fundação Banco do Brasil, em 2016. No ano passado, ela conseguiu o financiamento para montar oficinas de marcenaria, bijuteria, costura, reaproveitamento de materiais, restauração e garrafas. Com o financiamento, a cooperativa Cooper 3Rs recebeu maquinários e ferramentas necessários, incluindo máquinas de costura.

Bia
Bia

A primeira exigência da Fundação foi que os catadores cooperados participassem de um seminário que mostrou o valor deles junto à sociedade, o valor do lixo e da sustentabilidade do projeto. Foram seis meses de formação constante com seminários sobre economia criativa, arte sustentável e economia circular (a reciclagem).

“Para ampliar o olhar deles, porque só a reciclagem de papel não dá dinheiro. Foi para despertar neles esse olhar cultural para que olhassem os objetos com a finalidade de arte mesmo”, comentou Bia.

Para fechar esse novo ciclo, os catadores criaram a “1ª Feira de Economia Criativa”. Esta primeira edição ocorreu no Centro Cultural, em Mogi Guaçu, no fim do ano passado, e foi sucesso garantido. Em duas horas de vendas a Cooper 3Rs arrecadou R$ 710.

A presidente da entidade, Maria Aparecida Nascimento, conta que as pessoas buscam muito por peças antigas de móveis e de decoração, além de peças de computadores e também pelas roupas confeccionadas com tecidos de sombrinhas e guarda-chuvas. “Não é customização, é transformação”, reforçam Bia Vedovello e Maria Aparecida.

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FEIRA CRIATIVA
Meta é aumentar arrecadação para o Fundo Social da cooperativa

 E foi dessa experiência que nasceu o BazarEco. Todas as sextas-feiras as peças eram colocadas à venda e era possível arrecadar cerca de R$ 300 em um único dia de bazar. Com a mudança de prédio, os bazares tiveram de ser suspensos no início deste ano. Mas já está prevista sua retomada no próximo dia 7, segunda-feira.

bazar ecoA “Feira de Economia Criativa” será realizada durante a semana que antecede o Dia das Mães, no Centro de Convergência Cultural (Antiga Estação), na Avenida dos Trabalhadores, na região central de Mogi Guaçu. A ideia é retomar o BazarEco semanalmente na sede da entidade e sempre do dia 1º ao dia 10 de cada mês realizando a feira junto ao Centro de Convergência. Inclusive, os catadores estão com projetos para confeccionar móveis com pallets, roupas com tecidos reaproveitados e que viram moda Upcycling, além de muitos objetos que são totalmente transformados em peças artísticas.

O sucesso tanto da feira quanto do bazar ainda rendeu outro tipo de colaboração à Cooper 3Rs. Muitas famílias passaram a fazer doações de peças cerâmicas, porcelanas, telas e outros objetos em bom estado para serem vendidos pela entidade ou transformados em arte. Haverá, inclusive, a criação de um sebo para a recuperação de livros encontrados no lixo ou doados à cooperativa.

O principal objetivo é que o dinheiro arrecadado com as duas iniciativas: a feira e o bazar sejam destinados aos dois fundos financeiros que foram criados pela cooperativa. E, principalmente, que possibilitem à Cooper 3Rs uma renda própria para que isso se caracterize como sendo o princípio da auto sustentabilidade.

O Fundo de Ação Social é para ajudar financeiramente aqueles que estão afastados do trabalho por problemas de saúde ou precisam comprar medicamentos, uma vez que a remuneração deles é baseada na quantidade de horas trabalhadas.

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O Fundo Trabalhista garante que eles possam ter alguns direitos remunerados, como férias, por exemplo, porque muitos deles já são aposentados e tiram dali (do trabalho na cooperativa) a renda extra ou são contratados por meio de MEI (Micro Empreendedor Individual). Atualmente, há cerca de 40 catadores contratados na Cooper 3Rs, entre aqueles que trabalham no barracão, nas ruas e desenvolvem atividades administrativas, como secretária, motoristas e também vigias.

bazar ecoOUTRAS CONQUISTAS 

Cooper 3Rs busca apoio de universitários para pesquisas

 Por meio de editais de financiamento público, como da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros), a Cooper 3Rs ganhou recentemente uma fragmentadora de papel e também carrinhos ergonômicos para melhorar o trabalho dos catadores nas ruas.

Em outro programa de financiamento da Fundação Banco do Brasil, a cooperativa de Mogi Guaçu comprou uma empilhadeira.

Com isso, a ideia, segundo Bia Vedovello, é que com os projetos em andamento, a Cooper 3Rs atraia universitários que façam pesquisas junto à entidade e também ajudem no crescimento da cooperativa.

A Cooper 3Rs foi fundada em 2002 como uma incubadora de projetos ambientais. Foi somente a partir de 2008 que a entidade passou a ter gestão focada em atender a legislação ambiental e também de cooperativismo.

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Novo endereço

Cooperativa Cooper 3Rs

Rua Nagib Matte Merhej, nº 1.070, no Jardim Califórnia

Telefone: (19) 3831-6431

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