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Barragem de Mogi Guaçu: na mira da Aneel

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A tragédia em Brumadinho, Minas Gerais, tem provocado um turbilhão de sentimentos nos brasileiros. Tristeza e questionamentos batem à porta a todo o momento e, mais uma vez, toda uma Nação fica em total estado de alerta se perguntando até que ponto as barragens estão seguras por todo este país. Sabendo deste medo que toma conta da população, o Governo Federal anunciou que todas as barragens do Brasil serão fiscalizadas. Elas somam 24 mil em todo o território brasileiro.

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), responsável pela fiscalização de 437 hidrelétricas que totalizam 616 barragens, informou que até maio, deste ano, cerca de 60% das usinas sob a sua supervisão terão passado por fiscalizações in loco, ou seja, feitas pessoalmente. E as barragens hidrelétricas de Americana, Pedreira e Mogi Guaçu estão inclusas nessa fiscalização. Isso porque, elas foram classificadas como sendo de “risco alto para quem mora no entorno em caso de rompimento.

Com o receio causado pela tragédia de Brumadinho e o anúncio da fiscalização da Aneel, a Gazeta questionou a empresa AES Tietê, que administra a barragem da cidade, quanto a esta fiscalização que será feita e a segurança da barragem em Mogi Guaçu.

Moradores e comerciantes que estão na rota da barragem também falaram se sentem medo ou não de um possível rompimento da represa.

CONFIANTES

Vizinhos próximos à barragem confiam na estrutura

“Eu não tenho medo e não acredito que aqui poderá acontecer alguma coisa ruim. Acho muito difícil”. Essa é a resposta que deu o comerciante Luís Gustavo Gonçalves, 27 anos, ao ser questionado se não tem medo de estar tão próximo, bem ao lado, da barragem de Mogi Guaçu, localizada no bairro da Cachoeira.

Luís Gustavo diz que se sente tranquilo
Luís Gustavo diz que se sente tranquilo

Há cerca de um ano e meio, Luís é proprietário de um restaurante que tem como vista a PCH (Pequena Central Hidrelétrica). A paisagem bonita aliada à estrutura imponente da PCH enche os olhos do comerciante que de forma tranquila diz acreditar e sentir-se seguro. “Tem um cliente nosso que é engenheiro. Ele é de outra cidade e sempre que vem aqui, em Mogi Guaçu, faz elogios a essa estrutura. E só de olhar a gente também sente segurança. Sem contar que é uma barragem totalmente diferente daquelas de minérios”, enfatizou o comerciante.

Luís também falou que nem mesmo quando as enchentes acontecem têm problemas com a água do rio, que vem da represa. “Nunca chegou nem mesmo inundar aqui. A água não alcança o restaurante e, até mesmo, quando eu estou em casa não fico com medo de acontecer um rompimento”, conta Luís que mora no Jardim Santa Madalena.

O comerciante ainda contou que sempre que as comportas da represa vão ser abertas para liberar água uma sirene é tocada por cerca de 20 segundos para avisar aos moradores e comerciantes. “A sirene toca uns 10 minutos antes de as compartas se abrirem. Mas é mais para alertar as pessoas que ainda têm coragem de descer lá embaixo para nadar”, completou.

José Carlos Faria também está na rota da barragem de Mogi Guaçu. Há 38 anos, ele mora no Jardim Bertioga e também demonstrou ser destemido. “É claro que a gente vê uma tragédia dessas como aconteceu em Brumadinho e fica preocupado, triste. Mas comparando a estrutura daqui com a estrutura de lá, a gente percebe que são coisas totalmente diferentes e fica mais aliviado”, observou.

José Carlos aposta na segurança da barragem
José Carlos aposta na segurança da barragem

Para o morador, a figura da barragem de Mogi Guaçu é positiva, já que desde a sua implantação, não teve mais problemas por conta das grandes enchentes como havia antes da construção da represa. “A barragem resolve 90% das enchentes. Eu já cheguei a ter a minha casa encoberta pela chuva. Isso foi em 1983. Os transtornos eram muitos, tanto que cheguei a me mudar dessa casa por quatro vezes, mas sempre voltei por amar esse bairro”, contou José Carlos.

Diante das tragédias que aconteceram em Minas Gerais, ele disse que é preciso confiar. “Temos que acreditar. Está na mão da engenharia. Nós esperamos que as fiscalizações sejam feitas de fato e que o controle da água seja realizado corretamente e a todo tempo, porque o problema que eu vejo que pode acontecer é se a empresa perder o controle do fluxo de água e do rio”.

ROTINA

AES Tietê garante segurança e monitoramento

A AES Tietê Energia S.A. informou, por meio de nota, que a barragem de Mogi Guaçu é utilizada para produção de energia elétrica e tem uma estrutura consolidada, ou seja, é diferente da barragem que se rompeu em Brumadinho/MG. Lá, em Minas, possivelmente a barragem estava com problemas estruturais e armazenava rejeitos de minérios de ferro junto à lama. A administradora AES Tietê disse que a represa de Mogi Guaçu, assim como as demais que estão sob sua concessão, foi projetada, construída e é mantida seguindo rigorosos padrões técnicos de engenharia utilizados no setor elétrico.

multi barragemAinda com relação à estrutura, a AES explicou que a barragem de Mogi Guaçu foi construída em etapa única e, por isso, não sofreu alterações construtivas ao longo do seu ciclo de vida e que é periodicamente monitorada por instrumentos, além de inspecionadas e avaliadas por equipe técnica especializada.

A AES Tietê ressaltou também que novas tecnologias são utilizadas no processo de inspeção, como drones subaquáticos e aéreos, e em linha com o estabelecido na Resolução 696/2015 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a AES desenvolveu e distribuiu para as Defesas Civis dos municípios onde atua um documento chamado PAE (Plano de Ação de Emergência), que é o conjunto de procedimentos técnicos e administrativos com o objetivo de auxiliar os órgãos de Defesa Civil na elaboração dos planos municipais de contingências em caso de atendimento as situações emergenciais que venham ocorrer com as barragens.

 

Defesa Civil

O coordenador municipal da Defesa Civil de Mogi Guaçu, Carmelito Ozório Silveira, explicou que o Plano de Ação de Emergência aproxima a Defesa Civil da AES Tietê, que controla a represa, fortalecendo o trabalho de prevenção e monitoramento. Com isso, a Defesa Civil sempre recebe as informações que permitem executar o plano de contingência como, por exemplo, a evacuações de áreas com antecipação, quando for necessário.

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